Em ascensão. É desta forma que o capitão da Furia, arT, define o atual momento da equipe brasileira de Counter-Strike: Global Offensive. E é por conta desse progresso que, na visão do jogador, o time vem recebendo tanta “atenção do público”.
Mas o sucesso não tira os pés dos jogadores do chão. “Assim como estamos em notoriedade agora, são alguns meses de má fase para tudo ir por água abaixo. Ainda temos que lutar muito para chegar em um nível de consolidação como o do MIBR, por exemplo”, aponta arT em entrevista ao ESPN Esports Brasil.
Trata-se do mesmo tom utilizado por ableJ quando questionado se concorda com a opinião pública de que a Furia é a equipe brasileira que vive melhor momento no CS. “Vivemos uma fase importante, na qual estamos lutando para chegar entre os dez melhores e, consequentemente, disputar todos os torneios de nível mundial, que é o sonho de todo o jogador”, analisa o jogador.
Desta terça-feira (28) até 9 de junho a Furia terá dois importantes compromissos a cumprir: a DreamHack Masters Dallas e as finais da sétima temporada do Esports Championship Series (ECS). Para muitos, dois campeonatos que a equipe pode utilizar para mostrar a todos que não é mais uma promessa do cenário, mas sim uma realidade.
Incisivo, arT fala que “nós gostamos de enxergar todo campeonato como um Major, pois tem a mesma importância para nós”. AbleJ completa dizendo que a Furia chegará em Dallas “com nosso nível de performance máximo e buscando vitórias jogo a jogo já que todo campeonato é uma grande oportunidade para nós”.
A Furia estreará na DreamHack Masters contra a NRG Esports, equipe que conhece bem por se tratar de uma rival do cenário norte-americano. Para ableJ, “a divisão dos grupos e o sorteio dos adversários foi justo e balanceado”. O jogador afirma ainda que não se preocupa “com os nossos oponentes, mas sim em performar 100% como time”.
Já arT fala que, “para nós, é bom pegar um time o qual já estamos familiarizados. Porém, independente de qual for a tabela, estaremos focados em dar o nosso máximo; nos prepararemos o melhor possível para qualquer oponente. Neste momento pensamos apenas na NRG, mas se passarmos iremos olhar quem será o próximo desafio”.
Quanto aos principais adversários da Furia na luta pelo título, ableJ elege "Ence e Liquid como os times mais bem preparados e completos desse torneio". Por outro lado, arT diz ver "o cenário de CS muito stackado ultimamente e, com exceção de alguns times, todos estão e são vulneráveis a qualquer um". Por conta disso, o capitão fala que a Furia precisa, "sempre, entrar ligada e ligeira pois qualquer deslize pode fazer você perder um mapa".
Questionados sobre qual seria o resultado minimamente aceitável para a Furia nessa DreamHack Masters, ableJ fala que “nossa única meta é dar sangue a cada jogo”, enquanto arT afirma que “o que importa é desempenhar o melhor e evoluir”.
“Para nós, o mínimo é sair de lá sabendo que demos o nosso melhor e desempenhamos o melhor de nossa capacidade. Se isso nos levar ao título, ótimo. Se sairmos sem ganhar um mapa de ninguém, mas sabendo que demos o nosso máximo, ótimo também. Com isso, se o título não vier hoje, virá amanhã. Nossa equipe ainda tem muito o que aprender”
O QUE FALTA PARA DESPONTAR?
Desde que aterrissou nos Estados Unidos, em junho de 2018, os brasileiros da Furia mostraram que não estavam para brincadeira. Nesses quase 12 meses, a equipe deixou a 63ª colocação do ranking elaborado pelo HLTV.org para figurar entre as 20 melhores do mundo.
Sem sombra de dúvidas, o momento em que a Furia começou a chamar a atenção da comunidade internacional foi quando conseguiu avançar para o Major disputado em Katowice, Polônia. Depois disso, a equipe conquistou outras classificações para torneios importantes e títulos. Por conta disso, os Panteras já mostraram que possuem potencial, mas agora falta mostrar que estão realmente aptos a figurar entre os melhores.
Para isso, na opinião de ableJ, “precisamos de mais tempo, experiência, além de disputar os torneios onde se encontram as melhores equipes do mundo”. O jogador aproveita para apontar que, “apesar dos bons resultados ainda não vencemos nenhum campeonato ‘Tier 1’”.
É o mesmo discurso de arT: “Falta justamente o que estamos conseguindo agora, oportunidade de jogar com os melhores. Com isso vamos perder muito, mas aprender o dobro. Eventualmente estaremos tirando mapas deles e, assim, daqui a pouco entraremos pra bater de frente”.
