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Morte de técnico, surgimento de Aguero e 'azul só no céu': a desconhecida passagem de Sérgio Manoel no Independiente

Revelado no Santos e campeão brasileiro pelo Botafogo em 1995, Sérgio Manoel foi um dos poucos brasileiros a atuar no futebol argentino nas últimas décadas.

Depois de passar pelo Cruzeiro e se destacar pelo Figueirense no Brasileirão de 2004, o meia foi convidado pelo técnico José Omar Pastoriza para jogar no Independiente-ARG, maior campeão da história da Copa Libertadores, com sete títulos.

“Eu sempre fui movido por desafios. O futebol argentino era muito diferente em relação ao brasileiro. Eu tive que fazer dois meses de musculação para aguentar o ritmo de jogo deles, que é muito no corpo a corpo”, disse, ao ESPN.com.br.

Em Avellaneda, ele viu de perto a enorme rivalidade com o Racing.

“Eles falavam para gente que não podia usar nada na cor do rival. Aqui, azul é só o céu e olhe lá (risos)”, contou.

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Argentina 2004 "el rojo de Avejaneda!!

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O técnico faleceu de ataque cardíaco apenas três semanas depois que o brasileiro chegou. Com a chegada de Julio César Falcioni, ele perdeu espaço no time.

“Era um time de muita expectativa, mas a chegada do outro treinador não foi abraçado pelo grupo porque todo gostavam do outro treinador. O grupo se dividiu e não deu liga” explicou.

Para piorar, Sérgio sofreu com a morte do jovem goleiro Luca Molina, de 21 anos.

“Em seis meses, eu perdi o treinador que eu tinha moral e o meu melhor amigo no elenco, que ia de carona todos os dias para os treinos. Ele estava sendo preparado para substituir o Navarro Montoya, que tinha uma história gigantesca no futebol argentino”, lamentou.

Aliás, o ídolo do Boca Juniors, que jogava à época no Independiente foi um dos jogadores que mais impressionou o brasileiro.

“O Montoya era o capitão do time e sabia se impôr como líder positivo. Era um cara que tinha uma noção de leis e dos assuntos extracampo fora de série”.

Além disso, ele viu o nascimento de Sérgio Aguero, um jovem com apenas 17 anos que tinha acabado de subir aos profissionais.

“Já dava para ver que era muito diferenciado dos demais”.

Com apenas cinco jogos pelo time de Avellaneda, Sérgio Manoel resolveu rescindir o contrato e voltar ao Brasil.

“O Navarro Montoya e o Turu Flores fizeram de tudo para que eu ficasse, mas eu não quis. Eu não tinha mais ambiente e não conseguia defender a camisa como tinha feito em outros lugares. Estava envergonhado de ficar tanto tempo na reserva. Eu não queria ficar somente pelo dinheiro”, desabafou.

Apesar de não ter conseguido jogar como gostaria, Sérgio Manoel traz boas lembranças da Argentina.

“Essa passagem serviu para acabar com o preconceito que eu tinha em relação aos argentinos. Quando fui para lá eu pude entender como eles pensam e enxergam o futebol”, contou.

“Fui muito bem tratado pelos jogadores. Eles são muito mais unidos do que no Brasil. Se um jogador está com salários atrasados, eles não treinam e o sindicato para. É muito bacana isso”, elogiou.