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Mwzera: A história do melhor jogador brasileiro de Valorant

Mwzera é considerado por muitos o melhor jogador brasileiro (e até mesmo mundial) de Valorant Riot Games

“O cara não existe, ele é de outro mundo”.

Essa foi a frase escolhida por Nyang, JhoW, Jonn e Fzn, jogadores de Valorant da Gamelanders, para descrever seu companheiro de equipe, Mwzera. É assim que a história do jovem será contada, a partir de relatos de seus companheiros de time, que participam dessa caminhada desde muito antes da criação da Gamelanders.

Aos 12 anos, Leonardo Serrati, hoje conhecido como Mwzera, iniciou sua jornada dentro do cenário competitivo de jogos de tiro.

Pulando de jogo em jogo até conseguir encontrar aquele que lhe daria a oportunidade de alcançar a glória e destaque que tanto buscava, Mwzera encontrou em Zula uma chance que definitivamente lhe ajudaria a começar sua jornada dentro do cenário competitivo de FPS.

O INÍCIO DE TUDO

Com boas premiações nos campeonatos e a popularidade do FPS na época, o jogador viu-se motivado a tentar sua sorte dentro do shooter. Através do time formado por amigos, disputou as seletivas para o Mundial do jogo de 2018 representando a Team oNe, onde chegaram até a grande final contra a Black Dragons.

E foi assim que, sem saber, sua história com parte dos jogadores da Gamelanders começou a ser escrita.

Na grande final, que daria à grande vencedora uma vaga no Zula World Cup 2018, em uma série com partidas acirradas os Golden Boys foram derrotados pela Black Dragons, que possuía em seu elenco os jogadores Jonn e JhoW, seus futuros parceiros de time.

“Quando a gente foi jogar a final contra ele, já tínhamos treinado muitas vezes contra. Disparado ele já era o melhor jogador do Zula naquela época”, comenta Jonn.

“Sabíamos que ia haver mudança em algum momento na nossa line assim que voltamos da seletiva. Quando a gente jogou contra ele, o jogo foi muito difícil por causa dele, ele dificultou muito o jogo. Foi quando o Jhow virou pra mim e falou ‘Cara esse moleque é um prodígio. A gente tem que chamar ele pro time’”, completa.

Ganhando destaque dentro do cenário com sua mira afiada e suas habilidades dentro de jogo, o jogador passou a vestir o manto da Black Dragons ao lado de Jonn e JhoW após a derrota na grande final.

Ao lado de seus novos companheiros de time, Mw compôs a equipe que viria a dominar o cenário nos campeonatos seguintes. Lado a lado, a equipe conquistou o título do Circuito Elite de Zula na BGS 2018 e mais tarde se classificou na seletiva como representante brasileira para o mundial de 2019, na Turquia.

Apesar da popularidade do Zula na época, o jogo passou por problemas que levaram o cenário competitivo a um declínio, resultando no cancelamento do Zula World Cup 2019. Estabelecido como um dos melhores jogadores do jogo, o enfraquecimento do cenário competitivo do título fez com que Mwzera tivesse que buscar um novo título para continuar escrevendo sua história.

QUEBRANDO PAREDES

A busca por um novo jogo para tentar trilhar o caminho de jogador profissional foi cessada quando o jovem, acompanhado de seus companheiros de equipe no Zula, encontrou o Rainbow Six Siege.

Apesar da dinâmica do jogo ser totalmente diferente daqueles que estão no topo do cenário dos FPS e do Zula, a razão para Mwzera e seus companheiros apostarem suas fichas no jogo foi por encontrarem no título da Ubisoft algo que não tinham encontrado em nenhum outro até o momento: estabilidade.

“O que a gente buscava indo para o Rainbow Six era estabilidade, como o apoio da Ubisoft. Visando isso e o que a gente tinha para mostrar, a gente resolveu ir para o R6. Fomos com o time inteiro que jogava no Zula”, relembra JhoW.

