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LCK: O longo e intenso caminho da Griffin para o Mundial

Griffin posa para fotos no LoL Park após uma vitória Divulgação/Ashley Kang

Na tarde de 18 de agosto, Park “Viper” Do-hyun entrou, nervoso, em uma sala de entrevistas no LoL Park. Meia hora antes, ele e sua equipe, a Griffin, haviam derrotado a Hanwha Life Esports por 2 a 0. A vitória deu ao time vitórias suficientes para garantir o primeiro lugar na fase regular da Etapa de Verão da LCK 2019. Isso significava duas coisas. A primeira é que a Griffin avançaria diretamente para a grande final. A segunda é que a Griffin se classificou para o Campeonato Mundial de League of Legends 2019 através dos pontos do circuito que acumulou nas etapas de Primavera e Verão.

No entanto, Viper não parecia muito feliz. Ele não sorriu com a observação de que em breve estaria voando para a Europa para jogar no Mundial. Ele olhava para o nada, como um homem que acabara de acordar de um sonho — ou um homem que estava em um sonho e com muito medo de acordar.

“Talvez isso seja mais real amanhã”, ele falou lenta e cuidadosamente. “Eu simplesmente não sabia que levaria tanto tempo. Demorou um ano. Mas estou feliz por poder ir ao Mundial na minha segunda tentativa”.

A jornada de um ano de Viper e da Griffin para o Mundial começou pela primeira vez no Verão de 2018, quando a equipe foi promovida da Challengers Korea para a LCK. O treinador da Griffin, Kim “cvMax” Dae-ho, expressou seus objetivos ambiciosos em várias entrevistas logo após a subida do time. A Griffin não queria vencer algumas partidas ou ir para os playoffs, disse cvMax. A Griffin queria ir para o Mundial em sua primeira etapa na LCK. Em uma famosa entrevista de 2018 ao DailyEsports, um site sul-coreano, Viper proclamou aos fãs da LCK: “Vejo vocês no Mundial”.

A Griffin não hesitou em provar do que era capaz, pois rapidamente subiu na tabela. O jungler da equipe Lee “Tarzan” Seung-yong e o mid laner Jung “Chovy” Ji-hoon tornaram-se universalmente elogiados por suas proezas mecânicas. Impulsionados pela força individual dos jogadores e por sua capacidade de lutar em equipe, a Griffin derrotou potências como Kingzone DragonX e Gen.G Esports.

Como a equipe se classificou para as finais da LCK após uma etapa dominante e sem precedentes por uma equipe recém-promovida, as pessoas esperavam ansiosamente que a Griffin vencesse o campeonato, anunciando uma nova dinastia na liga mais antiga e prestigiada do mundo.

Porém, tudo desmoronou para a Griffin no palco que mais importava. Na final de Verão da LCK 2018, a veterana KT Rolster explorou os erros da Griffin e virou a série para derrotar a adversária por 3-2. Duas semanas depois, a Griffin perdeu mais uma melhor de cinco, desta vez para a Gen.G nas qualificatórias regionais. O sonho da Griffin de chegar ao Mundial de 2018 tinha acabado.

“Mesmo agora, quando olho para trás, há tantos arrependimentos, coisas que poderíamos ter melhorado”, disse Viper quando perguntado sobre a derrota contra o KT Rolster. “No entanto, acredito que fomos capazes de estimular um crescimento [através das finais da LCK]”.

O caminho de Griffin para o Mundial continuou sendo problemático em 2019. No final da Etapa de Primavera de 2019, a equipe novamente jogou uma final da LCK, apenas para ser atropelada pela SK Telecom T1 por 3 a 0. Alguns dias depois que confetes voaram para todos os lados com a vitória da SKT e Lee "Faker" Sang-hyeok, Tarzan mudou seu nome dentro do League of Legends para “Native American Rain Dance” (Dança da Chuva dos Nativa Americana, em tradução livre). Quando perguntado sobre o significado do nome em uma entrevista à ESPN, Tarzan admitiu que era de uma história que Viper havia lhe contado.

“Diz um ditado que a dança da chuva nativa americana sempre funciona, porque eles [os nativos] continuam dançando até chover”, afirmou Tarzan. “Se continuarmos indo para a final da LCK, não ganharemos algum dia, eventualmente?”

A dança da chuva da Griffin continuou na Etapa de Verão de 2019. A Griffin fez experiências fora de estilo de jogo focado em lutas em equipe e acrescentou Choi “Doran” Hyeon-joon a sua escalação. As dificuldades iniciais acabaram sendo recompensadas, e a Griffin mais uma vez terminou a fase regular da etapa em primeiro lugar. O time finalmente garantiu sua ida ao Mundial, mas a consegui sem vencer uma grande final.

De volta à sala de entrevistas no LoL Park, Viper rapidamente afastou sua mente do Mundial e dos desafios futuros.

“Podemos ter nos qualificado para o Mundial, mas é importante nos tornarmos uma equipe que merece o título”, cravou Viper.

Griffin ainda tem muito a provar para o público de League of Legends. Ela enfrentará a SK Telecom T1 novamente nas finais de Verão e tentará derrotar os fantasmas das finais da Primavera deste ano. Então, no Mundial, a Griffin jogará contra times ocidentais pela primeira vez, e todos esperam que ela cumpra os mitos construídos em torno dela.

Será que a magnitude de sua conquista no último ano fará a ficha de Viper e do sangue jovem da Griffin cair? Talvez o faça se a equipe finalmente vencer a LCK, de uma vez por todas se provando em uma grande final. Ou, talvez, isso aconteça no momento em que pisarem no palco do Mundial pela primeira vez. Enquanto a luz do palco brilha sobre eles em Berlim — como uma chuva alegre depois de uma longa dança da chuva —, talvez um sorriso orgulhoso finalmente apareça em seus rostos.

Vejo vocês no Mundial, Griffin.