Nesta quarta-feira, o Palmeiras recebe o San Lorenzo, às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. O time alviverde lidera sua chave, com 12 pontos, e depende apenas de um empata para se classificar no 1º posto.
No plantel do Ciclón, não há nenhum jogador brasileiro. No entanto, os torcedores da equipe de Buenos Aires têm muito carinho pelo país verde e amarelo graças a um craque que marcou época no clube nos anos 90: Paulo Silas do Prado Pereira.
O meio-campista revelado pelo São Paulo dos "Menudos do Morumbi", que também vestiu as camisas de Internacional e Vasco, além da seleção brasileira, e atualmente trabalha como treinador, teve passagem vitoriosa pelo time de Boedo entre 1995 e 1997.
Vestindo a 10 dos Cuervos, ele foi campeão do Argentino (Clausura) em 1995, acabando com um jejum de 22 anos do San Lorenzo, e marcou 24 gols em quase 100 jogos pela equipe porteña, tornando-se um dos grandes ídolos da torcida até os dias de hoje.
Atualmente trabalhando como técnico, Silas lembrou à ESPN como foi sua contratação pelo San Lorenzo.
"Em 1992, a seleção tinha vencido a Alemanha por 3 a 1 no Beira-Rio, e eu fiz um baita jogo. Minha última partida pela seleção foi em 1993, 1 a 1 com a Argentina, em Buenos Aires. O San Lorenzo se lembrou desses jogos, estavam procurando um camisa 10 e foram atrás do Juan Figger, que era meu empresário. Entendemos que era um bom clube e resolvemos apostar. Acabou sendo uma das melhores, se não a melhor, experiência que vivi em um clube fora do Brasil", recordou.
Quem lhe ajudou na adaptação foi o treinador Héctor Vieira, que havia jogado pelo Corinthians nos anos 70.
"Meu técnico havia jogado no Brasil, sabia como era morar fora de seu país e a diferença que fazia ser bem tratado pelos companheiros. Foi isso que me ajudou demais. Logo que cheguei, ele falou para os jogadores do San Lorenzo: 'Espero que vocês tratem o Silas melhor do que se tratam entre vocês', e foi o que aconteceu. Para ajudar, já fiz gol na minha estreia contra o Boca, depois ainda marquei no River. Isso ajuda qualquer um a se adaptar (risos)", brincou.
Em seu dois anos de Argentina, Silas comeu a bola, foi campeão argentino e acabou com um jejum de mais de duas décadas do Ciclón. Virou capa de revista e guarda na memória até hoje a festa "sem fim" da torcida do San Lorenzo com o troféu.
"Fomos campeões argentinos quebrando um jejum de 22 anos. Foi uma festa parecida com a do Corinthians, em 1977, quando eles quebraram a fila depois do gol do Basílio. Para melhorar, ainda fui eleito o melhor da minha posição no campeonato. Não à toa, sempre que vou a Buenos Aires sou muito querido lá", exaltou.
Nessa época, o futebol argentino era fortíssimo, com verdadeiros esquadrões e muitos craques nas grandes equipes.
"Joguei contra o Maradona no Boca e contra o (Enzo) Francescoli no River. Só havia craques lá. Era como se estivesse jogando contra o Pelé (risos). E o Maradona é um cara nota 1.000! Era como um Deus para a população lá, e além de tudo era amigão do Careca, que é muito amigo meu, pelo tempo que jogaram juntos no Napoli", contou.
Silas, inclusive, confessa que tietou Maradona a princípio, mas depois acabou tietado por ninguém menos que o "D10S"
"O primeiro jogo contra o Maradona foi um dos mais legais. Assim que acabou, eu dei um pique gigantesco, o maior que fiz o jogo todo, só para pegar a camisa dele (risos). Tenho até hoje guardada, está escrito: 'Aplausos! Com muito carinho, Diego'. É uma relíquia!", suspira.
"Mas o lance mais emblemático da minha passagem pela Argentina acabou sendo contra o River. No Monumental de Núñez, eu fiz um golaço parecido com o que o Maradona fez contra a Inglaterra na Copa de 86. Depois, o Maradona me disse que trocaria o gol que ele fez contra os ingleses pelo meu gol (risos). Tudo porque ele é torcedor fanático do Boca, e queria ter feito um desse em cima do maior rival!", revelou.
Outra passagem curiosa é que Silas quase deixou os Cuervos antes da conquista do título argentino por causa de uma boa proposta vinda do Japão, mas acabou ficando e viu a torcida reconhecer.
"Eu quase saí do San Lorenzo antes do título. O Zé Sérgio queria me levar para o Japão, porque o Careca e o Muller tinham ido jogar no Kashiwa Reysol. O presidente do time japonês mandou um papel em branco para eu assinar contrato e colocar quanto queria ganhar, bem antes de um jogo contra o Newell's", relatou.
"Só que aí o presidente do San Lorenzo sentou comigo e falou: 'Silas, se você for embora, nós não seremos campeões'. E eu fiquei. Depois disso, teve um jogo que ganharmos de 4 a 0 do Boca, e a torcida gritava: 'Brasil, Brasil, Brasil!'. O estádio inteiro gritou isso, foi impressionante. Acho que isso nunca tinha acontecido e nunca mais vai voltar a acontecer na Argentina (risos)", gargalhou.
