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De Faker a Ninja: as estreias mais notáveis do mundo dos esports

Zion Williamson. Derick E. Hingle/USA TODAY Sports

A primeira escolha do New Orleans Pelicans, Zion Williamson, fez sua tão antecipada estreia profissional na última semana, terminando com 22 pontos, sete rebote e três assistências. Os destaques da estreia de Williamson aconteceram no quarto tempo, quando o jovem de 19 anos fez quatro cestas consecutivas de três pontos para agitar a torcida local e dar a seu time uma de suas primeiras vantagens da noite.

Espera-se que a quarta-feira da semana passada seja o começo de uma grande história para Williamson, o fenômeno adolescente que está no centro das atenções desde que clipes de seus incríveis slam dunks começaram a circular nas mídias sociais, quando ainda era um jogador do ensino médio.

Os esports tiveram um bom número de estreias como a de Zion ao longo dos anos. Alguns brilharam no ato de abertura, mas nunca alcançaram todo o seu potencial. Outros fracassaram em sua primeira vez sob os holofotes, mas fizeram o oposto desde então, transformando de prospectos a estrelas. Para alguns, ainda não há uma decisão sobre a correspondência de expectativas que vêm com o hype de serem vistos como o futuro de seu jogo.

Aqui está uma lista de algumas das estreias mais antecipadas nos esports e como tudo aconteceu.

Lee "Faker" Sang-hyeok (League of Legends)

Em 6 de abril de 2013, um garoto de 17 anos teve o que parecia ser uma nação inteira assistindo a todos os seus movimentos. Enquanto jogava na equipe de esports mais famoso da Coreia do Sul, a SK Telecom T1, o novato enfrentou um dos melhores times do país, CJ Entus Blaze. Faker, jogando na posição de mid laner, encarou o melhor mid da Coreia do Sul, Kang "Ambition" Chan-yong, em uma batalha do que deveria ser o futuro enfrentando o presente. O resultado? Faker derrotou Ambition sozinho no início da partida e seu time nunca olhou para trás, levando rapidamente para casa a série. A estreia perfeita se transformou na carreira perfeita. Quase sete anos desde sua vitória sobre Ambition e CJ Entus Blaze, Faker conquistou todos os torneios possíveis, acumulando oito títulos nacionais e três mundiais. Fora do jogo, ele se tornou um dos jogadores mais reconhecidos do mundo, da China a Nova York, onde uma vez lotou o Madison Square Garden durante uma semifinal do mundial em 2016.

Lee "Flash" Young-ho (StarCraft II)

De uma lenda sul-coreana para outra, a história de Flash é um pouco diferente de Faker. Flash, um prodígio de StarCraft: Brood War, dominou o jogo e se tornou seu campeão mais condecorado, ganhando inúmeros campeonatos como parte da KT Rolster. Com o anúncio e a estreia da sequência do jogo, StarCraft II, e seu impacto imediato no oeste com torneios surgindo em todo canto, parecia apenas uma questão de tempo até que o melhor assumisse o desafio de aprender a sequência.

Flash finalmente estreou no StarCraft II em 20 de maio de 2012, perdendo por pouco contra o rival da Brood War, Kim "EffOrt" Jung-woo, que também estava migrando para o novo jogo. Isso foi o equivalente a Michael Jordan se aposentar no pico do Chicago Bulls e assinar com um time em Slamball, a variante de basquete jogada em trampolins. Flash nunca encontrou o mesmo sucesso que no jogo original, decidindo finalmente voltar às suas raízes com o StarCraft original depois de se aposentar da sequência em 2015.

Agora com 27 anos, Flash está completando seus dois anos de serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, tendo vencido seu último grande torneio de Brood War antes de partir para o exército em setembro do ano passado.

Tyler "Ninja" Blevins (Fortnite)

Assim como Flash, Fortnite não foi a primeira experiência de Ninja no mundo dos videogames profissionais. Antes do famoso battle royale chegar em 2017, Ninja era um ex-profissional de Halo, passando por uma variedade de equipes e se tornando um dos maiores streamers do jogo. Quando Fortnite começou a assumir o controle das plataformas de streaming, os reflexos rápidos e os movimentos de dança de Ninja tornaram-se sinônimos do jogo.

Na Party Royale Celebrity Pro-Am de 2018, durante a semana da E3 em Los Angeles, Ninja teve sua primeira estreia presencial com o jogo para mostrar suas proezas contra outros streamers e celebridades. Embora não esteja no mesmo nível dos torneios subsequentes, o Pro-AM foi um teste beta para ver como o Fortnite se sairia diante de uma grande plateia ao vivo no Bank of California Stadium. Foi também um teste para ver se Ninja poderia fazer jus ao papel de rosto do Fortnite.

Ninja e seu par famoso, Marshmello, não decepcionaram o público, desempenhando bem quando importava, vencendo o evento e deixando os fãs felizes em casa. Desde então, Ninja cresceu apenas como personalidade, inclinando-se mais para o mundo de um artista do que de um jogador competitivo, juntando-se recentemente à Adidas para produzir sua própria linha de calçados e transmitindo exclusivamente no Mixer após um acordo histórico com a Microsoft.

