Após sete anos ajudando o cenário de League of Legends a se consolidar no Brasil através do CBLoL, o comentarista Tixinha anunciou no começo da semana sua migração para o Valorant, título mais recente da Riot Games. Mais tarde na semana, Melão anunciou que se juntaria ao comentarista nessa transição entre os jogos.
Desde seu lançamento no começo de junho, o novo FPS vem provocando a migração de diversos profissionais já estabelecidos em outros jogos, que entram no novo cenário buscando novas oportunidades e novos ares para suas carreiras.
Em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil, Tixinha explicou melhor a decisão de deixar o cenário de League of Legends e se dedicar ao novo título da empresa.
APROXIMAÇÃO COM O NOVO TÍTULO
Quem conheceu o comentarista através de suas piadas infames durante sua passagem pelo CBLoL, talvez nem imagine que Tixinha já foi jogador profissional. Em meados dos anos 2000, o jovem ingressou no mundo dos esports após conhecer e começar a jogar o Counter-Strike 1.6.
Apesar de suas investidas e tentativas de se tornar um dos grandes jogadores brasileiros de CS na época, o jovem não teve muito sucesso.
“Eu sou um cara que cresceu no meio dos esports jogando FPS. Pra quem não sabe eu fui pro player de CS 1.6, joguei na CNB em 2009 - isso antes do LoL existir. Então eu já tenho um histórico com FPS”, relembra.
Acostumado com os jogos de tiro, a aproximação e interesse no novo título veio de forma natural ainda no último ano, quando, enquanto participava de uma reunião da empresa, ficou sabendo sobre o futuro lançamento do Project A - que mais tarde viria a se chamar Valorant.
É ISSO! ENTREGUE O FIRST STRIKE! Eu fiz com todo amor meu trabalho e espero que tenham gostado.
— Tixinhadois (@tixinhadois) December 7, 2020
Toda produção, casters, jogadores, vocês são maravilhosos, obrigado por isso 👊🏻
2021 promete, esperem o Tixinha com mais lives e mais Valorant
“Em 2019 a gente teve uma reunião e, por estar lá dentro, recebi o spoiler de que teria um FPS. Aí eles anunciaram ele no evento de 10 anos da Riot e a partir dali eu pensei ‘Será? Se o jogo for legal vou querer trabalhar com ele’. Em março eu consegui a chave do beta no NA, comecei a jogar e não parei desde aquele dia. Sem mentira”, confessa o comentarista.
Foi durante o lançamento dos betas do FPS ao redor do mundo, que a história do comentarista de 30 anos começou a se transformar e a levá-lo a um título diferente daquele que tanto se dedicou nos últimos sete anos.
MOTIVAÇÕES PARA A MUDANÇA
Dar um passo em direção ao desconhecido e a um novo desafio não é algo fácil para a maioria das pessoas. Sair da zona de conforto e de um lugar que já está acostumado é algo que incomoda, mas muitas vezes necessário para a evolução.
“É muito complicado. Tem muita gente que deve achar que foi fácil, mas não foi. Eu jogo LoL desde 2010 e trabalho desde o final de 2012, comecei a ser caster em janeiro de 2013. Então foram sete anos de casting, construindo a história do League of Legends então não foi fácil. É uma zona de conforto querendo ou não”, comenta Tixinha.
Buscando novos ares e desafios para sua carreira, Tixinha decidiu reiniciar. Buscando “aquela mesma garra” que tinha no começo do cenário de League of Legends lá em 2014, o comentarista deu uma passo à frente e aceitou o desafio. Decidiu tornar aquele lugar ainda em crescimento e inexplorado, em sua nova casa.
“Eu já queria algo novo para a minha carreira, um desafio novo. Eu senti que de 2019 para 2020 eu já não era o mesmo Tixinha de 2013-2014 sabe? Então quando eu comecei a conhecer o jogo, a comunidade, eu vi que eu estava muito empolgado e criando coisas ‘automaticamente’. Eu pensava ‘Nossa, quero fazer coisas para o Valorant. Nossa, pensei em um projeto’, foi aí que caiu a ficha”, analisa.
Considerado como um dos precursores daqueles que ajudaram o League of Legends a se tornar o sucesso que é hoje como um dos maiores cenários de esports do Brasil (e até mesmo do mundo), o objetivo do comentarista hoje é ajudar a fazer o mesmo com o novo título.
“Foi quando eu pensei ‘Eu tenho que trabalhar com esse jogo. Minha missão já tá feita no LoL, eu construí muita coisa, fiz muita coisa, criei muito conteúdo e tentei fazer parte de muita coisa e ajudar o cenário a crescer’. Sinto que eu fiz um pouquinho, bem pouquinho, mas sinto que fiz parte desse cenário, que ajudei o LoL a ser o que é hoje no Brasil e quero tentar fazer um pouco do mesmo no Valorant”, complementa.
O MOMENTO DECISIVO
Entre os dias 03 e 06 de dezembro, Tixinha fez parte da equipe de transmissão do First Strike, primeiro campeonato oficial de Valorant organizado pela Riot Games, atuando como apresentador e analista.
Quando perguntado sobre se a participação no casting do campeonato tinha servido como uma “cartada final” para sua decisão, Tixinha confessa que sua ida ao FPS “já estava decidida antes do First Strike” e que “internamente já estava conversado e fechado”.
“O First Strike foi meio que um teste para ver se eu vou ser bom no FPS, se eu vou conseguir porque sair de um MOBA para um FPS é uma dinâmica muito diferente [...] Mas eu queria passar pelo First Strike para entender realmente a atmosfera, o clima e depois dele eu pensei ‘É isso. Vamo! Dá pra ter outro First Strike semana que vem, por favor?’”, fala dando risada e com um sorriso no rosto.
FUTURO NO VALORANT
Apesar de toda a ansiedade e expectativa para essa nova fase em sua vida, Tixinha não nega que existirão obstáculos pela frente que a equipe terá que enfrentar para conseguir estabelecer um bom cenário, e uma boa equipe de transmissão, nos próximos anos.
“O problema e a dificuldade é na hora do casting, na hora do entrosamento de uma transmissão. O Schaeppi, Gstv, Melão, Toboco, etc. a gente tem um feeling que eu sei na entonação do Schaeppi quando ele quer passar pra mim. Eu sei, antes da pandemia, no jeito que ele olha pra mim o que ele quer que eu fale ou que lado que ele quer que eu leve a conversa, e assim vai. Então é um entrosamento de seis, sete anos fazendo transmissão juntos”, observa Tixinha.
Mesmo com esses problemas, que só serão resolvidos com o passar do tempo, Tixinha mantém o otimismo e crê que, se a equipe se manter a mesma da que se apresentou no First Strike, não terá tanta dificuldade para alcançar o seu 100%.
“Eu acho que isso vai demorar para ser construído no Valorant, não é simples, mas se forem os casters do First Strike, o BiDa e o Nicolino, que seria o par que eu faria dentro do jogo, são dois caras que são meus amigos a muito tempo e eu sempre tive um sonho de fazer transmissão com eles. Então acho que não vou ter dificuldades e to bem ansioso para trabalhar com a galera do FPS”, conclui.
