Cicinho revela como Zidane foi tirado do vestiário do Brasil na Copa-2006: 'Tem gente chorando'

O Brasil chegou como grande favorito ao título da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Afinal, a equipe comandada por Carlos Alberto Parreira tinha diversos craques no auge, e já havia vencido a Copas das Confederações de 2005 com autoridade sobre a Argentina.

No entanto, a seleção brasileira fez um Mundial decepcionante, atuando num nível muito abaixo do esperado, e vendo craques como Ronaldinho Gaúcho, então duas vezes melhor do mundo pela Fifa, apresentarem um futebol sofrível.

A aventura canarinho acabou nas quartas-de-final, na famosa derrota por 1 a 0 contra a França, que terminaria como vice-campeã naquela Copa.

E, apesar de Thierry Henry ter feito o gol dos Bleus, todo brasileiro se lembra do "desfile" de Zinedine Zidane naquela dia em Frankfurt.

O camisa 10 pintou e bordou na Commerzbank Arena, acabando com o jogo com passes cheio de estilo, dribles fantásticos e até mesmo um chapéu em Ronaldo "Fenômeno", seu amigo e companheiro de Real Madrid.

Zizou, aliás, tinha ótima relação com boa parte daquele time brasileiro, já que tinha tanto colegas de time quanto amigos que havia feito em premiações como Bola de Ouro e Melhor do Mundo da Fifa.

Tanto é que, quando a partida acabou, o francês foi ao vestiário verde-e-amarelo para trocar camisa com Ronaldo, de quem era muito próximo. A recepção ao craque dos Bleus, no entanto, não foi nada boa.

Em entrevista à ESPN, o lateral-direito Cicinho, que também era companheiro de Zizou no Real Madrid e entrou no 2º tempo da partida naquele dia, revelou que o meio-campista foi educamente "convidado a se retirar", já que os atletas brasileiros estavam emocionalmente abalados com o revés.

"Depois que fomos eliminados na Copa de 2006, o Zidane entrou no nosso vestiário para trocar camisas com o Ronaldo, mas o clima estava muito ruim, com vários caras chorando. Aí o Ronaldo falou: 'Zizou, faz um favor... Sai daqui, porque está todo mundo chorando e bravo. Parabéns, você jogou pra caramba, mas saia, por favor'", lembrou Cicinho.

Segundo o ex-lateral, Zizou entendeu a mensagem.

"Ele pegou a camisa e saiu em silêncio", rememorou.

O FIM DA LINHA NO REAL MADRID

Antes da Copa do Mundo, Cicinho também foi testemunha do fim da carreira de Zidane em clubes, já que o francês se aposentou ao final da temporada 2005/06.

O ex-lateral contou uma história marcante, segundo a qual o craque chegou até a ser tentado com uma proposta de renovação contratual, mas acabou recusando.

"No jogo de despedida dele no Real Madrid, o Zidane ficou muito emocionado. E nós também, já que era uma lenda que estava parando de jogar futebol. aí o Florentino Pérez [presidente do Real Madrid] entrou no vestiário e cuprimentou os jogadores um a um. O que aconteceu em seguida foi inesquecível", relatou.

"O salário mais alto do Real na época era de 6,5 milhões de euros. Aí o Robinho brinco: 'Presidente, o Zizou falou que se o senhor assinar um contrato de mais dois anos, por 6,5 milhões de euros de novo, ele não para de jogar'. Todo mundo riu, mas o Florentino ficou sério e respondeu: 'Se ele quiser, eu trago o papel agora para ele assinar'", contou.

Todos os olhos se voltaram para Zidane.

Será que o gênio surpreenderia a todos e revelaria que não penduraria as chuteiras?

"O Zidane penso um pouco, olhou e falou: 'Não, não... Não quero mais'", revelou Cicinho.

Apesar de terem jogado pouco tempo juntos, o brasileiro se diz privilegiado de ter atuado ao lado do craque francês.

"Ele era um maestro. Sempre ajudava a gente a se posicionar em campo. Antes dos jogos, ele orientava todo mundo. Já era um treinador dentro de campo", recordou.

"O Florentino sempre falava que o Zidane jogava de terno, tamanha a elegância dele dentro de campo. Ele nem transpirava (risos)! Era bonito vê-lo jogar. Parecia que o batimento cardíaco não se alterava, era um só. Não tinha aquela de dar um pico de 180 batimentos por minuto e depois voltar", brincou.

E, apesar de toda a tristeza que causou ao Brasil no futebol, Zizou adorava se relacionar com os brazucas da equipe merengue.

"Ele sempre foi um cara que gostou muito dos brasileiros, adorava a gente. Na mesa do refeitório do Real Madrid, do meio para a esquerda sentavam os espanhóis, e do meio para a direita os estrangeiros. O único espanhol que gostava de andar com a gente era o Sergio Ramos. O Zidane sentava ao lado do 'Fenômeno' na ponta da mesa, e aí era só conversa boa", finalizou, saudoso.