Ao lado de seus companheiros da época de Zula, o jovem buscou recriar o sucesso que havia tido anteriormente dentro do Rainbow Six. No entanto, apesar da estabilidade do jogo já consolidado dentro do cenário de esports, o timing da migração para o jogo foi "errado".

Com o cenário já em desenvolvimento desde o lançamento do jogo em 2015, tentar se encaixar dentro do mesmo quatro anos depois foi uma tarefa difícil para os jogadores.

A migração veio em 2019, um ano onde o competitivo de R6 estava em ascensão, com investimentos de notórias organizações internacionais em equipes brasileiras, jogadores representando o Brasil internacionalmente e grandes nomes consolidados no cenário. E se encaixar nesse cenário não foi algo fácil, o que causou até mesmo na desistência de Jonn em tentar seguir esse caminho.

“Entramos nele [cenário de R6] e ele já tinha uns quatro anos de vida. Então o tanto que o pessoal sabia para gente era completamente absurdo. A experiência, jogos que eles jogavam no estúdio, já moravam em GH. Então para a gente correr atrás daquele pessoal era coisa de um ano e meio, dois anos, para conseguir se aproximar e ter um nível aceitável para o Tier 1”, analisa JhoW.

A chance do jogador de tentar alcançar a elite do Rainbow Six veio ao representar um time na Challenger League Season 11, que teve início no começo do ano. Acompanhado de JhoW, Mwzera e o resto da equipe tiveram um bom começo no campeonato, mas viram o bom rendimento cair por conta de brigas internas.

Amargurando o penúltimo lugar do torneio e desanimado com o resultado, foi com o anúncio de Valorant em 2020 que os olhos do jogador voltaram a brilhar.

Habilidade, conhecimento e experiência são atributos que Mwzera já possuía. A única coisa que faltava para o jovem era encontrar o jogo certo. Um jogo que poderia começar a jogar competitivamente e criar seu legado desde seu lançamento.

“Nesse meio tempo [jogando R6] saiu o anúncio do Valorant e eu cheguei no Mw e falei ‘Esse jogo veio pra salvar a gente. A gente tem todo o potencial do mundo, o que falta é só oportunidade e encontrar um jogo no começo’. Aí a gente conversou com o Jonn e na hora ele aceitou”, comenta JhoW.

Com os betas acontecendo no primeiro semestre do ano, o jogador decidiu deixar o Rainbow Six e, mais uma vez, buscar o sucesso em outro jogo; dessa vez, no novo título da Riot Games.

ACENDENDO A PRIMEIRA FAÍSCA

A chegada de Valorant foi como um presente. Um jogo novo, com um cenário competitivo promissor e talvez o principal dos fatores: sendo gerenciado pela Riot Games, empresa responsável por tornar League of Legends o sucesso que é hoje em dia.

A segurança de que o cenário competitivo estará em boas mãos e a oportunidade de começar do zero simultaneamente com o desenvolvimento do jogo, foram motivos mais do que suficientes para que Mwzera fizesse a migração para o novo título.

Começando a jogar no beta do servidor norte-americano logo em seus primeiros dias de lançamento ao lado de Jonn e JhoW, foi por lá onde conheceu aqueles que viriam a se tornar seus futuros companheiros de equipe na Gamelanders, Nyang e Fznnn.

“Todas as vezes que a gente jogava uma partida eu tava com o Fznnn e mais um pessoal, e o Jonn, JhoW e Mw estavam jogando com outra galera. Então toda vez que a gente procurava partida, a gente caia contra”, lembra Nyang.

Com um time praticamente fechado, mas sem a certeza dos dois outros jogadores do time, foi se encontrando nas partidas do servidor internacional que Mwzera se aproximou de Nyang e Fznnn. Após o trio cair contra a dupla diversas vezes, os jogadores decidiram se juntar e testar como seria o entrosamento da equipe.

