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Ex-Vasco vendia lanches com a avó e só virou jogador aos 18; hoje, sonha em eliminar o Palmeiras no Paulistão

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O gol mais bonito que Marcos já levou na carreira: relembre a pintura em Santo André x Palmeiras (0:11)

Goleiro contou ao ESPN.com.br que o chutaço de Osmar foi o maior golaço que ele já sofreu (0:11)

O Brasil está cheio de histórias de jogadores que persistem no sonho de ganhar a vida chutando bola, mas, no caso de Marlon, quem correu atrás do jogador foi o próprio futebol. O lateral-esquerdo do Santo André, que enfrenta o Palmeiras em jogo único pelas quartas de final do Paulistão, nesta quarta-feira, começou a carreira de maneira bem peculiar.

Antes de ser profissional, ele trabalhou por quatro anos vendendo lanches com a avó em frente a uma fábrica de cervejas.

“Até meus 18 anos de idade, não gostava de futebol. Meu professor de educação física me convidou para participar dos jogos escolares, mas falei que futebol não era para mim. Aí ele conversou comigo e me convenceu. Então, participei e parei de jogar depois do torneio”, contou o jogador ao ESPN.com.br.

Aos 21 anos, ele foi convidado para uma seletiva no Pinheirense-PA e entrou para a equipe. Depois, foi chamado para um teste na Tuna Luso-PA pelo técnico da equipe. No entanto, ao descobrir que a peneira era sub-20, pensou mais uma vez: “O futebol não é para mim”.

De volta ao Pinheirense-PA, o mesmo técnico da Tuna o convidou para um teste no time principal. Marlon foi aprovado e assinou o primeiro contrato profissional.

“As coisas aconteceram tão rápido que apareceu um belga, chamado Hugo, que me levou para a Bélgica. Chegando lá, não entendi nada e pedi para vir embora. Quando voltei, pensei: ‘Agora futebol acabou para mim’”.

“Mas, do nada, esse belga fechou uma parceria com o Remo, em 2008, e mandou que eu fosse fazer um teste lá. Acabei passando, daí comecei minha carreira”.

Marlon, então, parou de vender lanches e passou a se dedicar somente ao esporte.

Acesso pelo Vasco

Após atuar por clubes como Remo, Vila Nova e Novo Hamburgo, o lateral atuou por dois anos no Criciúma e foi um dos principais nomes do clube catarinense. Depois de ser sondado pelo Palmeiras, foi parar no Vasco, clube do coração de seu pai, que jogava a Série B do Brasileiro.

"Minha passagem pelo Vasco foi muito boa. O nosso objetivo era levar o time de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Tivemos um pouco de dificuldade e, por se tratar de um clube grande, fomos cobrados por não termos conquistado o título. Mas a minha felicidade foi muito grande por fazer parte daquele elenco que levou o Vasco de volta à elite do futebol brasileiro", afirmou.

Depois de atuar uma temporada no time carioca, ele rodou por Bahia, Capivariano, Brasil de Pelotas, Águia de Marabá, até chegar ao Santo André por um convite do técnico Paulo Roberto.

"Fiquei muito contente e não pensei duas vezes. Vi os jogadores que estavam aqui e conhecia alguns deles. O elenco tinha muita qualidade. Quando cheguei ao clube, fui muito bem recebido por todos e isso ajudou na minha rápida adaptação", contou.

Mesmo com as dificuldades - o Santo André perdeu 10 jogadores durante a pandemia-, Marlon acredita que o time poderá chegar ainda mais longe.

"O Paulistão é o campeonato estadual mais difícil do Brasil e, mesmo assim, conseguimos conquistar os objetivos do clube e nos classificar para as quartas de final. Isso tem que ser muito valorizado”.

“Perdemos alguns jogadores importantes durante a pandemia, mas procuramos deixar os jogadores que chegaram bem à vontade. Agora, estamos completamente focados na partida contra o Palmeiras para que a gente continue surpreendendo", finalizou.