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Ele saiu do Palmeiras e foi parar na 5ª divisão da Áustria; hoje, joga na Bundesliga

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Relembre gols de Anselmo, ex-Palmeiras, contra o Caxias, na Série B de 2003 (0:20)

Centroavante fez parte do elenco que conquistou o acesso à primeira divisão (0:20)

João Victor Santos Sá soube aproveitar a segunda chance que ganhou do futebol. O meia-atacante de 25 anos passou por várias divisões inferiores do futebol paulista e europeu até acertar com o Wolfsburg, da Alemanha, no começo deste mês.

Natural de São José dos Campos-SP, ele começou no Primeira Camisa-SP, mantido à época pelo ex-zagueiro Roque Júnior. Após jogar a Copa São Paulo, ele assinou contrato com a base do Palmeiras por três anos.

"Foi uma passagem legal. Disputei vários campeonatos e aprendi bastante, foi algo que me ajudou. Eu cheguei a subir umas vezes para treinar com o técnico Ricardo Gareca no profissional, em 2014. Às vezes fazíamos alguns coletivos, mas não tinha muito contato porque ficávamos em Guarulhos e eles na Barra Funda. Sempre foi difícil essa transição no Palmeiras, mas só tenho que agradecer", disse, ao ESPN.com.br.

"Eu sofri um pouco por estar em São Paulo, acabei me perdendo um pouco. Era moleque ainda, não tinha a mesma mentalidade de hoje. Isso dificultou bastante as coisas. Tinha muitos amigos que me chamavam para sair e não focava direito na carreira. Isso era complicado. Tive uma lesão no tornozelo que me prejudicou bastante", admitiu.

Sem muito espaço no time alviverde, ele foi emprestado para jogar a Série A3 do Paulista pelo São José e depois a Série B (4ª divisão Estadual) pelo União São João-SP, onde viveu momentos difíceis.

"Eu morava em alojamento em Araras que mal tinha água e comia arroz com salsicha. Eu recebia salário do Palmeiras, mas os caras não pagavam os outros garotos. Ficava um climão no vestiário. Foi aí que caiu a minha ficha: 'Olha aonde eu vim parar'. Fiz dois amigos lá que hoje estão bem na Série A do Brasileiro: O Diego Pituca, do Santos, e o Gregore, do Bahia. A dificuldade aproxima as pessoas e um dava força para o outro", analisou.

Na 5ª Divisão da Áustria

Em 2015, João Victor ficou sem clube e passou a ficar em casa com a rescisão do contrato com o Palmeiras e o FGTS.

"Isso me ajudou a segurar a onda. Nisso, um empresário me chamou para fazer um teste no Kapfenberger, um clube da 2ª Divisão da Áustria. Eu passei, mas eles combinaram um salário de 1200 euros e me pagavam 800", explicou.

O brasileiro sofreu no começo para se adaptar ao país por causa do frio e não saber falar inglês ou alemão. Dentro de campo, a situação também não era das mais fáceis.

"O treinador não gostou muito de mim e fui para o time b deles, que jogava na quinta divisão. Fiquei seis meses jogando essa competição que era amadora, muitos jogadores tinham outras profissões como advogados e bancários. Tinham uns cara barrigudos (risos). Eu me destacava muito no meio deles, fazia muito gols mesmo".

Nisso, o treinador do time de cima foi mandado embora e o brasileiro passou a jogar a 2ª Divisão, onde ficou por pouco tempo.

"Eu tinha sido o artilheiro da Copa da Áustria e um dos goleadores da Segundona. Fui contratado em 2017 pelo LASK Linz, da 1ª Divisão e só tenho que agradecer. Eu me adaptei rápido ao estilo de jogo deles e me dei bem com o treinador logo de cara. Consegui fazer duas temporada muito boas. Virei titular e na segunda eu fui bem pra caramba. Fiz 20 gols em 34 jogos, fui artilheiro da Copa da Áustria e vice-artilheiro do Campeonato Austríaco".

Propostas e ida à Alemanha

Com o destaque, choveram ofertas para João Victor.

"No fim da temporada pareceram contatos de clubes brasileiros como Fluminense e Atlhetco-PR. Vieram também New York City-EUA, Sttutgart-ALE e o Wolfsburg-AL. Fiquei em dúvida entre as duas propostas da Alemanha. Não queria voltar no momento por já estar adaptado à Europa e achar que no Brasil é muito instável", explicou.

"Como o Wolfsburg levou o treinador Oliver Glasner, que trabalhava comigo no LASK Linz, eu fui para lá também. Eu já conheço o método dele de trabalho e deu tudo certo. Vamos jogar a Bundesliga e a Liga Europa", afirmou.

No time da empresa Volkswagen, ele terá a companhia dos brasileiros Willian (ex-Internacional) e Paulo Otávio, recém contratado do Ingolstadt-ALE.

"A expectativa é a melhor possível. Assinei com um grande clube estou curtindo bastante. Estou ansioso para ver como as coisa serão, espero que dê tudo certo, estou trabalhando e me cuidando para me apresentar bem. Os testes físicos começam dia 27 e depois tem a pré-temporada. Quero ver como será. Estou bem feliz".

Depois de tantos problemas no começo de carreira, João Victor comemora o fato de viver o auge da profissão.

"Depois que você chega à Europa passa a entender que o futebol é a sua profissão e precisa se cuidar de todas as formas. É necessário dormir cedo e se alimentar, além de fazer um trabalho extracampo. Tem que abdicar de tudo para isso. Eu comecei a entender as minhas necessidades. Como pessoa e jogador eu evoluí demais", finalizou.