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O dia em Koeman liberou farra com caipirinhas e escola de samba: 'Teve jogador que voltou carregado'

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Neto fala sobre adaptação do elenco do Barcelona a Koeman: 'A gente põe em prática o que ele pede' (1:08)

Com Ter Stegen lesionado, o goleiro brasileiro será titular contra o Ferencváros nesta terça-feira (1:08)

No próximo sábado (24), o mundo do futebol vai parar para assistir a Barcelona x Real Madrid, clássico por LaLiga que a ESPN Brasil e o ESPN App mostram com exclusividade, ao vivo, a partir das 11h (de Brasília).

Para vencer seu maior rival, o Barça conta com a expertise tática do técnico Ronald Koeman, contratado para esta temporada para ser um líder do vestiário, capaz de elevar novamente a autoestima do elenco blaugrana.

E quem conhece Koeman de longa data garante: ele sabe como poucos motivar os atletas, tanto dentro quanto fora de campo.

É o caso do ex-atacante Wamberto, que jogou por muitos anos no Ajax e foi comandado pelo atual treinador do Barcelona entre 2001 e 2004 na equipe holandesa.

Em entrevista à ESPN, o brasileiro recordou um dos episódios em que Koeman usou de "jogo mental" para incentivá-lo em campo.

"Ele era muito de conversar com os brasileiros, falava sempre em espanhol comigo e com o (lateral-esquerdo) Maxwell, que era muito jovem e tinha chegado há pouco tempo da Holanda. O Koeman adorava contar sobre o tempo que jogou no Dream Team do Barcelona com Romário e Stoichkov", recordou.

"No final da temporada 2001/02, a gente tinha vencido o Campeonato Holandês e ia jogar a final da Copa da Holanda contra o Utrecht. Eu vinha atuando como titular. Passamos a semana toda quase sem trabalhar, e, na semana seguinte, treinamos só dois dias e fomos para o jogo", contou.

"Quando chegamos para o jogo, ele me colocou no banco. Fiquei bem chateado no dia. A gente estava perdendo por 2 a 1 na metade do 2º tempo e ele me mandou aquecer. Eu fui fazer meu alongamento e tinha muita fé em Deus. Entrei faltando uns 20 minutos, lembro que o estádio estava lotado", seguiu.

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1:08

Neto fala sobre adaptação do elenco do Barcelona a Koeman: 'A gente põe em prática o que ele pede'

Com Ter Stegen lesionado, o goleiro brasileiro será titular contra o Ferencváros nesta terça-feira

"Na hora, falei pro Maxwell: 'Pode dar a bola em mim que eu vou fazer a diferença'. Os adversários já estavam até fazendo a festa do título. Aos 45 do 2º tempo, eu fiz o gol de empate. Depois, na prorrogação, eu dei a assistência para o Ibrahimovic fazer o gol da vitória por 3 a 2, e a gente foi campeão!", exaltou.

"Acabou o jogo e foi aquela festa, porque foi um título muito emocionante. No meio da confusão, o Koeman me abraçou e disse: 'Wamberto, eu sabia que você não precisava de 90 minutos para decidir o jogo'. Eu dei risada e respondi: 'Pô, professor! Eu confio em Deus, mas assim também é demais (risos)! O senhor quase me matou do coração (risos)!'", gargalhou.

"No fim das contas, eu sabia que o Koeman tinha me colocado no banco para me motivar. E deu certo!", sentenciou.

Sobre a personalidade do treinador, Wamberto afirma que, apesar da cara de bravo, o holandês é extremamente simpático.

"É um cara muito tranquilo, bem família. Tem um coração enorme e é uma pessoa top. Quando você vê aquela cara fechada dele, acha que é bravo, mas não é. É parecido com o (Louis) Van Gaal. Parece bravo, mas, quando você o conhece melhor, é uma pessoa nota 10", elogiou.

"Nos jogos, lembro que o Koeman era de gritar bastante na beira do campo, dava pra ouvir mesmo com o estádio cheio (risos). E era engraçado que ele ficava 'bronzeado' mesmo sem pegar sol, de tão branco que ele é (risos)", sorriu.

"Além disso, ele adorava jogar com a gente nos treinos. Ele mostrava para os batedores de falta como pegar bem na bola, que era a especialidade dele nos tempos de jogador, e todo mundo observava com muita atenção. O cara tem muita técnica. A gente joga junto no Ajax Legends e ele sempre dá show", rememorou.

A FARRA EM PORTUGAL

Na conversa com a reportagem, Wamberto também lembrou uma divertida história que mostra que Koeman pode até ser linha-dura em alguns momentos, mas também sabe aproveitar as coisas boas da vida.

A anedota aconteceu durante uma das pausas de inverno do Campeonato Holandês, quando a delegação do Ajax foi para Portugal fazer uma intertemporada antes de retornar à disputa da liga local.

"Teve um dia que a gente treinou até cair de cansaço, e eu pensei: 'Será que o Koeman não vai dar um diazinho de folga pra gente?'. Tinha uma churrascaria brasileira muito boa na cidade em que a gente estava, e eu e o Maxwell pedimos para ele para dar uma liberação pra gente jantar lá. Ele falou: 'Não, vocês já tiveram férias suficientes e agora vão treinar direto todos os dias em dois períodos'", relatou.

"A gente achou que tinha se dado mal, mas aí abrandou o coração dele e, numa sexta-feira, ele juntou o grupo e falou: 'Vamos todos juntos pra churrascaria!'. Ele liberou geral! Teve jogador que extrapolou e voltou carregado para o hotel (risos)", brincou.

Na churrascaria, o técnico permitiu até mesmo bebidas alcoólicas, e ainda fez questão de levar uma bateria de escola de samba para animar os atletas.

"Ele liberou mais de 100 caipirinhas, e o povo se empolgou (risos)! Ainda levou uma escola de samba para dentro do restaurante, com dançarinas e tudo. Foi muito legal, ainda mais para os jogadores de outros países, que nunca tinham visto isso", lembrou.

"Lembro que, no dia seguinte, todo mundo feio agradecer eu e o Maxwell, dizendo que a gente tinha feito tudo aquilo, mas nós falamos: 'Quem fez essa foi o Koeman!'. Eu acho que aquele grupo gostou tanto que até hoje os caras devem frequentar restaurantes brasileiros", afirmou.

"Foi mais uma vez que a estratégia de motivação dele deu certo. Depois disso, todo mundo ficou tão feliz que trabalhamos com mais vontade ainda", argumentou.

Além disso, Koeman também gosta de manter seus ex-comandados próximos até hoje, formando uma verdadeira "família".

"Todo ano fazemos uma turnê com o Ajax Legends na Bélgica e na Holanda. O Koeman faz uma festança na cidade dele e convida todos os ex-jogadores dele", revelou.

"É por isso que eu digo que ele foi um dos maiores treinadores com quem trabalhei. O cara sabia gerir o grupo e puxava todos os problemas para ele. Por isso, a gente trabalhava ao máximo para ele, mesmo nos dias mais difíceis", salientou.

"Ele cria uma verdadeira família no elenco. Sempre chamava os jogadores para conversar, saber se estava tudo bem. Tentava também fazer reuniões e jantares para conhecer nossas famílias e se aproximar de todos. Por isso, o ambiente com ele sempre era muito bom", finalizou.