Não há dúvidas de que a Astralis é considerada a melhor equipe de Counter-Strike há meses.
Depois da vitória do time em Odense, ele agora passa para uma nova liga: Seria a Astralis a melhor equipe de esports de todos os tempos?
Conquistar o Intel Grand Slam depois de quatro vitórias em torneios internacionais presenciais em nove meses, vencer a Team Liquid em sua melhor forma em um evento e a MIBR em outro. Não há dúvidas sobre o lugar da Astralis na hierarquia de Counter-Strike. É certo que 2018 foi o ano da equipe, com sua era sendo caracterizada pelo momento em que o troféu da oitava temporada da Pro League foi levantado.
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— Astralis (@astralisgg) 9 de dezembro de 2018
A ESPN sentou-se para conversar com Emil “Magisk” Reif logo após a vitória para discutir tudo - dos banimentos a jogos mentais, desempenhos individuais, significância histórica e quem pode vencer a Astralis.
ESPN: A primeira pergunta que devo fazer é sobre o banimento. Vocês estavam esperando que a Liquid banisse a Nuke? Como isso alterou o plano de vocês para a série, se é que alterou?
Magisk: Na verdade, sabíamos que eles iam banir a Nuke. Estávamos o mais preparado possível para a Train, mas eles não jogavam o mapa há um bom tempo, então é difícil saber como vai ser o jogo. Sabíamos que eles fariam “calls de embalo” no lado terrorista, porque geralmente é o único modo pelo qual eles conseguem nos vencer. E sabíamos disso. Mas perdemos algumas rodadas que achamos que poderíamos ganhar. Nós tínhamos a vantagem, mas, no final, eles venceram as rodadas e nos deixaram com uma economia ruim. Acho que se tivéssemos ganhado [as rodadas decisivas], as coisas seriam bem diferentes. Não acho que há muito a se dizer sobre [a partida na Train], com exceção, talvez, de que deveríamos ter vencido algumas rodadas e isso teria mudado bastante o jogo.
Sabíamos que eles iam banir a Nuke porque o NAF me disse uma vez. Digo, ele não me disse de verdade, mas em uma festa pós torneio ele afirmou que precisavam fazer algo diferente para nos vencer. E, então, eu soube o que era. Também, quando o TwistZz postou “27-1” no Twitter, sabíamos que havia alguma coisa. Eles também disseram em entrevistas que tinham um plano secreto para jogar contra nós. Então era meio óbvio que iam deixar a Train aberta. Tirando isso, acho que o mapa poderia ter sido nosso se tivéssemos ganhado as rodadas. Mas, no final, acho que eles tiveram um bom começo do lado terrorista.
ESPN: E as coisas mudaram drasticamente na Mirage. Gla1ve conseguiu 120 de ADR; vocês começaram a empolgar com a torcida. Foi assim que você se sentiu com o mapa e a série, também?
Magisk: Honestamente, sinto que não tive muitas chances de fazer planos loucos ou coisa do tipo. Se vencêssemos a rodada, eu teria impacto, mas na minha posição é difícil de perdemos as primeiras eliminações. Por exemplo, se estamos do lado terrorista quando tudo dá errado, é difícil que eu tenha um impacto. Então, neste sentido, é difícil para mim ter um embalo, mas sei que meu time está sempre lá. Tivemos ótimos “clutches”. No geral, penso que nosso embalo começou do lado CT, especialmente quando ganhamos dois retakes no A. Acho que elas foram as rodadas importantes para nossa vitória na Mirage.
Era óbvio que toda vez que eram abatidos muito rápido quando iam para o B. O único sucesso que tinham era no A. No geral, eles realmente gostam de finalizar no A. Hoje, senti que eles pensaram que não tinham chance de vencer no B, e por isso continuavam indo para a A. Então, em algumas rodadas só fizemos retake do A e confiamos em nossos retakes, e acho que deu muito certo, mesmo que tenhamos perdido algumas rodadas. Mas isso acontece quando você está fazendo retake do A. Acho que mantivemos a calma e garantimos que um estava ajudando o outro nessas situações. No geral, senti que tivemos um bom controle disso, apesar de algumas rodadas terem sido bem acirradas.
ESPN: É difícil para vocês voltar no jogo do lado terrorista quando o Device não está indo bem, nesse sentido? Vimos que ele não foi um jogador tão crucial em momentos importantes, como costuma ser. Como isso afetou você, individualmente, se afetou?
