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UFC: promessa do Brasil, Amanda Ribas abre o jogo: sonhos, superstições, preconceitos e exemplo de Ronda

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Só bonita? Amanda Ribas explica como Ronda Rousey mudou o MMA e explica seu 'combo' para o UFC (1:48)

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil (1:48)

Amanda Ribas chegou como um furação no UFC. Esbanjando carisma, ela venceu as três lutas que fez, conquistou o público e já saltou para o 15º lugar da disputada categoria dos pesos palha.

E ela abriu o jogo em conversa com o ESPN.com.br. Falou dos sonhos, das superstições, dos preconceitos que enfrentou, de como já nasceu dentro do mundo das lutas e muito mais!

Profissão (e vida) lutadora

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1:56

Amanda Ribas conta que nasceu dentro dos tatames, admite que quase desisiu de tudo e revela ponto de virada

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"Nem me lembro como entraram o jiu-jitsu e o muay-thai na minha vida. Quando eu era bem neném, meus pais moravam na academia. A luva era meu travesseiro e o cobertor era meu kimono. Estar na academia é estar na minha casa.

Eu descobri que queria mesmo ser lutadora após o MMA amador. Até então, estava no judô e queria muito ser atleta olímpica, mas eu machuquei muito. E foi uma decepção muito grande para mim. Quis voltar para casa, não queria mais saber de esporte. Mas graças a Deus minha família me deu todo o suporte. E veio aquele friozinho na barriga, classifiquei para a seletiva e ganhei o mundial de MMA amador. E, quando ganhei, soube que era isso que eu queria fazer.

Nossa profissão de atleta é complicada, não tem retorno financeiro no começo. Muita gente só vê o lado bom, mas dinheiro não tem no começo, não. Ainda bem que tive esse suporte para chegar onde estou chegando".

Preconceitos

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1:59

Amanda Ribas fala de preconceitos com mulher lutando e revela que chegou a parar por medo de 'ficar parecendo homem'

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"Quando eu era mais nova, eu fazia jiu-jitsu. Estava treinando muito, me dedicando bastante. Só que eu comecei a ficar mais fortinha. Tinha pessoas dentro da academia e na escola que ficava falando: ‘Credo, vai ficar parecendo um homem’. E teve uma época que eu parei de treinar e fiquei fazendo só dança. Mas veio o friozinho na barriga. Quando a gente ama alguma coisa, sempre volta. Mas quando é mais novo, ainda mais nessa fase de transição, a cabeça fica mais influenciável. Eu fiquei com medo! Mas tendo uma imagem, um exemplo de quem posso ser... Isso é muito importante! Por isso que quero ser exemplo.

Eu vejo muito isso de julgar pela aparência. Não tanto de ser bonita tipo a Ronda. Mas de ser um pouco mais fechada, reservada. Querendo ou não, quando a gente amarra o cabelo, a gente fica mais masculinizada. Muita gente julga que lutadora de MMA é homossexual ou brava, ignorante. É muito feio, mas muita gente julga isso.

Acho que o MMA está em um ponto muito legal. Na época que meu pai lutava vale-tudo, todo mundo achava que era brigador de rua. Hoje a gente é visto como estrelinhas mesmo. Mas sempre tem como melhorar. Nossas arenas têm pontos a serem melhorados, poderia passar mais em TV aberta... Mas estou adorando o nível que a gente está chegando".

Exemplo de Ronda Rousey

"Eu acho que no UFC valorizam quem sabe vender. Não é só uma empresa de esporte, visa lucro. Para que vão ajudar um atleta a crescer se ele não vai dar lucro? Para ser atleta do UFC, tem que ser um conjunto: saber lutar, saber vender e saber falar. Por isso que estou melhorando o meu inglês, para vender aqui e lá!

A Ronda soube vender muito bem a imagem dela, soube ser exemplo tanto para meninas quanto para meninos. Depois dela, muita gente começou a aprender como falar. Não só com ela, mas começaram a desenvolver mais essa fala com o público".

Falar inglês

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0:42

Amanda Ribas explica importância do inglês: 'Se quero conquistar o mundo, preciso saber falar com ele'

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"O inglês é a língua mais falada do mundo. Então se eu quero conquistar o mundo, tenho que saber como falar com ele! Tenho que saber falar meu inglês. Aí depois que eu estiver fluente, venho com meu espanhol, japonês..."

Próximos passos

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1:25

Amanda Ribas 'escolhe' próxima rival e diz quantas lutas ainda acha que precisa antes do cinturão

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"Até já pedi minha luta contra a Paige (VanZant). Mas também estou de olho na luta da Carla Esparza com a Michele Waterson. Acho que vai ser bem parelha, um lutão. Quero lutar com uma delas, são atletas completas. E vai me puxar no ranking né?

Se o UFC quiser, eu vou amanhã lutar pelo cinturão! Mas tem que colocar os pés no chão, fiz só três lutas. Mais umas duas ou três, acho que estaria psicologicamente preparada. Fazer um card principal, uma luta principal, tem que ter uma cabeça muito boa."

A vida na quarentena

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1:27

Amanda Ribas brinca que virou pintora e cozinheira em quarentena: 'Só aumentando minhas bochechas'

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"No momento estou aumentando as minhas bochechas, que não estão pequenas! Mas graças a Deus meu pai foi professor de muay thai, dá para fazer aparador com ele, minha irmãzinha treina jiu jitsu, é faixa azul... Então estou bem nessa parte. Lógico que sinto falta de sparing e tudo, mas dá para treinar. Como lutei há pouco tempo, sempre deixo salvo umas receitas no Instagram. Nunca faço, mas agora estou fazendo! Isso explica minhas bochechas.

Bonito, bonito, não fica. Não é padrão MasterChef, mas dá para comer.

Aprendi a pintar também, estou pintando uns quadrinhos para relaxar a cabeça."

Superstições

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2:05

Músicas, orações, coque e até Nutella! Amanda Ribas conta suas superstições antes de uma luta

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"Eu sou muito cristã, acredito muito em Deus. Então sempre rezo, gosto de escutar minhas músicas. E tenho que comer minha Nutella! Antes de entrar na banheira para tirar o meu último peso, pego uma colheirona de Nutella e mando para dentro. No dia da luta, sempre choro no treino da manhã. Se não chorar tem alguma coisa errada. Aí junta todo mundo, faz uma oração bem boa. E de noite a moça faz meu cabelo e fico com rabo. Aí quando faço meu coque, eu me transformo!"

Sonhos

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2:36

Amanda Ribas revela choro ao ser reconhecida por crianças e diz querer ser muito mais que 'apenas' campeã do UFC

Lutadora do Peso Palha do UFC deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil

"Parece até frase batida, mas eu quero ser um exemplo de atleta. Quero que as crianças olhem para mim e queiram ser iguais a mim. Quero mostrar que não importa onde você está. Ao invés de se espelhar em um traficante, pode se espelhar em mim. Estou treinando do lado da casa deles e estou conseguindo conquistar o mundo. Quero mostrar que não pode ligar para onde a gente está, para o que os outros falam. Temos que ligar para os nossos sonhos.

Eu realmente quero ter um projeto muito bom. Mas não só para ter crianças e pegar dinheiro do governo. Mas para ter professores bons, felizes, realmente mudando a vida de crianças. Esporte não é só para fazer atleta profissional, é para tirar da rua, dar disciplina."