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UFC: Daniel Cormier escreve carta de despedida: 'Luta contra Miocic significa tudo para mim'

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A lendária carreira de Daniel Cormier deve acabar neste sábado, no UFC 252, com o fim da trilogia com Stipe Miocic. Campeão por onde passou - e duplo-campeão no Ultimate -, ele já se colocou como um dos maiores lutadores da história. Mesmo assim, o combate final significa tudo. É o que ele mesmo diz, em carta de despedida escrita a convite da ESPN.

O texto abaixo foi escrito pelo próprio Daniel Cormier e traduzido e editado pelo ESPN.com.br

"Há uma última coisa a fazer, que é reconquistar o cinturão dos pesados do UFC de Stipe Miocic, no sábado. Significa tudo para mim" Daniel Cormier

* Conteúdo patrocinado por Sportingbet

Quando eu era criança e ficava empolgado com uma pessoa ou um atleta, ia para o meu quarto e escrevia uma carta para essa pessoa. Eu escrevia várias cartas como fã na esperança de que aquelas pessoas um dia pudessem ler.

Escrevi para Michael Jordan. Escrevi cartas para Walter Payton. Sou um cara mais velho - tenho 41 agora. Estou falando de atletas dos anos 80, caras como Lawrence Taylor. Escrevi umas cinco cartas, e eram para caras assim, os caras que eu via todos os dias na TV sendo maiores do que a própria vida.

É meio difícil olhar a mim mesmo desse jeito, mas quando você junta tudo, sinto que as minhas realizações podem ser comparadas às de qualquer outro atleta em qualquer outro esporte. Por causa do tempo que passei no topo do esporte - dos Jogos Olímpicos aos campeonatos da NCCA, dos campeonatos dos EUA às lutas no Strikeforce e tudo que eu fiz no UFC. Eu ganhei por onde passei. E isso significa que sou muito, muito sortudo.

Há uma última coisa a fazer, que é reconquistar o cinturão dos pesados do UFC de Stipe Miocic, no sábado. Significa tudo para mim. A luta, a rivalidade, a trilogia. Tudo isso é uma loucura para um cara que já passou por coisas como eu.

Essa luta me dá a chance de sair por cima, a chance de ser campeão novamente. Acredito que essa luta seja para coroar o melhor lutador peso pesado de todos os tempos. Mas eu acredito que, sempre que fizerem uma lista dos maiores da história, meu nome estará lá.

Está tudo em jogo aqui. Se Stipe vencer, ele é o maior lutador peso pesado de todos os tempos. Se eu vencer, sou o maior lutador peso pesado de todos os tempos. Esses tipos de lutas não acontecem com muita frequência. É um grande negócio. É exatamente onde eu quero estar.

Mas eu sempre digo isso: eu vivi esses momentos. Todas as lutas são grandes. Eu sempre enfrento o cara mais assustador do mundo. Agora, posso provar mais uma vez que sou um daqueles indivíduos assustadores, aquelas pessoas para quem o mundo olha e diz: "Uau, esse cara é especial”.

Stipe e eu estamos em uma situação que criamos porque somos quem somos. A razão pela qual lutas como essa não acontecem com muita frequência é porque os caras não se colocam nessa posição. Stipe e eu fizemos exatamente isso.

Sempre penso em legado. Acho que meu legado hoje já deve estar bem seguro. Mas acho que se tornar campeão dos pesos pesados novamente seria a cereja do bolo. Seria incrível.

Acho que me garanti como um dos grandes de todos os tempos quando ganhei o cinturão dos pesados pela primeira vez e me tornei o segundo homem a ter dois cinturões simultaneamente no UFC. Você não pode tirar isso. Você não pode tirar aqueles momentos em que o Dana White colocou os cinturões nos meus ombros. Você não pode mudar isso. Isso sempre será um fato.

E sim, é isso. Esta será a minha última luta. Eu não acho que você geralmente espera o que vem a seguir. Eu me pego pensando no dia em que não terei mais esses treinos. Estou ansioso para os dias em que estarei fazendo mais coisas na mídia. Estou tendo várias oportunidades, e isso me deixa feliz. Estou muito animado com a minha perspectiva de vida fora do octógono. Nada disso seria possível sem minha carreira de lutador. Mas eu sempre digo: todos os grandes campeões têm uma grande noite. Eu não quero desafiar o destino, mas sinto que sábado vai ser uma grande noite para mim. Não sei se essa é a última grande noite da minha carreira. Acho que vamos descobrir.

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Quando penso no que mais me orgulho na minha carreira, é simplesmente tudo. O fato de ter conquistado um título em todas as organizações em que lutei. O fato de eu ter sido o segundo a ter dois cinturões simultaneamente. O fato de que ensinei wrestling para crianças durante todo o tempo que lutei. Sempre voltei para treinar essas crianças. O fato de que fui capaz de construir minha família e dar a eles uma vida que eu nunca imaginei conseguir.

