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'Foi um crime hediondo, cruel, brutal, macabro, planejado', desabafa pai de Sol em carta aberta

A jogadora de CoD Mobile foi assassinada na última segunda-feira (22) Acervo pessoal

Na última semana, a comunidade de esports foi abalada ao receber a notícia do assassinato da jogadora profissional de CoD Mobile, Ingrid Bueno, também conhecida como Sol. A respeito de como anda o processo dentro da justiça, segundo a advogada que representa a família da jogadora no processo, Layla Palmyra Boy, a família e a representante estão “aguardando o promotor dar andamento, pois o inquérito já está quase concluído”.

A jogadora de 19 anos estava em busca de começar sua carreira profissional dentro do cenário de esports, atuando no competitivo ainda em construção de CoD Mobile, e foi assassinada a facadas na última segunda-feira (22). Sol foi encontrada na casa de Guilherme Alves Costa, principal suspeito do crime e também jogador.

“Foi um crime hediondo, cruel, brutal, macabro, planejado. As palavras dele em seu livro ou agenda, e na entrevista durante sua prisão são provas de sua crueldade”, comenta Luiz Silva, pai da jogadora, em carta enviada à imprensa.

Na última semana a justiça autorizou a quebra de sigilo dos dados do celular do suspeito para investigar melhor o caso. O mesmo foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado, com a pena podendo chegar a 30 anos de prisão, segundo o portal R7.

Luiz, apesar de toda tristeza gerada pela perda de sua filha, demonstra um gesto de empatia à família do suspeito ao falar que: “Nós da família da Ingrid, também sabemos que a outra família também está sentindo sua dor. E nós sentimos muito por eles também”.

Em contato com o ESPN Esports Brasil, a advogada da família de Sol expressou o interesse dos familiares em divulgar a nota na íntegra, a fim de expressarem seus sentimentos.

NOTA DA FAMÍLIA DA JOGADORA SOL

“Minha filha era uma garota jovem e linda. Ela amava a família, se preocupava com cada um de nós além do amor extremo que tinha por todos familiares.

Uma das coisas que ela mais gostava era de comer.

A Ingrid tinha seus problemas como qualquer outro adolescente, mas se superava se sentia forte quando estava no meio familiar ou quando estava jogando e superando seus limites.

Ela era uma guerreira.

Amava seu ex-namorado, mesmo após o fim do relacionamento e tal fato não tirou a sua vontade de viver.

Porém, tudo mudou quando Ingrid conheceu está pessoa (Guilherme). Ela passou a mentir para nós, passava muito tempo falando com ele durante os jogos. Nós chegamos a questionar sobre quem era ele, e ela dizia ser um amigo do trabalho. Motivo pelo qual, acreditamos que não precisávamos se preocupar.

Ingrid o conheceu em janeiro/2021. Ele era amigo online. E ela sabia que jamais iríamos permitir um contato físico com alguém que ela conheceu na internet. Talvez por isso ela tenha mentido. Este Guilherme mudou a cabeça da Ingrid. Ele a manipulava sem ela perceber.

A primeira vez que eles se encontraram, ele disse para ela que ele tinha perdido o irmão há duas semanas. Ainda, o Guilherme disse para ela, dias antes do crime que havia perdido o pai também.

Ela, com desejo de ajudar e apoiar essa pessoa, foi se encontrar com ele. Nós não sabíamos que se tratava deste monstro, imaginávamos que era um amigo do trabalho.

Esse nome, Guilherme, era novo para nós.

E esse monstro se fazia de “amigo” e “confidente”, porque Ingrid estava passando ainda pelo término do relacionamento com seu ex-namorado e claramente sentia falta do ex-namorado.

Minha filha não queria morrer. Porque ela tinha vários planos.

Queria viajar, estava empolgada que iria pra praia com o ex-namorado porque eles queriam reatar o namoro nessa viagem. Só não voltaram antes porque a família se contaminou com Covid.

Portanto, o atestado não é falso.

Existe o exame, o qual comprova sua veracidade.

Estão dizendo mentiras de minha filha.

Ela não era suicida, como estão dizendo.

Ela ia arrumar o cabelo no salão de beleza, um dia antes dessa tragédia, ela estava no espelho simulando como iria ficar seu cabelo. Comprou roupas novas, comprou o celular dos seus sonhos, pretendia comprar suas roupas de praia essa semana.

Minha filha tinha medo de morrer.

Ela era ingênua, achava que todo mundo era bom como ela.

Se ela quisesse morrer, abraçaria a família e deixaria uma carta como todo suicida faz. Ingrid não era suicida como muitos estão falando. Ela não era depressiva, como querem fazer crer. Ela jamais pensaria em morte.

Ela foi como uma ovelha pro abate. Inocente e sem saber. Guilherme disse que “ela” (Ingrid) foi contra os planos dele e esse monstro matou minha Sol.

Agora vejo pessoas como ele o defendendo, sem se preocupar com nossa dor. Que estão tentando julgar como feminicídio. Mas foi um crime hediondo, cruel, brutal, macabro, planejado. As palavras dele em seu livro ou agenda, e na entrevista durante sua prisão são provas de sua crueldade.

Nós da família da Ingrid, também sabemos que a outra família também está sentindo sua dor.

E nós sentimos muito por eles também.

Todo o nosso amor por nossa filha amada é incondicional, eterno e vivo em nós”.

Nota escrita por Luiz Silva, pai de Sol.