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Copa do Nordeste: Klaus, herói do Ceará contra o Fortaleza, trancou faculdade para brilhar no futebol

Reportagem publicada dia 05/08/2017


Autor do gol que levou o Ceará à final da Copa do Nordeste, com a vitória por 1 a 0 sobre o arquirrival Fortaleza, o zagueiro Klaus é bom com os números. Prova disso, é que ele cursava até o fim de 2016 a faculdade de engenharia civil na Universidade de Caxias do Sul.

Filho de uma professora de matemática e um engenheiro civil, o zagueiro teve desde cedo o interesse na área de exatas.

"Acho que saí de fábrica com essa facilidade (risos). Sempre gostei de estudar e era um bom aluno no colégio", garantiu, ao ESPN.com.br.

"Gostava também de desenhar, de projetar. Sou muito curioso para o funcionamento das coisas. E a engenharia caiu bem pra mim. Sou bom no negócio. E ainda me puxo bastante, gosto mesmo. Eu só perdi o láureo acadêmico ano passado por causa de faltas. Tive vários jogos da Copa do Brasil de quarta-feira", contou.

O defensor sofria com as matérias de cálculo, pesadelo da maioria dos estudantes de engenharia.

"São cinco cadeiras básicas só de cálculo. Ao menos já passei por todas elas (risos). As provas eram sempre complicadas e para mim era mais difícil porque nem sempre ia às aulas. Precisava estudar sozinho em casa, e fazer as provas depois", falou.

Por ser um aluno dedicado, Klaus recebia ajuda dos colegas de sala e da maioria dos professores.

"Eles gostavam de mim porque fazia tudo o que pediam e tirava boas notas. Um semestre fiquei tomando bronca por chegar atrasado todo dia na aula. Até que no fim do semestre o professor ficou sabendo que eu jogava. Ele disse que estava arrependido de ter me xingado, que estava mesmo orgulhoso de eu me esforçar tanto pra ir na aula ainda", lembrou.

O zagueiro tinha dificuldade em permanecer acordado após um dia intenso de desgaste físico.

"Sempre falava aos professores: ‘Nem sempre vou vir, às vezes vou chegar atrasado, mas eu estou tentando. Se puderem me ajudar, eu agradeço’. Era complicado chegar do treino com as pernas inchadas, cansado, e ficar sentado das 19h30 às 22h30 vendo números", recordou.

Entre os colegas de turma, o defensor fazia sucesso e recebia até convites para bater uma bola na faculdade.

"O pessoal sempre pedia para eu jogar nos interclasses (risos). Eles me pediam ingressos para os jogos e camisetas. Sem contar a corneta também, né? (risos). Falavam da jogada feia ou reclamavam se a gente ganhava do time que eles torcem. Mas tudo na brincadeira", afirmou.

No começo de 2017, após ser contratado pelo Internacional, Klaus trancou a faculdadade de engenharia civil faltando dois anos para se formar.

Do Sul para o Ceará

Natural da cidade de Dois Irmãos-RS, Klaus começou em escolinhas e passou pelo Novo Hamburgo antes de chegar aos juvenis do Internacional, em 2011. O zagueiro jogou ao lado de Rodrigo Dourado, Cláudio Winck, William e Gefferson.

No ano seguinte, com o fim de contrato, ele foi para o Grêmio e começou a fazer faculdade de engenharia na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Por falta de espaço para subir aos profissionais, o jovem se transferiu ao Juventude, em 2014.

Depois de ajudar o Inter a subir para a Série A do Brasileiro em 2017, ele perdeu espaço na equipe colorada.

Neste ano, ele foi cedido ao Ceará, no qual virou titular.