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Opinião: A nova onda de aposentadoria expõe os principais desafios de um proplayer no League of Legends

Grandes nomes do competitivo de LoL, Bjergsen e Doublelift anunciaram sua aposentadoria em 2020 Riot Games

Na última semana, três jogadores titulares do CBLoL anunciaram sua aposentadoria, sendo um deles campeão da última etapa, em um movimento natural que acontece no cenário desde dos seus primórdios. Shini, esA e Minerva deixaram o cenário competitivo com um novo objetivo em comum entre eles, se dedicar ao universo das streams.

Diferente das aposentadorias vistas antes no cenário brasileiro, que aconteciam após desempenhos ruins, finais perdidas ou até mesmo uma volta para os estudos, como aconteceu com Mylon, os três jogadores citados anteriormente ainda disputavam o CBLoL 2020 em alto nível, com esA chegando até a final e Shini se tornando bicampeão brasileiro na segunda etapa de 2020.

Para entender esse novo fenômeno, é necessário entender a história do cenário brasileiro e a expectativa de carreira de cada jogador em terras tupiniquins, desde a razão do afastamento da primeira leva de pro players no League of Legends até a ascensão do mercado de streams no Brasil

EXPECTATIVA DE CARREIRA

Fazendo um paralelo básico com o futebol, esporte que exige um nível alto de condicionamento físico, a carreira tende a durar cerca de 20 anos atuando dentro de campo. Dentro do League of Legends brasileiro, o maior exemplo de carreira duradoura é de brTT, que atua como jogador profissional desde 2012 e ainda se mantém na disputa do CBLoL.

Muitos são os motivos para a carreira no esport ser consideravelmente menor, principalmente no League of Legends. Instabilidade das organizações brasileiras, mudanças frequentes de meta, desgastes em gaming house, estresse com os companheiros de equipes e adaptação a novas temporadas.

Sobre o modelo de gaming house, o office surge como alternativa para as franquias do CBLoL, com grande parte das organizações já adotando esse modelo antes mesmo dessa nova fase da competição. Grandes partes dos problemas podem ser resolvidos por psicólogos, principalmente quando se trata da convivência diária dos jogadores, mas alguns times preferem não trabalhar com esse profissional, jogando a poeira para debaixo do tapete.

LEAGUE OF LEGENDS: UM CENÁRIO BASEADO EM CICLOS

Se tratando especificamente do League of Legends, temos carreiras pequenas se comparadas com outras modalidades do esports nacional e internacional. Maior nome do Counter-Strike nacional, FalleN já chega aos seus 15 anos de carreira no esporte eletrônico.

É claro que o tempo do cenário competitivo entre Counter-Strike e League of Legends é completamente diferente, mas cada vez mais ídolos do MOBA vem deixando de atuar em alto nível e seguindo novos rumos, como Bjergsen. Principal nome da TSM durante os últimos sete anos, o jogador decidiu atuar como head coach da organização, após o ano de 2020 com título da LCS e campanha vexatória no Mundial.

Vale destacar que a decisão da aposentadoria já tinha sido tomada antes mesmo da competição internacional. Doublelift, único jogador da primeira competição internacional da Riot a atuar no Worlds 2020, também anunciou uma pausa na sua carreira.

STREAMS: UNIVERSO EM ASCENSÃO

Estabilizada depois da chegada - e uma eventual queda - de todas as plataformas concorrentes no Ocidente, a Twitch parece cada vez mais confortável para os criadores de conteúdo, dando a segurança financeira necessária ao ponto de ser a opção de diversos “youtubers” do mundo dos games.

E o fenômeno parece cada vez maior em território nacional, com os exemplos recentes citados no começo da matéria. Em entrevista com Shini, o jogador revelou que “quer colocar o pé nessa piscina” para se conectar com sua base de fãs e dar uma atenção maior para todos que o apoiaram na carreira profissional.

“No momento o que eu mais quero fazer é focar na minha stream, me aproximar mais do meu público e dos meus fãs”, disse Shini em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil. “Eu diria que o que eu mais pequei foi esse quesito de mídias sociais e tal, então eu queria colocar meu pé nessa piscina nova. É algo que minha carreira inteira eu não fiz muito bem, então vai ser meu maior foco primariamente”.

ESTRADA ABERTA PARA NOVOS TALENTOS

Com a nova onda de aposentadorias, é inevitável ressaltar o grande ponto positivo: a entrada de novos talentos no alto nível do League of Legends. Temos exemplos claros já sendo colocados em prática na LCS NA, onde Bjergsen e Doublelift foram substituídos por PowerOfEvil e Lost, respectivamente.

Apesar da experiência no cenário europeu, PowerOfEvil ainda pode ser considerado como uma “jovem promessa”, com seus 23 anos de idade e seis anos atuando em alto nível e se destacando em todas as equipes por onde passou, sendo considerado por muitos como um dos melhores meios da fase de grupos do Worlds 2020.

“Esquecido” no Academy da TSM, Lost vem pedindo espaço na equipe principal desde sua chegada a organização, tendo ótimas atuações na liga de desenvolvimento e chamando a atenção em uma temporada tão enfraquecida para os atiradores. Após a liberação da vaga de estrangeiros para Australianos e a aposentadoria de Doublelift, não restavam mais desculpas para sua promoção.

A ESPERANÇA DA FRANQUIA NO BRASIL

A chegada da liga de desenvolvimento de talentos no Brasil, praticamente “obrigatória” com o modelo de franquias, abriu espaço no plantel das grandes organizações para talentos da fila ranqueada brasileira. Diferente do que se falava nos bastidores, o medo de diversas vagas serem ocupadas por criadores de conteúdos felizmente não se concretizou, com diversos talentos sendo revelados aos poucos nas equipes academy.

O primeiro passo para uma nova região brasileira já foi dado, basta uma boa administração dos talentos, com acompanhamento de profissionais da comissão técnica, tal como foi feito na Europa, e finalmente chegaremos a tão esperada melhora nas competições internacionais. Acreditem ou não, a revolução vem da base.