“O Fznnn deu a ideia para o Jonn de entrar ele e eu no lugar dos dois jogadores, e foi quando tivemos o primeiro contato direto com o Mw. Antes disso, como a gente jogava muito contra, já sabíamos do potencial que ele tinha”, completa Nyang.

Acertaram em cheio.

Antigos conhecidos do Point Blank, Nyang, Fznnn, Jonn e JhoW se juntaram à Mwzera e criaram a Gamelanders, uma das primeiras equipes brasileiras de Valorant e sem dúvidas a mais dominante.

UMA CARREIRA RADIANTE

Ainda durante o período beta do jogo, Mwzera já causava o terror por onde passava e deixava jogadores bravos com sua habilidade.

“Logo nos primeiros dias de Valorant o pessoal chorava muito para o Mw. Falavam: 'Eu consigo trocar tiro com qualquer pessoa desse jogo, menos com ele’. Era assim em todas as partidas que a gente jogava contra eles”, comenta Nyang.

Infelizmente, velhos problemas voltaram a aparecer. Seu computador, que antes havia se tornado um problema para tentar crescer dentro do CS:GO por ser fraco, voltou a se tornar uma pedra em seu caminho.

Além disso, como todo jovem que deseja se tornar um jogador profissional, Mwzera também enfrentava problemas dentro de casa, com cobranças sendo feitas por seus pais para o jovem ingressar em uma faculdade ou conseguir um emprego.

Com um salto de fé, o jogador confiou em seu futuro no jogo, ignorou as cobranças e decidiu investir tudo em seu sonho. Parcelou um computador a longo prazo para poder se dedicar à sua carreira, sem nem mesmo saber como conseguiria dinheiro para pagá-lo.

Pouco mais de uma semana depois do lançamento oficial dos servidores ao redor do mundo, os jogadores "decidiram, depois desse tempo caindo contra, se juntar e oficializar a line para o primeiro campeonato, que foi a Copa Rakin”.

Foi lá que, pela primeira vez, Mwzera mostrou suas habilidades a um público maior e sagrou-se campeão.

O campeonato organizado pelo streamer serviu como um divisor de águas para a carreira do jogador. A repercussão em cima da performance da equipe fez com que o jogador se destacasse e levasse o MVP da edição. Desde então, o jovem vem impressionando os espectadores com suas jogadas e colecionando elogios por todos os campeonatos que passa.

Com 19 anos, sete anos após a sua entrada no mundo dos games e pouco menos de seis meses após o lançamento de Valorant, como pessoa, Mwzera continua o mesmo jovem humilde de quando conheceu seus companheiros de equipe.

“Mesmo ele tendo ganhado tudo, ele continua o mesmo cara. Nunca me tratou diferente, a gente sempre se tratou do mesmo jeito desde que nos conhecemos”, diz Fznnn.

No entanto, dentro de jogo a evolução do jogador é nítida. Heptacampeão ao lado da Gamelanders, Mw hoje figura no topo do ranking de média de pontuação de combate (ACS) do site vlr.gg.

“Nesses seis meses todo mundo evoluiu junto. Mas ele praticamente evoluiu 300% mais do que todo mundo eu acho. Ele é um cara sensacional e dedicado, quando quer fazer algo, vai e faz. Ele passa muita confiança pra gente também”, analisa Fznnn.

Atualmente, Mwzera é considerado um dos melhores jogadores do Brasil e foi coroado o MVP do First Strike, primeiro campeonato organizado pela Riot Games. Há até mesmo quem diga que Mw é o melhor jogador do mundo.

Sua mira insana e seu conhecimento de jogo, aliado à segurança e liberdade que seu time lhe dá para fazer suas jogadas, torna Mwzera um dos nomes mais temidos do Brasil.

Por enquanto, o jovem mostrou seu potencial apenas para o Brasil, mas a partir de 2021, com a possível chegada de campeonatos internacionais que dependerá de como se desdobrará a pandemia do COVID-19, poderá começar a escrever sua história no jogo em escala global, e quem sabe, concretizar a ideia de ser o melhor do mundo.