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Cláudia Gadelha fala sobre lutar em meio à pandemia e diz que isso a fez aceitar rival mal ranqueada: 'Vitória não me leva ao topo'

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Claudinha Gadelha explica por que decidiu lutar em meio à pandemia: 'Ser uma das primeiras a voltar ao normal' (1:50)

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br (1:50)

Neste sábado (1), Claudinha Gadelha entra no octógono para enfrentar Angela Hill pelo UFC Fight Night em Jacksonville, na Flórida (EUA). Será o terceiro evento da organização em meio à pandemia de coronavírus e, em bate papo exclusivo com o ESPN.com.br, a brasileira falou sobre como se preparar e a sensação de lutar nessa situação, analisou sua adversária e disse que "sequer hesitou" em continuar participando do evento após a saída de Jacaré do UFC 249 por conta do exame positivo para a COVID-19.

Por que aceitou lutar durante a pandemia?

"Minha última luta foi em julho do ano passado. Eu ia lutar de novo em janeiro, minha adversária não bateu o peso. Ia lutar de novo em maio, o evento foi cancelado. Acho que as oportunidades na nossa vida surgem de acordo com o quão você está pronto. Apesar da gente estar passando por essa mudança mundial, quero fazer parte das primeiras pessoas a fazer as coisas. Uma hora todo mundo vai ter que voltar a ir no mercado, no cinema, em eventos. Vai ter que acontecer", destacou.

"Também acho que o UFC está sendo muito responsável quando se fala em manter todo mundo seguro. Tanto que o Jacaré comunicou o UFC que talvez tivesse com o vírus e o UFC afastou ele de todo mundo e ninguém teve contato. Está todo mundo sendo testado, sendo cuidado, fazendo o que tem que fazer. Acho que o ser humano não foi feito para ficar em casa, uma hora vai ter que sair. Então eu fico feliz de estar sendo uma das primeiras a voltar ao octógono, mas ressaltando sempre que me mantendo muito segura."

Como está sendo a preparação?

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1:56

Claudinha Gadelha fala sobre preparação durante distanciamento social: 'Me preparo 365 dias por ano'

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br

"Então, a gente tá vivendo um tempo muito louco, né? Essa pandemia está mudando muita coisa no mundo. Quando começou a fechar tudo eu tava aqui em New Jersey treinando para minha luta que seria 2 de maio com a Marina Rodrigues e as academias começaram a fechar. Meio que bateu um desespero em mim porque eu moro em Las Vegas, mas faço camp em New Jersey então venho para cá seis semanas antes da minha luta. Meio que já construí uma vidinha aqui, já tem um ano que eu tô vindo pra cá nos momentos de camp, então já tava com projeto de construir uma academia na minha casa, então quando eu vi tudo fechando eu já tinha os materiais aqui e dei um gás no projeto e agora tenho a academia em casa", relatou.

"A Sijara Eubanks, que é lutadora do UFC e lutou na quarta-feira, mudou aqui para a minha casa e a gente ficou treinando junto esse tempo inteiro. Eu tento ser muito consistente com meus treinos, com dieta, me manter sempre motivada. Não sou aquela atleta que quando tá em camp é 100% e quando não tá não faz nada. Tô sempre tentando manter meu corpo em forma, comendo bem, então com a Sijara aqui e com a academia consegui dar continuidade a isso."

Como manter a cabeça no lugar durante a pandemia?

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2:18

Claudinha Gadelha compara vida com jogo de videogame e diz que 'é preciso ter habilidade para se adaptar'

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br

"Acho que a vida é um jogo de videogame, um jogo de fases em que você começa de um jogo mais fácil e vai ficando mais difícil até você chegar num desafio e depois do desafio você só troca de mundo. Mas vai sempre ficar dessa maneira, são altos e baixos. A gente precisa ter habilidade para se adaptar a esses mundos. Eu me preparei a vida inteira para lidar com público, agora não vou ter público na minha luta. A vida inteira treinei em tatame no Brasil, aqui nos Estados Unidos eu comecei a treinar no octógono. Agora aconteceu o que aconteceu e a gente naõ tem octógono para treinar, tem que ser no tatame de novo. Estou sempre tentando me adaptar ao ambiente e eu sou uma pessoa muito espiritualizada, gosto muito de cuidar da minha cabeça. Acho que isso é mais um estilo de vida do que me preparar para uma luta específica. Prefiro manter a minha sanidade me mantendo mentalmente preparada o ano inteiro."

