Uma das maiores organizações de esports brasileira, mas novidade no competitivo de Valorant, a FURIA começou sua caminhada dentro do cenário com o pé direito. Durante os qualificatórios para a primeira fase do Valorant Challengers Brasil, a equipe derrubou a atual campeã e melhor equipe brasileira do FPS, Gamelanders.
Com a vitória inesperada de uma equipe recém formada em cima do time que se sagrou como o mais dominante dentro do Brasil na última temporada, os holofotes se voltaram para os Panteras.
Em entrevista ao ESPN Brasil Esports, o técnico principal da equipe, Carlão, falou sobre a entrada da organização na modalidade, deu detalhes sobre a preparação para os campeonatos e contou um pouco sobre a partida.
ENTRADA NO VALORANT E SEMANA DE TREINOS
O início do projeto veio através da aproximação entre Jaime Pádua e Cássio Kiles, co-CEO e sócio da FURIA respectivamente, com o próprio técnico Carlão. À frente do projeto, a busca pelos rostos que hoje representam a marca teve início em dezembro - e não tardou até chegarem nos nomes ideais.
“Eles entraram em contato comigo em dezembro e fizemos uma reunião para dar início nesse projeto da organização no Valorant. A partir de lá, eu, Jaime e Cássio nos juntamos e fomos filtrando jogadores que poderiam fazer parte do projeto e que tem a cara do projeto da organização, que é de revelar novos talentos. Juntando experiência, que é o caso do Xand, com os novos talentos que a gente aposta bastante”, revela o técnico sobre o processo de formação da equipe.
Com o quinteto que representará a organização durante a temporada de 2021 sendo formado por essa mistura de experiência e talentos promissores, Xand, Qck, Khalil, Teddy e o argentino Nozwerr começaram seus treinos oficiais pela FURIA a aproximadamente uma semana e meia atrás.
Agora com todos estes localizados em São Paulo e prontos para treinar, a equipe passou a realizar sua rotina de treinos dentro do gaming office da organização para o mais importante campeonato no momento, o Valorant Challengers Brasil.
“A gente começou a treinar de fato há uma semana aqui no office, foi uma semana com bastante treinos. Evoluímos a cada dia, melhoramos como um time, todos estavam abertos a fazer mudanças e coisas para ajudar o time a crescer. Então a gente fez uma semana de treino muito boa e evoluímos muito, principalmente porque a gente tá no centro de treinamento”, avalia Carlão sobre a primeira semana de treinos da equipe.
Dentro dos esports é comum vermos equipes que acabaram de incorporar um jogador estrangeiro a seu elenco sofrendo no começo. Com o argentino Nozwerr completando o plantel dos Panteras, apesar do mesmo entender o português, ainda possui algumas limitações para se comunicar com seus companheiros.
Para Carlão, o regime de treinos em gaming office ajuda a amenizar o problema. “A gente passa o dia inteiro juntos, então a gente vai conversando, com ele aprendendo um pouco a cada dia e a gente aprendendo algumas palavras que ele fala. Então é meio natural, nosso planejamento foi deixar as coisas acontecerem naturalmente”.
Recém-formada, é natural que uma equipe passe por dificuldades nos primeiros momentos para se encaixar - principalmente com tão pouco tempo de treinos. No entanto, Carlão afirma que o elenco desempenhou bem em todos os outros aspectos e que a maior barreira e dificuldade encontrada foi a comunicação.
PREPARAÇÃO PARA A QUALIFICATÓRIA
Ainda com a dúvida pairando sobre sua cabeça de como o time performaria em seu primeiro grande campeonato com os problemas na comunicação, os jogadores mostraram ao técnico que não havia porque se preocupar.
“Fiquei com receio sim de chegarmos com a comunicação ruim e isso afetar a gente. Mas quando entramos no campeonato, desde o primeiro jogo, nossa comunicação foi muito limpa, muito boa e muito melhor do que eu esperava”, relembra o técnico.
time não, seleção.
— FURIA (@FURIA) January 23, 2021
anunciamos o primeiro jogador da nossa equipe de VALORANT.
BEM-VINDO À FURIA, @xandfps! 🔥#GOFURIA #DIADEFURIA #FURIAValorant pic.twitter.com/ysJNWNdHXT
Com o problema de comunicação amenizado, mas não resolvido, os Panteras entraram para jogo e venceram seus três primeiros confrontos das qualificatórias. Em sua primeira melhor de três, venceu a equipe ChesterNo sem muitas dificuldades levando a série por 2 a 0.