Estou muito orgulhoso do cara que entrou na American Kickboxing Academy em San Jose, Califórnia, em 2009, incerto e inseguro porque não havia muito valor em meu nome depois que tive que sair das Olimpíadas de 2008 por conta de um corte de peso ruim. Pensei comigo mesmo: "Vou lutar MMA e vou tentar ser o melhor que puder”. Quando eu penso naquele cara de 11 anos atrás, eu nem poderia ter imaginado que estaria onde estou.

Quando Jon Jones ficou em apuros depois de me vencer [em 3 de janeiro de 2015], eu era uma força para o UFC. Fui o cara que continuou ganhando e defendendo aquele cinturão dos meio-pesados. Subi para o peso pesado quando a maioria das pessoas tinha medo de fazer isso. E venci o Stipe Miocic, que tinha defendido o título mais do que qualquer um. Eu venci e me coloquei em outra grande rivalidade.

Essas grandes rivalidades não acontecem da noite para o dia. Eu era capaz de fazer coisas tão grandiosas que me vi em três rivalidades enormes ao longo da minha carreira: duas lutas pelo título com Anthony Johnson, duas lutas pelo título com Jon Jones e agora três com Stipe Miocic. Sou um cara muito, muito sortudo.

Mais do que tudo, espero poder lutar com todo o meu potencial. Acho que não o fiz da última vez. Eu ainda estava meio machucado depois de uma cirurgia nas costas [em dezembro de 2018]. Não consegui treinar bem. Houve uma série de razões pelas quais não consegui mostrar o melhor Daniel Cormier. Eu só quero ser capaz de lutar do jeito que lutei em toda a minha carreira e acho que estou no caminho certo para isso.

Agora, estou com mais fome do que nunca. Nunca me senti tão motivado por algo. Não me leve a mal, não é que eu não respeitei o Stipe Miocic. Isso não é verdade. Eu e minha equipe fizemos questão de ir para a luta. Como eu ainda estava um pouco machucado, se algo começasse a me incomodar, nós parávamos. Se as costas começassem a me incomodar um pouco, nós parávamos.

Desta vez, fiz um esforço consciente para me treinar para lutar e, se não conseguir porque não estou saudável o suficiente, simplesmente não vou lutar.

Eu acredito que essa é a melhor forma em que eu já estive desde a segunda luta contra Jones [em 29 de julho de 2017]. Para ser honesto, não sei se não acabei me afastando completamente da rivalidade com o Jones por causa da quantidade de negatividade envolvida. Ainda não estou orgulhoso de parte do meu comportamento durante esse tempo, mas sou grato por isso. Sou grato por tudo.

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As lutas com Jones trouxeram energia ruim, e mesmo com tudo que fiz, ainda carrego o peso das críticas. Eu acho que com certos caras são lembrados com mais carinho. Eu acho que esse é apenas o meu lugar neste jogo, é a maneira como funciona para mim. Não sei por que tem sido difícil conseguir respeito, mas as coisas são assim. Alguns me respeitam. Alguns não. E eu realmente não posso mudar isso. Mas ainda acredito que, com o passar do tempo, as pessoas respeitarão o que fiz muito mais do que agora. Estou tranquilo com isso, enquanto eu continuar fazendo meu trabalho. Eu tenho pessoas que me amam e que me ajudam. Vai ficar tudo bem.

Acho que muitos lutadores passam muito tempo se preocupando com a percepção de quem são e que se perdem nisso. Isso não é algo que eu queira fazer para mim mesmo ou para as pessoas que me amam e cuidam de mim. Isso pode atrapalhar muito.

Quando eu era criança e escrevia cartas para meus atletas favoritos, eu nunca poderia imaginar levar algum tipo de negatividade para eles. Adoro quando recebo cartas de fãs na academia, ou quando uma criança me diz que quer lutar porque me viu lutar, que quer lutar no UFC porque me viu lutar no UFC.

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Amo ganhar títulos e ter sucesso. Isso significa muito para mim. Mas nos últimos dois anos, fui técnico na Gilroy High School em Gilroy, Califórnia, e colocamos 13 crianças na faculdade. Isso é enorme. Isso não é bom apenas para mim. É bom para meu filho, Daniel - ver garotos que treinaram com ele indo para a faculdade. É bom para minha filha, Marquita, que está vendo essas pessoas indo lutar na faculdade. Essas são as coisas que importam. Ser o capitão da American Kickboxing Academy significa algo para mim, porque me torna um líder, uma pessoa que deve orientar todos esses jovens lutadores em sua jornada.

Tudo funciona junto. Eu não valorizo um em relação ao outro porque todos andam de mãos dadas. Mas este, este último? Não vou mentir para você: é grande. Tive a sorte de ter as rivalidades e realizações que tive. E esta está acima de todas: a chance de se tornar novamente o campeão dos pesos pesados do UFC.