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Ex-Vasco que virou ídolo e artilheiro na Tailândia revela: 'Quase acertei com o Corinthians em 2017'

Um dos maiores artilheiros da história da Liga Tailandesa, com 123 gols marcados, Heberty teve poucas chances no futebol brasileiro antes de conseguir sucesso e virar ídolo na Ásia. A comemoração que o brasileiro faz como Pantera Negra virou febre entre os torcedores tailandeses.

O atacante começou a jogar em escolinhas na zona leste de São Paulo antes de passar pela base do Palmeiras e do Juventus.

Após ficar sem clube, ele chegou a desistir da carreira e trabalhar no almoxarifado – e depois da parte contábil – de um hotel. Depois de seis meses, o jovem abandonou o emprego e resolveu tentar ser jogador pela última vez.

“Eu comecei a treinar em um time de um empresário polonês muito rico que nos levou por seis meses para fazermos testes e amistosos na Europa”, contou.

Os brasileiros jogaram contra times sub-20 ou b de clubes como Schalke, Bayer Leverkusen e Fenerbahce.

“Eles tinham um gasto muito alto conosco e pediram valores muito grandes para nos venderem. Mesmo jogando bem, tivemos que voltar ao Brasil”, lamentou.

Decepcionado, Heberty saiu da equipe e fechou com o Taboão da Serra antes de ir para o Vasco.

“Eu treinei nos juniores, mas não joguei partidas oficiais. Só fiz amistosos. Como não era aproveitado, eu saí em 2008”, explicou.

No ano seguinte, o atacante passou três meses em clubes italianos da terceira divisão, mas não quis ficar.

A vida do jogador começou a mudar depois que ele foi aprovado no Juventus para jogar a Série A3 do Paulista e a Copa Paulista.

“Eu virei titular e consegui me destacar. Logo em seguida, fui para o São Caetano, mas não consegui jogar. Mudei para o Paulista e fui campeão da Copa Paulista de 2011”, recordou.

Destaque na Ásia

No meio de 2012, ele foi para o Thespa Kusatsu, da segunda divisão do Japão. Depois, passou por Cerezo Osaka e Vegalta Sendai antes de ir para o Ratchaburi, da Tailândia.

Heberty virou artilheiro da Liga Tailandesa e quebrou o recorde de gols na temporada (26).

“No meu último jogo tinha muita gente para fora do estádio que não conseguiu entrar. Eles fizeram um monte de faixas, foi um carinho excepcional. Até a torcida adversaria gritou meu nome”, garantiu.

Com o sucesso em três temporadas, ele foi comprado pelo Al Shabbab, da Arábia Saudita.

No Oriente Médio, porém, o jogador sofreu com calotes e ficou impedido de deixar o país por um tempo.

“Demorei quase meses até receber o primeiro salário. No fim do ano eu fui à Fifa para rescindir meu contrato. Não me deixavam sair, mas eu dei várias entrevistas contando a minha situação. A pressão foi tão grande que um dia eles me liberaram”, explicou.

Perto do Corinthians

Ao retornar ao Brasil, Heberty afirma que teve conversas com diretores do Corinthians no começo de 2017.

“Eu quase acertei com o Corinthians. Cheguei a falar com o Andrés Sanches, mas ele ficou meio assim por eu estar saindo da Fifa e ficou preocupado se não iria ter problemas e conseguiria me inscrever”, lamentou.

“O técnico do Corinthians era o Fábio Carille, que viu vários jogos meus no Juventus e já me conhecia”, disse.

Em 2017, o time alvinegro foi campeão do Paulista e do Brasileiro.

Após não ter acertado com o Corinthians, Heberty voltou para a Tailândia para defender o Muangthong United, mas por problemas burocráticos precisou esperar seis meses até conseguir jogar.

Pantera Negra

O atacante virou um dos maiores nomes do futebol local e ídolo da torcida. Além disso, ganhou um apelido de Pantera Negra.

“Eu vi o filme e tive a ideia. Pedi para minha esposa comprar uma mascara e a deixei com o fotógrafo. Depois de fazer o gol, coloquei a máscara e repeti o gesto dele. A foto ficou muito famosa, em todo lugar que vou os torcedores pedem para que eu faça a pose. Virou minha marca registrada”, contou.

Um torcedor tatuou no peito a comemoração. A máscara, porém, só foi utilizada uma vez porque o brasileiro foi multado pela federação local.

Nesta temporada, ele foi emprestado ao Port FC, grande rival do Muangthong.

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“Mesmo assim, a torcida continua gostando de mim. Aqui é bem tranquilo, mas no clássico eles me pediram para não jogar por que poderia ter conflito entre as torcidas”.

Com tanto tempo na Liga Tailandesa, ele não tem planos de voltar tão cedo ao Brasil.

“Eu tenho ideia de ficar na Tailândia, mas tenho ambição de um ano de jogar em Dubai ou ir para China ou Japão. Eu até tenho vontade de voltar ao Brasil, mas acho que não seria tão valorizado como sou na Ásia”, finalizou.