Entrando nos servidores com o peso de vestir a pesada camisa da FURIA, o técnico acredita que o treino tranquilo e focado em abusar de seus pontos fortes adotado pela equipe foi um dos fatores para que começassem tão bem o torneio.
“Não criamos expectativas altas pro campeonato, lógico que vamos entrar para ganhar independente do campeonato, só que fizemos uma preparação muito tranquila. Sem colocar peso nas costas de ninguém, sem fazer com que o peso de ser FURIA prejudique alguém, pelo contrário. Os meninos tem muita personalidade, então eles vestiram a FURIA e não foi um peso, virou um gás, virou uma força”, diz.
O JOGO CONTRA A MELHOR EQUIPE DO BRASIL
Passadas suas quatro primeiras partidas, a primeira grande montanha que os Panteras tiveram que enfrentar foi justamente a maior de todas. Campeã do First Strike brasileiro, a Gamelanders encontrou a FURIA na chave do qualificatório e, para a surpresa de muitos, foi derrotada.
Sem poder assistir o jogo e acompanhando-o através da cobertura por “rádio de pilha” que algumas personalidades fizeram no Twitter, os fãs de Valorant viram a gigante Gamelanders ser derrotada pela FURIA.
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— FURIA (@FURIA) January 27, 2021
Entrando sem pressão e como os underdogs do confronto por conta do pouco tempo de vida do time, os Panteras garantiram a vitória por 2 a 0 e avançaram para o Top 8 do Valorant Challengers Brasil.
“Eles são o melhor time do Brasil, isso é fato, então entramos super focados porque a gente sabia que ia ser um jogo muito difícil. Nos preparamos sabendo que estávamos entrando sem pressão, a gente é FURIA, vamos entrar pra ganhar sempre, mas temos apenas uma semana de time com novos talentos que ainda precisam passar por diversas experiências para eles se lapidarem, então a gente entrou muito leve”, fala sobre a preparação para jogar contra a Gamelanders.
Sem muitas informações disponíveis sobre o embate, Carlão revela que a série “não foi fácil. Foi um jogo muito complicado porque ele foi decidido em detalhes. A gente que tá dentro do jogo sabe que foi um detalhe que mudou o jogo e que fizeram a gente ganhar vantagem e levar a vitória em cima deles. Não foi um jogo dominante do nosso lado, inclusive começamos perdendo os dois jogos”.
Para o técnico, apesar dos começos difíceis que enfrentaram contra a campeã brasileira, dois fatores foram extremamente importantes para voltarem ao jogo: o fato de estarem jogando tranquilos e uma jogada de Teddy, que levantou a moral da equipe e fez com que a mesma deslanchasse na partida.
“Ali foi o começo da nossa virada. Quando ele fez essa jogada a equipe voltou muito pro jogo, todo mundo começou a fazer jogada importante, clutches e rodadas decisivas”, lembra do 1v4 protagonizado por Teddy.
1x4, eu sou leão R$ pic.twitter.com/CJ1c2cjJs3
— FURIA teddy (@teddyfps1) January 27, 2021
PRÓXIMOS PASSOS
Após o complicado jogo contra a melhor equipe brasileira, os Panteras avançam no sonho de ser uma das representantes brasileiras nos campeonatos internacionais do Valorant Champions Tour.
Comandando a nova safra de talentos que representam a FURIA no FPS, apesar da classificação, Carlão admite que, independente do time que irá enfrentar e da situação, ter uma rotina de treino constante e bem definida é prioridade para a equipe.
“Mesmo se a gente ganhar ou perder da Gamelanders, ou de qualquer outro time gigante, a gente vai estar na mesma hora todo dia treinando do mesmo jeito que a gente treina. Não vamos abaixar ou aumentar o ritmo de treino por conta de um ou outro resultado, então a gente fez um estudo para saber qual é a melhor rotina pra gente e vamos segui-la do começo ao fim”.
Com a vitória sobre a Gamelanders, a FURIA garantiu sua classificação na primeira fase do Valorant Challengers Brasil. Neste sábado a organização enfrenta a Galaxy Carrots pela disputa por uma vaga para a Fase 2 do VCB.
