Uma reportagem do Kotaku publicada na última sexta-feira (21) traz más notícias para fãs da Blizzard. Segundo o texto, a empresa está cortando gastos de forma massiva para ter um 2019 “mais magro”, o que inclui demissões voluntárias, aumento do departamento financeiro e limitação de despesas para qualquer equipe que não esteja envolvida diretamente na criação de jogos.
Chamada de Carrer Crossroads, a iniciativa que permite a demissão voluntária com benefícios para os funcionários foi expandida para mais áreas, como Controle de Qualidade e Tecnologia da Informação, e teve seu limite de tempo de trabalho diminuído - o que a Blizzard afirmou que é “temporário” ao Kotaku. Por outro lado, a empresa está empenhada em contratar mais funcionários para as equipes de desenvolvimento de jogos.
Para o Kotaku, um dos motivos para as mudanças na Blizzard é a crescente influência da Activision, que vem aumentando desde a fusão das empresas em 2008. Segundo funcionários entrevistados anonimamente, houve uma mudança de foco nas decisões, que estão sendo realizadas mais pelas equipes de negócios, marketing e finanças. “Há um grande problema, agora, entre desenvolvedores e o pessoal dos negócios. Decisões estratégicas estão sendo feitas pelo grupo financeiro”, disse um dos funcionários ao site norte-americano.
A situação se intensificou com a mudança de Armin Zerza de diretor de finanças para diretor de operações, no fim de 2017. “Sob a direção de Zerza, a Blizzard contratou uma série de funcionários voltados para os negócios, tanto da Activision quanto da empresa de consultoria McKinsey, muitos dos quais podem ter prioridades diferentes dos funcionários de longa data da Blizzard ou de pessoas com histórico em desenvolvimento”, escreveu o Kotaku.
O site ainda revela que Amrita Ahuja, nova diretora de finanças da Blizzard vinda da Activision, afirmou aos funcionários em uma apresentação no início do ano que era hora de começar a cortar custos. A solicitação, que já havia sido informada em uma reportagem em novembro, parece afetar mais os departamentos não envolvidos em jogos com exceção de Heroes of the Storm, que teve seu competitivo encerrado e funcionários remanejados para outros projetos.
A situação parece ter se intensificado ainda mais com a saída do co-fundador e CEO da Blizzard, Mike Morhaime, em outubro deste ano. Morhaime parecia ser o último bastião que permitia à Blizzard seguir seu próprio ritmo, ao invés de fazer como a Activision e apostar em lançamentos anuais, como Call of Duty.
Agora, o futuro da Blizzard parece mais incerto e cria um ambiente de preocupação para os funcionários da empresa - principalmente aos que não estão envolvidos diretamente na criação de jogos. Um exemplo foi a adesão de mais de 100 pessoas do escritório de Cork, na Irlanda, ao processo de demissão voluntária, reportado pelo Eurogamer também na última sexta-feira (21).
“A Blizzard é um lugar especial”, disse um ex-funcionário ao Kotaku. “Muitas pessoas estão preocupadas com o futuro da Blizzard se o método da Activision entrar mais na empresa, o que ela vai se tornar”.
