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Ex-Vasco e Cruzeiro foi de desempregado a xerife do Santo André, líder do Paulistão

Muito antes de jogar no Santo André, Luizão chegou a ser uma grande promessa. O defensor chegou às categorias de base do Cruzeiro e começou a ser chamado para a seleção brasileira desde os 15 anos.

“Joguei com muitos caras bons e quando voltava ao clube era bom porque era mais valorizado. Conheci o mundo”, disse Luizão, ao ESPN.com.br.

O zagueiro estreou nos profissionais em 2006 e foi titular da seleção brasileira no Mundial sub-20 de 2007 ao lado de nomes como Cássio (Corinthians), Marcelo (Real Madrid), Willian (Chelsea), Pato (São Paulo) e Jô (Nagoya).

Seu parceiro de zaga, que às vezes ficava na reserva, era David Luiz, do Arsenal.

O Brasil caiu nas oitavas de final para a Espanha depois de abrir 2 a 0. A equipe, que tinha Juan Mata, Piqué e Javi García, empatou no segundo tempo e venceu por 4 a 2 na prorrogação.

“Nosso time era tão bom que relaxamos um pouco. Foi um jogo memorável. Nós perdemos nos detalhes, quando acordamos já era tarde”, contou.

“Eu estava me destacando na base e tinha bastante moral. Comecei muito bem, mas no meio do caminho acho que me perdi um pouco. Achei que estava muito acima, acabei deixando de me dedicar na carreira. Era um garoto do interior e fiquei deslumbrado”, admite.

Parceiro de Rivaldo

Apesar da eliminação precoce, Luizão saiu do Mundial com moral e foi vendido para um grupo de empresários que o levou para o Locarno, da Suíça. Ele apenas foi registrado no time para ser emprestado ao Vasco da Gama no meio de 2007.

“Comecei jogando bem e renovei, mas no meio de 2008, o Antônio Lopes chegou e eu era um pouco esquentado. Ele me tirou do time e saí para o Bunyodkor , do Uzbesquistão”, contou.

No Bunyodkor, Luizão jogou ao lado de Rivaldo – de quem ficou amigo - e foi comandado por Zico. Durante uma pré-temporada na Espanha, ele chegou a enfrentar o Barcelona comandado por Guardiola.

Em 2009, voltou ao Cruzeiro, mas pouco depois sofreu uma fratura na tíbia. Após duas operações, o zagueiro ficou parado até 2010.

Luizão então foi para o Bahia, pelo qual conseguiu o acesso para a Série A do Brasileiro: “Eu tive um probleminha com o [atacante] Souza e resolvi sair do clube. Precisei ficar seis meses esperando até ir para o Nacional-MG”, explicou.

Depois, ele passou por Ceará e Nacional-MG outra vez.

“Após o estadual de 2013, fiquei sem clube o segundo mestre todo porque não surgiu nada legal em termos de projeto. Dei uma desanimada. Tinha largado a carreira de futebol”, admitiu.

Jogou em time amador dos EUA

Mesmo estando fora de forma, ele recebeu um convite de Alexandre Barroso para jogar o Carioca de 2014.

“Fomos muito bem e nos classificamos para a semifinal do Carioca. O América-MG veio atrás de mim e não fui para poder terminar o Estadual por gratidão ao clube. Hoje, teria conversado e ido. É um arrependimento que tenho”, contou.

O defensor ainda defendeu ABC-RN e Novorizontino no Paulista de 2016.

“Depois do Estadual não pareceu nada e fui para os EUA no Boca Ratton, que é um clube amador. Ei fui para estudar a língua e conhecer porque minha família queria morar lá. O Rivaldo me indicou ao clube para manter a forma”.

“Joguei com o Amoroso numa liga que era a terceira ou quarta dos EUA. Foi um ano bem bacana. Fomos campeões!”, contou.

Renasceu no Santo André

Luizão ainda passou por São Bento e Água Santa antes de chegar ao Santo André, no paulista de 2020.

“O ambiente do Santo André é bom. Em termos de estrutura fica um pouco atrás de vários clubes, mas as coisas aqui acontecem muito rápida. É bem engraçado. Eu criei identidade mesmo tendo vindo de um adversário. Tinha que provar meu valor aqui também”, explicou.

O zagueiro de 33 anos é um dos destaques da equipe que tem a melhor campanha do Estadual. “Nós nos fechamos para brigarmos pelo titulo e pela classificação. Treinamos de forma intensa e cobrando uns aos outros. O grupo assimilou bem a ideia do [técnico] Paulo Roberto”, explicou.

“Eu sinto nos melhores momentos da carreira. Por estar na elite do futebol é o melhor estadual do Brasil e estar indo bem e termos ficado na liderança Considero um renascimento da minha carreira”, finalizou.