Como vai ser lutar sem público?

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2:09

Claudinha Gadelha antecipa como será lutar sem público: 'Pressão vai diminuir'

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br

"Comecei em eventos muito pequenos no Brasil. Tinha 18 anos quando fiz minha primeira luta, 13 anos atrás e também fui treinadora do TUF, então eu tava no corner dos treinadores quando a gente não tinha público, então acho que vai ser a mesma coisa. Eu treinei a vida inteira para lidar com a pressão do público e agora não vai ter pressão do público, então acredito que o foco vai ficar numa coisa só que é a luta. A gente faz esses treinos na academia, sempre tem aqueles parceiros da academia que a gente sabe que é de verdade, quando é treino com ele é uma luta de verdade. Vai ser meio que a mesma coisa, a gente só vai escutar os treinadores, não tem ninguém torcendo. Então vai ser mais ou menos um treino e essa pressão diminui bastante, de ter que se esforçar para ouvir o que seu treinador está falando. De ter que levar a luta para seu corner e ouvir o que seu treinador está falando. Essa pressão vai diminuir."

Dana White prometeu algo a mais por lutar em meio à pandemia?

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2:24

Claudinha Gadelha elogia Dana White por condução do UFC durante pandemia: 'É o lado humano da organização'

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br

"Muita gente fala mil coisas do Dana, mas o lado humano do UFC vem dele. Ele é um cara fantástico, tiro o chapéu pelo padrão que ele é, pela pessoa que ele é. Moro em Vegas, então estou sempre vendo o Dana, sou muito feliz de estar sempre no Instituto de Performance do UFC e de estar próximo da organização, mas acredito que eu tenho que trabalhar para conseguir as coisas que eu quero. Não espero que me deem nada de mão beijada. Eu trabalho pelas minhas oportunidades. Com certeza o Dana tá respeitando todos os atletas que fazem parte dessa semana de luta, mas nem passou pela minha cabeça a oportunidade de isso me dar uma oportunidade maior no UFC."

Vencer a Hill te coloca em uma posição alta na categoria?

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2:28

Claudinha Gadelha acha que vencer Hill não a coloca de volta no topo: 'Preciso lutar com melhores rankeadas'

Lutadora falou com exclusividade para o ESPN.com.br

"Eu sempre estive no topo da categoria. Desde que a categoria começou no UFC, a primeira luta peso-palha do UFC fui eu que fiz. Estou nessa jornada há 14 anos, sou pioneira no esporte e fui por muito tempo nº 1 do ranking e acredito que todas as grandes transições da minha vida me trouxeram derrotas pelas quais aprendi muito. Acredito que estou em um ótimo momento da minha vida, com bons treinadores, ótimos parceiros de treino, estou muito feliz na minha vida pessoal, o que não se separa. Não se separa o atleta da pessoa e eu acredito que a gente precisa estar feliz para performar bem. Infelizmente não estou lutando com adversária rankeada, acho que a Angela é número 14. No meio de tudo isso que está acontecendo, eu me dispus a lutar, ela se dispôs a lutar e a diferença de ranking é bem alta. Queria muito estar lutando com uma top 10, até top 5, mas foi a oportunidade que apareceu, então não tem muito o que fazer. A Angela é uma menina que tem nome, tem muita experiência, já lutou contra todo mundo, está aí sempre tapando buraco, sempre fazendo o que tem que ser feito. Até agradeço ela por ter aceitado o desafio, mas eu não acredito que uma vitória contra ela me leve de novo para o topo. Preciso lutar com meninas mais rankeadas."