De volta ao cenário competitivo de Counter-Strike desde junho passado, o MIBR ainda não conseguiu mostrar a que veio. Nesses sete meses após o retorno a equipe não conquistou nenhum título expressivo e passou por mudanças significativas em dois momentos. Sob muita expectativa o time liderado por Gabriel “FalleN” Toledo estreia nesta quarta-feira (20) no primeiro Major da temporada, que marcará a estreia da formação 100% brasileira do clube.
Campeão da Electronic Sports World Cup (ESWC) em 2006 junto com o MIBR e, atualmente, comandando a paiN Gaming, Bruno "elll" Ono afirma em entrevista ao ESPN Esports Brasil que, "independente da fase ou mudanças de jogadores, todos os times do mundo respeitam o MIBR e os integrantes do time" já que "sabem que se não entrarem 100% ligados vão se complicar".
O companheiro de Ono no primeiro título mundial brasileiro na modalidade, Renato "nak" Nakano (Sharks Esports), diz estar "bem otimista": "Não apontaria que são favoritos, porque claramente os favoritos são Liquid e Astralis, mas jamais diria que são incógnitas. Acredito num 'top4' e, quem sabe, até surpreender a todos trazendo mais um título".
Já o treinador da INTZ, Alessandro "Apoka" Marcucci, coloca o MIBR entre os favoritos: "Esse grupo sempre deve ser considerado como candidato a qualquer título. Eles podem precisar de mais tempo para virar um time 'cascudo', mas com certeza podem ganhar o Major".
O QUE ESPERAR DA EQUIPE
Após ver que o elenco formado por jogadores de Brasil e Estados Unidos não se encaixou, o MIBR decidiu fazer mudanças e apostar numa formação totalmente brasileira. Jacky "Stewie" Yip foi para o Team Liquid, enquanto Tarik" tarik" Celik colocado na reserva. As vagas em aberto foram preenchidas por Epitácio "TACO" de Melo e João "felps" Vasconcellos. Além disso, o clube contratou também Wilton "zews" Prado para desempenhar a função de treinador.
Para o treinador da paiN, "muda tudo" com as entradas de TACO, felps e Zews. "O ambiente fora do jogo, a confiança que todos têm um pelo outro e a comunicação voltando a ser 100% em português vai dar uma outra cara para o MIBR em 2019". Ono diz ainda que os ex-Liquid "podem agregar com novas coisas para o time" tendo em vista que "os dois estavam em uma crescente muito boa enquanto o MIBR estava numa fase não tão vitoriosa".
Nak e Apoka também batem na tecla da comunicação voltar a ser totalmente em português. "Cada segundo pensando como comunicar ou cada palavra específica faz muita diferença em alguns momentos. É tudo muito rápido e qualquer ruído pode definir um round e cada rodada pode definir um mapa", analisa Nak. O comandante Intrépido vê Zews e TACO "retornando mais experientes e, inclusive, tendo sido 'rivais do MIBR sabem um pouco melhor sobre pontos fracos da equipe". Apoka continua dizendo que "Zews é, com certeza, um dos melhores treinadores do mundo e Taco uma peça essencial para a função que eles estavam um pouco carentes". O treinador não deixa de falar sobre felps, dizendo que o jogador está mais maduro e, individualmente, é um jogador incrível".
Desde que realizou as últimas mudanças o MIBR não disputou uma competição. A decisão dividiu a comunidade, com muitos julgando a decisão como benéfica e outros nem tanto. Bruno Ono, Nak e Apoka não acreditam que isso vá prejudicar o time brasileiro na disputa do IEM Katowice
"Não acredito que possa prejudicar. Ao contrário, com a troca de jogadores e a renovação das táticas, todos os adversários irão entrarm muito mais ligados contra o MIBR por não ter nada da atual formação para estudar", opina o treinador da paiN.
O jogador da Sharks acredita que "é uma estratégia que o time entendeu ser melhor para eles" e aponta que, "no nível que estão, o fator nervosismo e ritmo de jogo não terá tanta influência assim" já que "são jogadores muito calejados". Nak segue a linha do ex-companheiro de MIBR: "O time é totalmente novo e os outros estão com zero informação sobre eles. Então, se colocar na balança, essa escolha foi benéfica sim".
VÃO REPETIR O SUCESSO DO SK?
Essa não será a primeira vez que FalleN, TACO, felps, Marcelo “coldzera” David e Fernando “fer” Alvarenga atuarão juntos. Vestindo a camisa do SK Gaming esses mesmos cinco jogadores fizeram bastante sucesso e encheram pratilheiras com troféus.
Apoka acredita que, pelo MIBR, o quinteto repetirá o bom desempenho já mostrado. "Com amadurecimento dentro e fora de jogo de cada um, vejo que eles chegam até mais fortes nessa volta", afirma o treinador da INTZ. O Intrépido continua: "O time teve alguns problemas no início [da época do SK] por características já que o felps e o fer são jogadores bem agressivo sendo que o que precisou mudar foi um pouco do estilo e, nessa adaptação, tiveram alguns resultados ruins. Quando arrumaram tudo tiveram uma série de títulos".
A mesma opinião possuem Bruno Ono e Nak. "É só dar tempo ao tempo. Acho que os pontos forte e fraco são os mesmos daquela época e, talvez, o que possa ser repetido é a utilização das agressividades do fer e do felps ao mesmo tempo. Sabendo dosar isso o time tem tudo para repetir os feitos de 2017", opina o jogador da Sharks.
PRINCIPAIS ADVERSÁRIOS NO MAJOR
No IEM Katowice o MIBR ficará frente a frente com outras grandes equipes do cenário internacional como Astralis, Natus Vincere (Na`Vi), Team Liquid e FaZe Clan. Para Nak o MIBR tem que "tomar cuidado com os classificados da primeira fase, como NRG e Ence, já que são times que chegam fortes e, que se bobear, numa md1 podem aprontar". Bruno Ono fala sobre Astralis e Team Liquid quando questionado quais serão os principais adversários do time brasileiro no Legends Stage. "Os dinamarqueses dominaram o cenário em 2018 e o Liquid é outro time que o MIBR deve tomar cuidado já que, além de ter terminado o ano em segundo no ranking mundial, a adição de Stewie mostrou resultado rapidamente com o time vencendo o iBUYPOWER".
