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Ele saiu do Palmeiras e jogou com reforço do Real Madrid; hoje, está na Indonésia e quer nova chance com Felipão

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Relembre gols de Anselmo, ex-Palmeiras, contra o Caxias, na Série B de 2003 (0:20)

Centroavante fez parte do elenco que conquistou o acesso à primeira divisão (0:20)

A vida de Bruno Matos mudou da noite para o dia durante a pausa para a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Com apenas 20 anos, ele defendia o XV de Piracicaba, que havia jogado a Série A3 do Paulista, mas havia atuado em poucas partidas até então como jogador profissional.

"Nós fizemos três amistosos contra Palmeiras [derrota por 3 a 1], Santos [empate em 0 a 0] e Fluminense. Os três clubes se interessaram por mim, mas fui para o Palmeiras", contou, ao ESPN.com.br.

O atacante saiu do clube que disputava a Série A3 do Paulista direto para uma das maiores equipes do país com o treinador Luis Felipe Scolari.

"Felipão me recebeu muito bem e chamou de guri: 'Está vendo? Você vai crescer e subir na tua vida. Quanto mais dinheiro você ganhar, melhor irá jogar. Não estacione'. Ele não me deu a chance porque o Palmeiras estava muito mal", recordou.

"Ele me dava os mesmos treinos de Cristiano Ronaldo. Uma vez o Felipão me falou: ‘Sua posição é aqui você em muita força e velocidade’. Eu fiquei no banco de alguns jogos, mas não entrei", afirmou.

Como não tinha oportunidades, Bruno Matos foi emprestado para clubes como Oeste, Noroeste e Atlético Sorocaba. Até que chegou uma hora em que o jogador resolveu seguir seu caminho.

"Eu pedi a minha rescisão e o [então presidente do Palmeiras] Arnaldo Tirone me chama de louco: ‘Você é menino, como vai sair do Palmeiras? Eu respondi: ‘Quero jogar. Quero mostrar meu futebol’. Eu tinha contrato longo. Não adianta, no futebol você tem que estar jogando e fazendo gol. Não importa se ganha muito ou pouco", afirmou.

Depois, o atacante passou por Juazeiro, ASA e Nacional-MG, Juazeirense e Jacobina. Com o destaque, ele foi para o FK Novi Pazar, da Sérvia.

Eu fui muito feliz Sérvia e quase fomos para a Liga Europa. Depois, o Partizan e o Estrela Vermelha me queriam e fui contratado pelo Estrela Vermelha", contou.

No maior clube do país, ele jogou com Luka Jovic, que foi recentemente contratado pelo Real Madrid.

"Quando eu cheguei por lá, ele não jogava ainda. Ficava muito no banco de reservas. Todos os treinos eu falava: 'Você é centroavante e precisa pegar a bola para fazer gol. Não adianta jogar bem se não fizer gol. Ele começou a ganhar muitas chances, mas não fazia gol", disse.

"Eu comecei muito bem, mas tive uma lesão que me atrapalhou. Se não tivesse machucado, eu estaria na Espanha. Eu pedi para sair porque estava vendo muitas coisas erradas. Eu jogava bem e eles colocavam jogadores de empresário para atuar. Tinha três anos de contrato, mas estava chateado", criticou.

Jogou no Brasil do Irã

Campeão da Liga Sérvia em 2016, Bruno trocou o time (vencedor da Champions League de 1991) pelo Sanat Naft, do Irã.

"Financeiramente era bacana e o futebol era muito bom, ao contrário do que as pessoas pensam. O pais é bem bonito, mas era quente demais. Meu time era na fronteira com o Iraque e amava o Brasil. As cores e a bandeira eram tudo em homenagem aos brasileiros. Tinham fotos do Ronaldinho! A torcida me adora até hoje. Eles gritavam Brasil o tempo todo!", afirmou.

"Depois, fui ao Bahrein, mas não gostei de lá. Fui para o PKNS FC, da Malásia, um dos lugares mais lindos que vivi. Mas trocou o governo e os salários caíram e resolvi sair", explicou.

O brasileiro de 29 anos resolveu então ir para o Persija Jakarta, da Indonésia.

"Vim para o melhor time da minha vida, só saio se for para algo muito diferente. A mídia é muito forte, nunca vi isso. No clássico ciontra o Persib Bandung a gente anda de camburão, nunca vi isso. Tem muita segurança, em todo lugar. Não tem violência, é muito organizado", contou.

"Eles me apoiaram em tudo, a torcida é fantástica. Eles me chamam de Neymar por causa das minhas jogadas (risos).Todo jogo dá 60 mil pessoas no estádio, eles são fanáticos. Nunca vi em um país eles amarem tanto o futebol", afirmou.

Mesmo feliz na Indonésia, Bruno Matos ainda sonha em um dia ser reconhecido em seu país de origem.

"Felipão gostava de mim, falava sempre. Eu só queria ter o contato dele de novo. No dia em que voltar vou pedir para o Felipão uma chance. Se tiver uma, eu me torno o melhor jogador do Brasil", garantiu.