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Com foco em card games, Bazar Gaming chega ao cenário com grandes nomes de Magic e HS

Divulgação

Uma nova organização chega ao cenário de esports — e, dessa vez, o foco são os card games. A Bazar Gaming foi anunciada nesta terça-feira (4) e conta com alguns dos melhores atletas de Hearthstone, Magic: the Gathering Arena e Pokémon TCG do Brasil, incluindo nomes como Leomane, Perna, Bolov0, Rastaf e Patrick.

Pioneiro em investimento no cenário de jogos de cartas, a Bazar nasceu de dentro da comunidade, levando o nome da loja de TCGs e artigos geeks Bazar de Bagdá e sendo idealizada por Willy Edel, CEO do grupo de lojas e multicampeão de torneios físicos de Magic, sendo parte do Hall da Fama do jogo.

A organização chega ao cenário com vagas garantidas para torneios internacionais, como o Hearthstone Masters Tour Las Vegas e o Mythic Championship IV, de Magic Arena. No Hearthstone, o time conta com os jogadores Leomane e Perna, ex-Red Canids, e Fled, participantes de diversas competições internacionais.

No Magic: the Gathering, modalidade “principal” do clube, o time é representado por Bolov0, Rastaf e Patrick, além da formação Academy com as criadoras de conteúdo e competidoras em formação Trevah, Treicy e Anet. O time também conta com seis dos melhores jogadores do Brasil no Pokémon TCG físico: Fukuda, Vina, Pertusi, Alex, Sinkunas e Duda.

A INICIATIVA

Em entrevista para o ESPN Esports Brasil, o CEO Willy Edel comenta que a ideia inicial da organização foi “pegar os melhores do Brasil”, ter os melhores times de card games, crescer com os atletas e “ver o que acontece”. A proximidade com Leomane e Perna, do Hearthstone, facilitou as contratações.

A Bazar, no entanto, não contará apenas com nomes já consolidados. “Pensamos em pegar a base, também. Trabalhamos há mais tempo no Magic, contando com três atletas que têm muito potencial. Queremos ajudá-los a entrar no circuito, tendo o time profissional como mentores”, diz. “No Hearthstone, também: pegar o pessoal das classificatórias online, ajudar a entrar e fazer a roda toda girar”, afirma o CEO.

Willy revela que a ideia da criação do time veio de uma carência de investimentos de equipes “tradicionais” de esports no cenário de card games, visto que outras organizações raramente fornecem a seus atletas uma estrutura similar aos de outros esports.

Consultor da Wizards of the Coast — publisher de Magic the Gathering — no Brasil durante 2018, Willy esteve em contato com o projeto de esports da empresa, que contava com orçamento disponível de mais de 10 milhões de dólares em premiação para o Magic Arena. Na mesma época, o cenário de Hearthstone já era forte, e iniciativas como a chegada do game Artifact traziam holofotes aos card games.

“O objetivo [da Wizards] era que os jogadores da liga profissional fossem para times competitivos como a Liquid, TSM, Cloud9”, conta o CEO. “Eu vi [os jogadores] procurando times que torciam o nariz por não conhecerem o jogo. Magic existe há 25 anos, e para donos de times, é menos conhecido que Clash Royale, por exemplo. A gente tem que quebrar isso”, opina.

Enquanto empresário, Willy enxergou nos investimentos da Wizards solo fértil para que sua marca se expandisse. “Se a parte de esports vai crescer, as vendas no físico vão crescer junto”, comenta, sobre a idealização. “Esse foi o timing. Nosso foco foi trabalhar com o que sabemos, que eram os card games”.

O CENÁRIO

Para Willy, o objetivo principal da Bazar Gaming é fomentar o cenário de card games, desenvolvendo os jogadores, suas marcas e o ecossistema completo. “Queremos que os jogadores tenham autossuficiência no futuro. Que tenham fanbase, patrocínios maiores. (...) Queremos dar estrutura para que daqui seis meses ou um ano, nós tenhamos concorrência”, arrisca.

O CEO opina que, quando outros times de esports veem o cenário de card games, pensam na mídia que os principais atletas podem trazer para suas organizações, e diz que a Bazar pensa a longo prazo. O foco da organização, segundo ele, é investir na melhora de seus jogadores a fim de divulgar o jogo e o cenário, e de colher os frutos quando o Brasil estiver “mais relevante” nos card games.

“Quero que os jogadores sejam famosos, criem sua marca e se ‘monetizem’. O que a loja conseguir aproveitar disso é lucro”, diz Willy, acrescentando que espera que a iniciativa, aos poucos, traga de volta ligas nacionais e movimentações internas do cenário brasileiro.

“Gostaria que outras lojas viessem, e não só elas: que lojas de eletrônicos e outras marcas voltassem a investir. Card Games são jogos populares. Tem público, tem gente que gosta de assistir e é um lugar para divulgar sua marca. Quero que apareça mais gente”, finaliza Willy.

OS ATLETAS

O multicampeão de Hearthstone Leomane é jogador da Bazar e esteve presente na idealização e execução do projeto. “Eu sou amigo do Willy há alguns anos, e quando ele veio com o projeto, eu dei uma série de conselhos da experiência que eu tive com outras organizações”, conta o jogador em entrevista.

Frequentemente representando o Brasil em torneios internacionais de Hearthstone, o jogador profissional reforça que a comunidade de card games é “muito forte”, e ressalta que os principais torneios, tanto de HS quanto de MTGA, emplacam grandes audiências nas plataformas de streaming.

“A comunidade é muito envolvida”, conta Leomane. “Eles discutem bastante sobre o que acontece, acho que isso muito devido ao fato de que, diferente dos outros esports, em card games a facilidade de competir é maior no sentido de possibilidade. Se você quiser jogar um torneio de Hearthstone ou Magic é só se inscrever e ir jogar”, afirma.

Sobre a especificidade da Bazar Gaming com relação a outras organizações que já investiram em atletas de card games, Leo aponta que “é difícil” que clubes com diversas escalações deem a mesma atenção a todas as suas modalidades, por conta da staff reduzida de boa parte delas. “Grande parte das maiores organizações tem seu foco em alguma line que esteja tendo mais destaque”, diz.

“O processo normal era: o time contratava a mim ou a um time de Hearthstone, e a gente fazia o que tinha que fazer, entrando em contato somente quando precisávamos conversar sobre viagens ou renovar o contrato”, conta Leomane. “É a primeira vez que estou num time que sinto que apreciam o valor do jogador de verdade, e acho que isso é de extrema importância. Espero poder entregar resultados de acordo com isso”, finaliza.