Meses após uma triste saída da liga europeia de League of Legends (LEC), a Unicorns of Love voltou ao palco conhecido de Berlim para a alegria dos fãs arrasados.
Quando a proposta da UOL para uma franquia na LEC não foi aceita no ano passado, a equipe foi embora sem um local para chamar de lar. Era hora de seguir em frente e deixar os bons momentos para a nostalgia.
Não haveria mais base races doidas na LEC, jogadas imprudentes em Summoner’s Rift que aceleravam o coração (ou eram recebidas com zombaria, dependendo da pessoa com que se fala), ou campanhas esmagadoras nas qualificatórias regionais — onde a UOL falhou na final, ou perto da final, três vezes seguidas.
Como resultado, a família Mallant não participou mais do show ostentando suas cores como fez em todas as semanas de 2015 a 2018 em Berlim. O fã clube, o Love Hurts Crew, desapareceu; alguns juraram nunca mais ir a um jogo da LEC.
A equipe decidiu mudar para a Rússia para outra tentativa de chegar ao Mundial em uma nova liga. Após uma campanha tensa no Summer Split da LCL, a Unicorns of Love teve a chance de ouro de se qualificar. Desta vez, essa chance não foi negada, e o time venceu a Vega Squadron na grande final por 3 a 2 para ir ao Mundial pela primeira vez desde sua criação — que coincidentemente começou na casa da LEC, em Berlim, nesta semana.
“Sinto que a Unicorns of Love ter conseguido se classificar para o Mundial foi o maior presente possível. Finalmente conseguimos”, disse Fabian “Sheepy” Mallant. “Foi uma jornada fascinante”.
A UOL retornou ao estúdio da LEC em Berlim na quarta-feira (2) para um público barulhento que gritava o nome dos jogadores, usava moletons e torcia enquanto o time vencia a Clutch Gaming.
“Ver os fãs é incrível; temos muitos fãs dedicados”, afirmou Sheepy. “Eu sou muito grato pelas pessoas que me apoiam. É algo que você não pode comprar com dinheiro, algo que é dado. Sou muito grato”.
“Estou muito muito feliz de estar de volta aqui. Parece que estou em casa. Passei quatro anos e meio aqui”, complementou.
Quando o time não conseguiu uma franquia na liga, Sheepy não teve escolha a não ser se afastar da organização que criou enquanto buscava um futuro sustentável para si mesmo no competitivo. Ele tinha que fazer um novo caminho e encontrar uma nova casa.
“Havia muitos pensamentos em minha cabeça sobre o que eu deveria fazer”, revelou Sheepy. “Eu recebi muitas ofertas diferentes”.
Naquela época, a SK Gaming estava voltando ao topo do circuito europeu de LoL ao adquirir uma franquia na liga, três anos depois de ser rebaixada. A histórica organização alemã foi a casa de escalações que disputaram o Mundial em períodos diferentes, e estava prestes a escrever um novo capítulo em sua história com uma formação mais jovem.
Sheepy e a SK combinaram bem no papel: o histórico dele e o talento por desenvolver talentos emergentes (que a SK tinha de sobra) eram necessários. Mesmo assim, depois de um início de 3-5 no Spring Split da LEC, ambas as partes decidiram seguir caminhos diferentes.
“O pessoal da SK era extremamente simpático; e eu sinto que se eu estivesse na organização, poderíamos desenvolver algo realmente sustentável em alguns anos”, explicou Sheepy. “[Mas] Não aconteceu do jeito que eu esperava. Houve alguns contratempos”.
“No fim, quando nos separamos, eu estava procurando pela minha próxima aventura”, afirmou.
O pai de Sheepy, Jos Mallant, não estava disposto a jogar a toalha: a Unicorns of Love iria chegar ao Mundial de outro jeito. Motivado pela filha, Vivien, ele se empenhou em adquirir uma vaga ou no Brasil, onde costumava ser dono de um negócio, ou possivelmente para a Rússia, na LCL.
Uma oportunidade apareceu quando a Team Just colocou sua vaga na LCL a venda, e Jos aproveitou. Afinal, a Unicorns of Love não tinha chegado a um Mundial antes, e a LCL era uma chance de ouro.
O time, então, reuniu quatro jogadores com experiência internacional: os ex-Vega Squadron Vladislav “BOSS” Formin, Kirill “aHaHaCiK” Skvortsov e Lev "Nomanz" Yakshin, que jogaram o MSI 2019, e Edward “Edward” Abgaryan, que jogou pela Moscow Five e Gambit Gaming — dois times com fortes legados europeis no Mundial.
Ao fazer isso sem investidores de fora e em tão pouco tempo, Mallant tomou um risco enorme; mas ele não deixaria a organização que sustentou com amor, sem retorno financeiro, acabar.
Mallan não podia abandonar o sonho da família. O mesmo com Sheepy, que retornou para o time que ele e o pai fundaram.
“É um projeto-sonho e, em nossa família, somos sonhadores”, disse Sheepy. “O outro lado é não investir dinheiro algum e não fazer nada. Acho que esse é um jeito chato de se viver”.
Mas para retornar ao seu antigo time, Sheepy precisou deixar a Alemanha, e a Unicorns of Love precisou firmar raízes em Moscou. O técnico-assistente, Dmitrii “Invi” Protasov, suavizou a transição; juntos, eles se esforçaram para fazer o time ser o mais competitivo possível para chegar ao Mundial.
“Eu estava obviamente hesitante, porque não queria ir para a Rússia e ter um desempenho ruim”, apontou Sheepy. “Então, eu sabia qual era o plano, e quando eu podia ajudar também, fiquei mais interessado. Se eu fosse para um time diferente como uma segunda mão e chegássemos no Mundial, não teria a mesma sensação que eu gostaria”.
“O segundo grande ponto é que é a Unicorns of Love. É minha casa”, cravou.
