Durante a BGS 2019, evento realizado no começo de outubro em São Paulo, o ESPN Esports Brasil teve a oportunidade de falar com alguns dos principais jogadores profissionais do Brasil sobre Fifa 20. Após pouco mais de 3 semanas de jogatina, os pro players deram suas primeiras impressões sobre o que foi e o que não foi corrigido no novo game da franquia.
Confira o que Thiago "TMaciel" Maciel, Rodrigo “Digo”, Éber ''Ebinho'' Bernardes, Marcelo “Lobão” Júnior, Lucas “Rep” Gonçalves, e Rafael “Rafifa” Fortes acham de Fifa 20:
O QUE VOCÊ ACHOU DE FIFA 20 ATÉ AGORA?
Para começar, perguntamos as impressões de cada pro player desde o lançamento de Fifa 20. Em geral, eles aprovam o game após uma péssima experiência com Fifa 19 e seu novo sistema de marcação. TMaciel: “Fifa 20 é um jogo bom, mas muito difícil. Mudou bem em comparação ao Fifa 19, pois sua marcação está mais ‘manual’. No 19, marcar era algo mais muito mais automático”.
Ebinho também cita a marcação, pois acha que o jogo afeta menos a jogabilidade: “estou gostando bastante, pois é bem melhor que Fifa 19. Não curti a troca de cursor de controle, pois ficou muito aleatório. Já a marcação, bem mais manual, oferece maior controle ao jogador. Isso é um elemento importante, já que você deve ser melhor que seu adversário na partida e não depender de elementos automáticos. O jogo está influenciando menos a partida”.
Rep, que acaba de assinar com a equipe NSE, segue a mesma linha de pensamento: “estou gostando, pois melhoraram a marcação. Antes era muito automático, o jogo fazia por você. Agora, o jogador que sabe marcar é bastante favorecido, pois marca com maior precisão”.
Lobão acredita que a EA ouviu os jogadores de Fifa: “após vários anos de reclamações da comunidade, acho que Fifa 20 é um jogo bom. Os últimos games não permitiam que realmente queriam fazer uma boa marcação, com a ação direta dos zagueiros. Agora você é convidado a jogar. É um jogo que permite você trabalhar as jogadas, premia a noção de jogo. Nos games anteriores havia muitos lances de sorte, como cruzamentos feitos de qualquer jeito ou chutes de qualquer posição do campo”.
Rafifa, que também acaba de chegar à NSE, vê Fifa como uma espécie de alívio: “Fifa 20 é um jogo ‘OK’, longe de ser perfeito. Jogo desde o 12 e o 19 foi o pior na minha opinião. Quando estávamos na temporada do Fifa 18, os jogadores pensavam que nada poderia ser pior, mas o 19 acabou sendo. Há espaço para melhorar bastante”.
Porém, o ex-jogador do Paris Saint-Germain tem uma visão diferente da marcação: “é interessante, mas como não podemos controlar muitos jogadores ao mesmo tempo, a marcação sob pressão fica prejudicada, permitindo um toque de bola excessivo no jogo. Quem for bom no toque de bola e estiver na frente do placar, pune o adversário. Creio que se melhorarem no futuro o roubo de bola, equilibre mais o game”.
Por fim, Digo cita a maior novidade de Fifa para este ano, o modo de jogo Volta: “Fifa 20 é bem melhor que seu antecessor e gostei bastante de Volta. Quando não encontro adversários no Ultimate Team, arrisco o Volta. Dá para treinar dribles, em como dar bote no adversário na hora certa, entre outras coisas”.
ALGO FOI CORRIGIDO?
Se o saldo é positivo até o momento, o que Fifa 20 corrigiu em relação aos seus antecessores?
Rafifa e Ebinho aprovaram a diminuição de lances com levantada de bola no game. Rafifa: “não curtia a pegada de ‘futebol de areia’ de Fifa 19 e sua facilidade em levantar a bola do chão para chutes e cruzamentos. Isso é bem mais difícil em Fifa 20, já que se trata de movimentos raros no futebol de campo”. Ebinho segue na mesma linha: “tiraram dribles bizarros como ‘El tornado’ e dificultaram os chutes improváveis de costas.
Lobão cita “as sobras de bolas aleatórias e gols de cabeça feitos sem qualquer preparação” e Rep “o refinamento no sistema chute, que tornou o ato mais preciso e menos dependente da barra de precisão”.
Já TMaciel falou sobre as dificuldades em enganar todo o time adversário: “em Fifa 19 era possível driblar em sequência. Agora, você dá no máximo dois dribles, pois a chance de perder no terceiro adversário é bem grande”.
O QUE FICOU FALTANDO?
Como fica o outro lado da questão? O que a EA Sports deixou de fazer em Fifa 20? Exceto pelos servidores, cada jogador aponta erros diferentes deixados para trás.
Digo, por exemplo, aponta que Fifa 20 ainda tem “zagueiros se trombando e jogadores na defesa que não dão combate contra ‘chutes falsos’”. Ebinho vê problemas no em “passes diagonais, já que muitas vezes o jogo não está reconhecendo bem a intenção do jogador e o passe está saindo bem errado, fora de onde queremos tocar”.
Lobão aponta o famigerado “handicap”, elemento apontado pela comunidade como um elemento presente dentro da programação de Fifa 20 para que o jogo interfira diretamente nas partidas a fim de equilibrá-las: ainda considero que exista algo no game que equilibre as ações. Muitas vezes você é superior em campo, mas o adversário consegue marcar na ‘força’. Seria o handicap, que não possuímos provas, mas que sentimos agir no game”.
Tanto Rep quanto Rafifa são incisivos contra os problemas nos servidores. Rep acha, inclusive, que deve ser algo que demore a ser corrigido: “tudo de bom que Fifa 20 possa oferecer pode se perder graças a problemas técnicos como delay”.
Rafia vai além: “o grave problema dos servidores atrapalha muito a experiência. Se você joga em determinado hora do dia, com maior ou menor tráfego, enfrenta um jogabilidade. Se jogar em outro horário, é quase como se fosse outro game. Não há fluidez e temos os atrasos. É péssimo para se jogar profissionalmente”.
Por fim, TMaciel cita um dos pilares do esporte como problema em Fifa 20: “creio os goleiros ainda tenham que ser corrigidos. No esporte, o goleiro é protagonista e salva seu time em diversos momento. No Fifa, ainda está a um nível muito baixo dos demais elementos do game”. Com a atualização liberada nesta terça-feira (15) pode ser a resposta ao problema apontado por TMaciel.
