Uma prática comum no sistema capitalista é a compra de uma empresa por outra (geralmente) mais poderosa. Os motivos são os mais variados: aumento de participação no mercado, controlar algum produto/bem/serviço em especial, entrada em determinado setor da economia, dentre outros.
Falando em videogames, esse tipo de operação tem um exemplo interessante nos últimos tempos, a Microsoft. Recentemente, a empresa fundada por Bill Gates e Paul Allen em abril de 1975, fez um movimento poderoso ao comprar o estúdio Bethesda, responsável por franquias como Fallout, Doom e The Elder Scroll.
Compras dessa magnitude fazem com a empresa do Xbox tenha o controle em propriedades intelectuais e profissionais sob seu controle que possam produzir conteúdo que satisfaçam seus interesses e a sede dos jogadores por novidades (e games de suas franquias favoritas). Só que a conversa não parou na Bethesda, já que rumores apontam um novo alvo para a Microsoft: Konami.
O APOGEU E QUEDA DE PRO EVOLUTION SOCCER
A japonesa Konami tem algumas das franquias mais importantes da história sob suas asas: Silent Hill, Metal Gear, Bomberman, Castlevania e Pro Evolution Soccer. No caso especial de PES, ela teve anos de glória com a franquia, que mudou de nome, mas nunca deixou de ser amada por seus fãs, especialmente no Brasil.
Até hoje, PES é bastante importante para o cenário mundial. Trata-se de uma franquia que mexe com o amor de milhões de torcedores do esporte mais popular do planeta, possui parcerias com clubes gigantes do futebol mundial, modos de jogos clássicos como Master League, além das opções de edição, motivadas pela falta de direitos autorais.
Só que o protagonismo dos simuladores de futebol está ao lado de Fifa nos últimos anos. Fifa é melhor que PES? Não. A vantagem está mais na aquisição de grandes licenças (Champions League, Libertadores e Copa do Mundo) por parte da EA e a estagnação da Konami do que na qualidade propriamente. Mesmo “deixado de lado”, PES aí é um jogo interessante e não está tão atrás de Fifa.
A REDENÇÃO DE PRO EVOLUTION SOCCER?
A Konami promete uma nova era para seu game de futebol ao “pular” eFootball PES 2021 e trazer o jogo de 2022 revigorado tecnicamente. Só que é necessário mais se PES quiser ser o dono da bola e a Microsoft pode ser a resposta.
Voltemos às práticas do capitalismo, se a Microsoft estuda a exclusividade das franquias das Bethesda a fim de turbinar seus consoles, o que não poderia fazer com Pro Evolution Soccer se resolvesse comprar sua detentora, a Konami?
Segundo relatório da própria Konami quanto ao desempenho de departamento de videogames, a empresa teve uma queda de arrecadação entre 2020 e 2019 de 48.8%. A queda é atribuída ao fechamento de casinos nos EUA e não às suas franquias. Sendo assim, ainda são produtos de valor que podem chamar a atenção da Microsoft.
Imagine então “sangue novo” a frente de PES, a fim de tornar um produto vencedor e algo ainda maior? Vamos especular então: como a Microsoft poderia turbinar o game de futebol?
Um dos pontos já está em andamento, o lado tecnológico. Uma nova engine e melhorias técnicas trarão um ar de “nova geração” à franquia. Sendo uma simulação, PES precisa se aproximar da realidade. O game já manda bem na reconstrução facial dos jogadores e elementos como estádios. Agora, é preciso atacar os problemas, bugs e refinar a jogabilidade. Uma segunda opinião de pessoas de estúdios da Microsoft pode ajudar.
Falando em opinião, pode parecer ainda algo retrógado, mas a visão ocidental de mercado também pode ser interessante. Sem dispensar o teor ocidental, a Microsoft pode acrescentar o que o lado ocidental do mundo que ver em um game, assim como sua publicidade – e se tem uma coisa que gostamos aqui é de licenças.
Se PES for para as mãos da Microsoft, a empresa precisa investir na retomada de grandes marcas do futebol. PES teve no passado a Libertadores, Champions League e grandes ligas. Se hoje ela tem grandes esmero no tratamento de suas parcerias, imagine só contar mais uma vez com estes grandes torneios? Amado por estas bandas, ela já conta com o Brasileirão. Para o público daqui a união do conteúdo brasileiro com o de fora é importante. O desafio da Microsoft seria colocar dinheiro na mesa na hora de conseguir licenças.
O próximo passo seria maior investimento nos esports, que se tornam uma vitrine cada vez maior. A Konami faz um trabalho interessante em eFootball.Pro, no qual seus parceiros europeus são representados, assim como o eBrasileirão com os times daqui. Transformar os jogadores profissionais, que representam os clubes do coração, é uma alternativa válida em aproveitar o amor do torcedor por seu clube do coração. Este é um ponto chave para criar maior que o Global Series de Fifa.
Ações de marketing, para vender uma nova visão de PES, também estariam incluídas na estratégia, assim como investimento em conteúdo dentro do jogo, como novas maneiras de se jogar, com uma infraestrutura técnica que permita os jogadores terem uma bela experiência online, dentre outros passos.
Se um time se torna poderoso no futebol, seu arquirrival precisa se mexer para ter um time melhor, ou ficará para trás. Quem sabe PES não possa voltar aos tempos áureos com um aperto de mãos entre Konami e Microsoft?