Kim "Geguri" Se-yeon (Overwatch)

Antes de se tornar profissional, Geguri teve que provar a si mesma mais do que o amador médio. Embora ela tenha se mostrado uma promessa online, as habilidades de Geguri foram questionadas, com vários profissionais acusando-a de roubar. Depois de finalmente provar sua inocência e demonstrar sua habilidade em um ambiente presencial, Geguri foi contratada pela ROX Orcas da Coreia do Sul e competiu no domesticamente.

Geguri assinou com o Shanghai Dragons da Overwatch League no meio da temporada inaugural da liga, mudando-se para Los Angeles para se juntar à equipe. Ela fez sua estreia internacional em 4 de abril de 2018, jogando contra o Dallas Fuel, e se tornou a primeira mulher (e, até o momento, única) a jogar na Overwatch League. Um ano e meio depois de sua estreia, Geguri continua sendo parte do Dragons, com a equipe de olho em uma conquista de campeonato em 2020.

Rasmus "Caps" Winther (League of Legends)

Aqui temos a beleza (e o horror) dos esports. Embora Zion possa ter uma carreira de duas décadas, a média geral de uma estrela de esports parece ser algo por volta de três anos. As coisas acontecem rapidamente no esports, e é por isso que aos 16 anos de idade, na Turquia em 2016, Caps estava sendo chamado de "Baby Faker" pelo talento que ele exibia como amador. Quando ele foi contratado pela europeia Fnatic para fazer sua estreia profissional, o tapete vermelho já estava preparado para o que deveria ser a resposta da região aos melhores do mundo.

Sua estreia, em 19 de janeiro de 2017, terminou com uma derrota para a G2 Esports e seu mid laner Luka "Perkz" Perković. Caps superaria seu nervosismo em seu ano de estreia para chegar à final mundial com a Fnatic em 2018, perdendo para a Invictus Gaming da China. Em uma transferência impressionante na offseason, Caps se juntou a Perkz e foi para o G2 Esports, com o capitão mudando de posição para deixar Caps jogar na rota do meio. A dupla causaria estragos em 2019, com Caps mais uma vez chegando à final mundial, embora tenha perdido novamente para um time chinês, a FunPlus Phoenix.

Em 2020, Caps passou para a posição de atirador, permitindo que Perkz retome seu papel como mid laner da G2. Embora ele tenha abandonado o apelido de ser um pequeno Faker, inclusive tendo eliminado a lenda sul-coreana em torneios internacionais, a estrela dinamarquesa ainda carece de um título mundial. Com o mundial ocorrendo na China este ano, talvez a terceira vez seja a hora de Caps.

Mathieu "ZywOo" Herbaut (Counter-Strike: Global Offensive)

Um prospecto valioso na cena amadora por anos, o francês ZywOo entrou no mundo profissional no final de 2018, assinando um contrato com a Vitality, o clube de esportes de seu país de origem. Sua estreia offline ocorreu na DreamHack Open, em Atlanta, e no final do torneio, todos no mundo do Counter-Strike conheceram o nome de ZywOo. Nas semifinais contra a Complexity, o adolescente francês teve números surpreendentes, com 31 eliminações em jogos consecutivos para garantir sua equipe na final. Na final, ZywOo e Vitality marcaram a estreia extraordinária, vencendo a brasileira Luminosity e com o novato mais uma vez estrelando como se estivesse jogando contra profissionais há uma década.

Como foi o ano de 2019 para o ZyWOo? Ah, nada mal. Ele teve apenas um dos melhores anos estatisticamente da história do jogo e foi escolhido o melhor jogador de Counter-Strike em 2019 pela HLTV. Ele dominou o ano, conquistando vários prêmios e troféus de MVP com sua equipe ao longo do caminho e posicionando-se como um dos rostos mais reconhecíveis nos esports na próxima década. O céu é o limite para ZywOo, e depois de uma ótima temporada de estreia, ele provavelmente vai buscar vencer um mundial em seu segundo ano como profissional.

Topias Miikka "Topson" Taavitsainen (Dota 2)

Para ser sincero, comparado ao restante dos nomes dessa lista, Topson não se encaixa. Quando a maioria dos outros era bem conhecida em outros jogos antes de sua estreia ou hypados como amadores, a entrada de Topson em jogos profissionais aconteceu de forma tardia. Problemas internos na europeia OG culminaram na saída de seus principais jogadores antes do mundial de Dota 2, o International. Em seu lugar, Topson, um novato finlandês com apenas conquistas online e sem experiência presencial, juntou-se à equipe durante seu processo de qualificação na esperança de fazer um nome para si mesmo.

Então, por que Topson está na lista?

Topson teve a maior estreia na história do esports. De fato, ele possivelmente teve a maior estreia na história do esporte. Topson e a OG, que não eram considerados favoritos no mundial de 2018 por vários especialistas (com alguns até dizendo que eram o pior time de lá), venceram tudo. Imagine um quarterback novato sendo inserido no Super Bowl com zero experiência profissional e, em seguida, liderando seu time no campeonato. Foi o que Topson fez, vindo do nada para ganhar mais de US$ 2 milhões em seu primeiro grande torneio.

É aqui que você espera que Topson seja um acaso e decaia, certo? Bem, ele apenas aumentou sua lenda junto com o resto da OG. O time fez o impensável e venceu o campeonato mundial novamente em 2019, e Topson fez uma dobradinha em seus primeiros anos como jogador profissional. Somente nesses dois torneios, Topson ganhou mais de US$ 5 milhões.

Bate essa, Zion.

* Matéria publicada originalmente em inglês no ESPN Esports.