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Judoca Beatriz Souza tem resultados, terapia e técnica 'parceira' como pilares para estreia em Olimpíadas: 'É tudo por um dia'

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Beatriz Souza, do judô, detalha expectativa para as Olimpíadas: 'Será o momento mais imporatente da minha vida' (2:07)

Judoca de 25 anos concedeu uma entrevista exclusiva para a ESPN (2:07)

Depois de muitas lutas e quedas, a judoca Beatriz Souza finalmente atingiu um dos seus grandes objetivos: disputar as Olimpíadas de Paris, marcadas para julho deste ano. A paulista de 25 anos foi convocada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) na última semana e garantiu sua vaga na categoria acima de 78 kg, a mais pesada no feminino.

Bia Souza, que defende o Esporte Clube Pinheiros, vai para sua primeira participação em Jogos Olímpicos com a responsabilidade de ser uma das principais de medalha de uma das modalidades mais vitoriosas do Brasil na história das Olimpíadas com 24 pódio e que ex-atletas no comando do Comitê Olímpico do Brasil (COB), como o presidente Paulo Wanderley e o diretor geral Rogério Sampaio, campeão olímpico em 1992.

"O judô sempre tem aquela responsabilidade de trazer uma medalha, e a comissão tenta não passar muito isso para os atletas, mas às vezes acaba passando resquícios ali ou não. Mas já basta a responsabilidade que a gente tem com nós mesmos de trazer resultados e fazer todo esse esforço valer a pena ali no final."

"Isso que é o que gera a medalha para o Brasil. Essa cobrança que nós, atletas, temos com nós mesmos. Isso dá aquele upsinho na pressão de que agora esse é o momento de trazer a medalha.", completou Beatriz Souza em entrevista exclusiva para a ESPN.

Para alcançar a tão sonhada vaga olímpica, a judoca que ocupa a 5ª posição do ranking mundial de sua categoria recorreu a uma velha conhecida e ex-companheira de treino para ser sua técnica nos últimos meses.

"Eu e a Sussu (Maria Suelen Altheman) temos uma parceria desde antes mesmo, quando ela estava ali lutando. A gente já era parceira. Então, aproveitando que ela saiu, ela já entrou como técnica. É uma questão de realidade porque ela enfrentou as meninas que eu enfrento ainda, então é tudo recente. Então, ainda tem aquela vivência e pegada ainda de enxergar, de conseguir enxergar tudo da luta. Assim, ela pode trazer a experiência que teve com a própria menina que eu vou enfrentar. Então, é uma troca muito simples e genuína, além de ser muito bacana."

Em 2023, Maria Suelen Altheman se aposentou aos 34 anos após disputar três edições de Jogos Olímpicos (Londres-2012, Rio-2016 e Tóquio-2020) e conquistar três medalhas individuais em Mundiais, todas na categoria acima de 78 kg, além de outras 4 conquistas por equipes. Sussu, como é carinhosamente chamada, acabou tendo uma ruptura completa do tendão patelar do joelho esquerdo durante as quartas de final no Japão em 2021.

Em Paris 2024, o judô será disputado na Champ de Mars Arena (Arena do Campo de Marte) e cada país pode ter no máximo um representante em cada categoria. Bia Souza vai competir apenas no dia 2 de agosto, reservado para as categorias mais pesadas, e, provavelmente, no dia 3, quando estão marcadas as disputas por equipes, que o Brasil também está garantido.

"Como dizem, é tudo por um dia. Ali vai ser o momento mais importante da minha vida, pelo menos da minha carreira. Nunca fui para uma Olimpíada, então vou fazer minha estreia. É emocionante, contudo, mais eu estou fazendo um trabalho mental magnífico para isso, para não ter nada que me atrapalhe, nem nervosismo e nem nada."

A judoca detalhou como está passando por uma transformação dentro e fora dos tatames graças a esse trabalho mental.

"Desde que eu comecei a fazer o meu tratamento, a ter esse cuidado com a minha parte psicológica e eu me transformei. Não só como atleta, mas como pessoa, como filha, como namorada, como irmã e com a sociedade mesmo em si. Então, é de extrema importância, eu não acho que só os atletas têm que procurar, todo mundo deve sim pedir ajuda."

"Não é feio pedir ajuda e, muito pelo contrário, só mostra o quanto você é mais forte e que você quer enfrentar e achar uma solução para o problema. Então, antigamente, tinha muito de parecer fraco, só que não. É um pilar que você tem que construir. Você tem que manter aquilo em dia. Tanto na questão física e na mental, em como lidar com as pessoas e com a família. Para a gente lidar com a pressão no dia a dia, a cobrança, o stress e as lesões, enfim."

Com essa preração mental, Bia Souza, que já foi vice-campeã mundial em 2022 e medalha de ouro no Grand Slam de Baku no ano passado, tem uma estratégia preparada para Paris.

"Vou encarar as Olimpíadas como uma competição normal, pra não ter muita pressão ali. Mas é pelo trabalho que eu venho fazendo no meu dia a dia, eu creio que vou fazer uma boa performance."

*O repórter viajou a convite da Petrobras