Reportagem originalmente publicada em 29 de novembro de 2014
Ex-goleiro do Palmeiras no final dos anos 80 e começo dos 90, Ivan Izzo, que durante anos disputou posição com Velloso no Palestra Itália, hoje é técnico de futebol.
Ex-auxiliar de Dorival Júnior, ele começou carreira solo em 2013, e sua última equipe foi o Taubaté, até fevereiro deste ano.
No meio da bola, Ivan ainda é lembrado por ter se envolvido em uma confusão séria com Neymar, em 2010, quando o hoje atacante do Paris Saint-Germain ainda estava no Santos.
Foi no famoso jogo em que o craque se irritou com Dorival depois que o treinador o proibiu de cobrar um pênalti na vitória por 4 a 2 sobre o Atlético-GO, pelo Brasileirão.
Neymar deixou o gramado da Vila xingando seu treinador, e a confusão seguiu no vestiário. Ambos trocaram palavras fortes, e Izzo, conhecido desde os tempos de goleiro pelo temperamento forte, resolveu tomar as dores do amigo Dorival, passando a gritar com o atleta e dizendo que ele estava agindo como "moleque".
O camisa 11 se irritou mais ainda, respondeu e atirou uma garrafa de isotônico no chão, que acabou respingando no auxiliar. Foi aí que Ivan Izzo partiu para cima de Neymar, e Fernando Silva, então dirigente alvinegro, teve que entrar no meio para apartar e evitar uma briga.
Neymar acabou multado após o episódio, mas Dorival e seu auxiliar foram demitidos do Santos na sequência. Anos depois, Izzo ainda evita revelar detalhes daquele dia.
"Foi uma situação marcante... Eu acho que todo mundo que estava envolvido aprendeu com aquilo: o Neymar, a comissão técnica, inclusive eu, e o Dorival. Quem estava lá sabe como foi o pós-jogo e tudo o que aconteceu no vestiário. Mas ficou no vestiário...", disse o ex-goleiro, misterioso, em entrevista à ESPN.
Depois disso, Izzo seguiu com Dorival na sequência da carreira do treinador. Passaram juntos por Atlético-MG, Internacional e Flamengo, mas acabaram rompendo a parceria em 2013, depois que o amigo resolveu colocar seu filho, Lucas Silvestre, como auxiliar.
O ex-arqueiro do Palmeiras, então, foi para os Estados Unidos trabalhar em clínicas de soccer no país. Na volta, foi convidado para ser auxiliar de Vilson Tadei no Santo André, e aceitou. Após a série A2 do Paulista, Tadei saiu, e Izzo assumiu como treinador do clube, ganhando a Copa Paulista.
TIRO DA PF POR ENGANO
A vida de Ivan Izzo, hoje com 49 anos, também é marcada por um outro episódio tenso.
Em 2001, já em seus últimos anos como goleiro, ele estava atuando pelo próprio Santo André, e foi baleado no braço direito durante uma blitz da Polícia Federal, em São Paulo. Os agentes o confundiram com um traficante de drogas.
Tudo aconteceu na tarde de 17 de dezembro. Ivan estacionou seu carro próximo ao antigo parque de diversões Playcenter, na Barra Funda, para dar carona ao preparador físico Estélio de Matos antes do treino. No entanto, policiais federais estavam fazendo uma operação no local, em busca de traficantes de cocaína.
Ao avistarem Matos com uma mochila, os agentes pensaram que ele fosse um dos criminosos, e se prepararam para o flagrante. Quando Izzo chegou ao local para buscá-lo, Matos guardou a bolsa no porta-malas e entrou no automóvel normalmente, como se nada de anormal estivesse acontecendo.
Nesse momento, os policiais deram voz de prisão aos dois. Ivan não ouviu, mas se assustou ao ver homens armados pelo retrovisor. Pensou que fosse um assalto e acelerou para fugir dos "bandidos" pela Marginal Tietê.
Foi aí que um dos agentes disparou um tiro, que atingiu o braço direito do goleiro. O jogador ainda conseguiu dirigir por cerca de 30 metros até ser parado pela PF. Abordado, Izzo disse que era atleta, e foi levado imediatamente ao Hospital das Clínicas.
"Foi um grande susto. Passei por cirurgia e tive que ficar um tempo em recuperação, perdi um período de atividade profissional. Mas isso não fez com que eu tivesse que parar de jogar, algo assim. Só fique um tempo 'estacionado' por lesão no braço", contou.
A PF classificou a ação de seu agente como um "erro que faz parte do serviço exercido pela polícia". No entanto, foi instaurado um inquérito para apurar os fatos, e o jogador teve que comparecer para prestar depoimento.
"Fui à corregedoria da Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Foi compravado que houve erro de um agente, já que havia uns oito, mas só ele atirou. Isso tudo foi provado! Fazer o quê? Erros acontecem, né? Graças a Deus, foi só um susto mesmo", relembrou, aliviado.
