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Rafaela Silva chora, reafirma defesa sobre doping e desabafa a TV: 'Nem eu ia imaginar que pegar uma bebê de meses no colo ia me dopar'

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Rafaela Silva explica como pode ter testado positivo no exame antidoping (2:43)

Após exame realizado no Pan, a judoca testou positivo para a substância fenoterol (2:43)

Rafaela Silva, medalha de ouro no judô na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, reforçou o que disse na sexta-feira sobre sua defesa para o flagra no exame antidoping, no qual foi pega por uso de fenaterol, substância que tem efeito broncodilatador.

A atleta de 27 anos chorou, rebateu as críticas à sua defesa de que a contaminação deve ter acontecido em contato com a bebê Lara, de sete meses e filha de outra judoca que também treina no Instituto Reação, e desabafou.

"Muita gente acha que é mentira, mas depois que for provada minha inocência e que colocarem as imagens nas redes sociais e nas matérias, o pessoal vai entender e vai parar de criticar um pouco", disse à TV Globo, em entrevista exclusiva para o programa Esporte Espetacular que foi ao ar neste domingo (22).

"Nem eu ia imaginar que pegar uma bebê de meses no colo ia me dopar e colocar uma substância dentro do meu corpo e eu ia estar passando por esse momento agora", seguiu.

Rafaela Silva foi pega no teste feito durante o Mundial de judô, disputado entre 25 de agosto e 1º de setembro deste ano e no qual ela ganhou uma das três medalhas de bronze que o Brasil conseguiu - na categoria até 57kg.

Quem joga pedra hoje vai aplaudir na Olimpíada

"Falei para minha coach hoje [Nell Salgado] que as mesmas pessoas que me criticaram em Londres 2012 foram as mesmas que me aplaudiram no Rio em 2016, então, tem muita gente que vai me criticar hoje, que vai jogar pedra, porque acha que o telhado dele não é de vidro...", afirmou à reportagem.

"... Mas depois que virem que eu provei minha inocência, que eu for liberada para participar da Olimpíada de Tóquio 2020 conseguindo uma medalha, possivelmente essas pessoas irão me aplaudir também. Então estou focada na minha audiência, esperando resultado, treinando e competindo", continuou.

Na sexta, na coletiva após a revelação do caso, a atleta disse: “Sempre dou o nariz para as crianças ficarem chupando (...) Como o Cameron [bioquímico] me explicou, conforme a criança chupa meu nariz, eu vou inalando as substâncias das crianças no meu corpo.”

Segundo o advogado Bichara Neto, que defende Rafaela Silva no caso, a PaNam Sports organizadora do Pan-Americano disputado em agosto em Lima, no Peru, deve anunciar na próxima semana uma decisão sobre a medalha de ouro ganha pela atleta, também na categoria até 57kg.

Um eventual processo que pode resultar em punição que vai de advertência a 2 anos de suspensão sequer foi aberto pela Federação Internacional de Judô (IFJ, na sigla em inglês).

Neto explicou que como a substância fenaterol é exógena, ou seja, não produzida pelo organismo, a quantidade que estava no corpo da judoca não é relevante e que, assim, "a tese da contaminação pela criança é possível e verdadeira".