<
>

UFC 253: Reyes e Blachowicz se enfrentam pelo título, mas conseguirão sair das sombras de Jon Jones?

Pela primeira vez em quase uma década, a categoria meio-pesado do UFC está prestes a ter um novo rei. Tanto Dominick Reyes quanto Jan Blachowicz conquistaram este momento - seus lugares no centro do palco sob os holofotes, cada um pronto para iniciar suas próprias eras como campeões - e ainda assim será surreal assistir um deles sair do octógono no sábado como o cara em uma das divisões de mais glamour do UFC. Isso porque o evento co-principal do UFC 253 não terá uma presença marcante que fez da divisão dos 93kg uma divisão de glamour.

Jon Jones tem a cara da divisão dos meio-pesados desde 19 de março de 2011, quando ganhou o título como um prodígio do MMA de apenas 23 anos. Desde que ele esmagou Mauricio "Shogun" Rua naquela noite para se tornar o mais jovem a ter um cinturão do UFC, Jones está invicto em 14 lutas, incluindo um recorde de 11 defesas pelo título - cinco delas contra ex-campeões.

Sim, é verdade que ele não foi campeão por todo esse período, teve seu título retirado por conta de problemas fora do octógono. Mas mesmo quando isso aconteceu, ele sempre foi considerado como um “campeão” que logo voltaria para pegar o seu título. Mas agora é diferente. Pelo menos por enquanto, ele não quer voltar.

Difícil de manter o nível...

Reyes e Blachowicz vão abraçar esse desafio quando se enfrentarem neste fim de semana pelo cinturão dos meio-pesados que Jones desocupou no mês passado para subir para o peso pesado.

É tentador ter uma visão meio vazia dessa luta pelo título, o que ajudará a dar o pontapé inicial na segunda "Ilha da Luta" do UFC, disputada no Flash Forum em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Mas seria errado permitir que a ausência de Jones obscurecesse totalmente este ótimo confronto de dois lutadores em ótima fase.

Reyes está 12-1, com sua única derrota vindo em sua luta mais recente. Foi uma luta contra Jones em fevereiro, que acabou indo para a decisão dos juízes – e muita gente pensou que Reyes merecia a vitória. Ao ver o cinturão devolvido a Jones naquela noite, o californiano de 30 anos disse à ESPN: "Eu sou o rei sem coroa agora”.

A coroação vem neste fim de semana, mas pode ou não ser de Reyes. Blachowicz também teve uma sequência majestosa ultimamente, vencendo suas últimas três lutas e sete de suas últimas oito. No entanto, caracterizar o polonês de 37 anos como uma história de sucesso seria contar apenas metade da história. Acima de tudo, Blachowicz é uma prova de perseverança. Ele teve 34 lutas na carreira e está no UFC desde 2014. Ele chegou a perder 4 de 5 dentro do octógono em um ponto. Mas esse passado parece muito, muito distante, e Blachowicz agora está exatamente onde ele pertence.

A noite de sábado será o fim de uma era e talvez o início de uma nova. Perdemos e ganhamos.

O que se perde com a ausência de Jones? Estabilidade. O que se ganha com sua partida? Estabilidade.

play
1:04

UFC | Promessa de morte, 'ele é burro' e muito mais: relembre as ofensas trocadas entre Adesanya e Borrachinha desde antes da luta ser marcada

Rivais se cutucam há muito tempo pelo cinturão dos médios

A estabilidade perdida é o conhecimento de que havia uma estrela no universo dos meio-pesados. Tudo girava em torno de Jones. Mesmo quando seus desentendimentos com a polícia e comissões atléticas resultaram na perda do cinturão - aconteceu três vezes - Jones continuou sendo o cara.

Claro, a divisão de 93 kg não sentirá saudades de ser oprimida por Jones. Nos últimos nove anos, Jones tem sido um artista imperdível, e o UFC capitalizou isso tornando-o uma atração principal de evento pay-per-view cada vez que ele compete. Reyes e Blachowicz, entre eles, estiveram em apenas um evento principal de PPV - e essa foi a luta de Reyes contra Jones em fevereiro.

Será que Reyes ou Blachowicz podem evoluir para uma estrela em torno da qual o UFC construirá seus maiores eventos?

Qualquer que seja o homem que vença o título no sábado, ele não será um campeão “tradicional”. Reyes pode ser alimentado pelo sentimento entre muitos fãs de que ele levou a melhor sobre Jones sete meses atrás, mas vitórias morais não carregam a gravidade de um "And new ...!", experimentado sob as luzes brilhantes enquanto estava ao lado do antigo rei.

Em 2013, Chris Weidman ganhou bastante status quando venceu o até então invencível Anderson Silva. Henry Cejudo se tornou protagonista do MMA apenas em 2018, quando encerrou o reinado de Demetrious Johnson. E seria Conor McGregor a estrela que é se não tivesse tido seu momento - de 13 segundos - contra José Aldo em 2015?

Em contraste, considere a carreira de Johny Hendricks. Em 2013, ele colocou Georges St-Pierre em uma disputa pelo título tão brutal que, mesmo com GSP levantando a mão no fim, o campeão dos meio-médios abandonou o esporte imediatamente depois. Hendricks conquistou o título vago em sua próxima luta, mas perdeu em sua primeira defesa. Depois disso, a carreira de Hendricks se esvaiu em uma série de cinco derrotas em seis lutas.

Esse não precisa ser o destino de Reyes ou Blachowicz. Ambos entrarão no octógono na noite de sábado, aproveitando o momento duramente conquistado. E o homem que sair com o cinturão também carrega uma tela vazia na qual pode usar sua própria tinta. Talvez ele se sinta inspirado a criar uma obra-prima. Talvez ele apenas bagunce as coisas.

Por tudo isso, porém, ele será examinado pelo simples fato de que nunca conseguiu dispersar a sombra que pairava sobre ele: o legado e a arte de Jon Jones.