Magisk: Para ser honesto, naquele lado terrorista ele não joga muito de AWP. No geral, é difícil para o AWPer ter muito impacto, e ele não conseguiu crescer - é o que acontece, às vezes. Mas tanto Gla1ve quanto Xyp tiveram ótimos jogos. Eu tive uma ótima rodada no lado terrorista também, e aquele 4k (quatro eliminações), que foi muito bom também. Isso foi muito importante. Mesmo se o Device não estiver tendo um jogo bom, ainda podemos ganhar. Ele não precisa jogar o melhor que pode para que a gente consiga vencer. E acho que é incrível jogar em um time no qual mesmo quando a grande estrela - como as pessoas consideram o Device - faz uma partida ruim, Gla1ve, Xyp, eu e Dupreeh vamos e fechamos o jogo. Acho que é incrível e uma das razões pela qual somos tão bons. Não importa se um jogador está indo mal, porque o resto de nós pode compensar, e acho que isso é muito, muito bom, e a razão pela qual ganhamos tanto esse ano.
ESPN: Houve um processo similar de melhora em Dust II como na Mirage? As pessoas normalmente falam que a Mirage é um dos piores mapas da Astralis, mas vocês apareceram forte nele recentemente. A melhoria foi similar considerando o 16-1 na Dust II que vocês levaram, alguns resultados acirrados recentes, e agora a vitória convincente em cima da Liquid?
Magisk: No geral, acho que nos sentimos muito bem na Dust II. E hoje perdemos algumas rodadas estúpidas, um 4v2, e outras nas quais tínhamos toda a vantagem - e se não perdêssemos aquelas rodadas, teríamos controle de dinheiro e eles ficariam no eco. No geral, acho que poderia ter sido 11-4, 10-5, ao invés deles terem nove rodadas. É difícil explicar como perdemos aquelas rodadas, mas são algumas que não deveríamos ter perdido. Se não tivéssemos perdido, tenho certeza de que teríamos atropelado eles na Dust II.
Senti que sabíamos tudo o que eles estavam fazendo. Estávamos esperando tudo, e eles foram capazes de conseguir algumas rodadas mesmo com nossa sabedoria. Nos sentimos bem na Dust II, e a Mirage é obviamente um dos mapas que as pessoas sempre escolhem contra nós porque acham que somos fracos nela. Honestamente, somos muito bom nele. Vencemos todos os melhores times na MIrage. Em uma MD5 ou MD3, não nos importamos em jogar na Mirage porque sabemos que conseguimos vencer qualquer time se jogarmos bem. No geral, nos sentimos confortáveis em qualquer mapa. Obviamente, há alguns nos quais nos sentimos mais confortáveis, como Nuke e Inferno. Consideramos a Inferno um dos nossos melhores mapas. Claro que a Dust II e a Mirage é uma chance de 50/50, às vezes, mas gostamos dos mapas e sentimos que vamos bem neles.
ESPN: Um grande elemento desta vitória também foi o contexto da Liquid na fase eliminatória. Eles não pareciam ter falhas, com exceção da série contra vocês. A vitória contra a MIBR no que parecia ser o pico da equipe na ECS também foi algo grande. O que foi importante para vencer dois times diferentes que estavam jogando em sua melhor forma?
Magisk: A Liquid atropelou todo time neste torneio, mas, para ser honesto, acho que eles foram bons hoje do mesmo jeito que foram contra a MIBR no dia anterior. Acho que é mais sobre sermos bons como um time e capazes de virar a partida toda hora. Quando você tira o embalo da Liquid, eles começam a fazer decisões estúpidas, dar muito a cara - eles perdem confrontos individuais insanos. Acho que essa é uma das nossas forças: ser capaz de tirar as pessoas da zona de conforto e fazê-las perder a confiança. Estar na cabeça delas o tempo todo, mostrá-las que somos o melhor time e que mesmo estando na vantagem, ainda vamos virar. É mais sobre garantir que elas sintam a pressão a cada rodada. Acho que é por isso que eles não nos atropelaram hoje. É difícil jogar contra nós porque sempre mudamos nosso plano de jogo. Podemos sempre mudar nosso estilo de jogo. Todos no time são muito bons em se comunicar, então nas situações de clutch temos a vantagem por conta disso.
ESPN: Então, quem pode vencer a Astralis?
Magisk: Há muitos times que estão jogando CS muito bem e, no dia certo, acho que eles podem nos vencer. Acho que envolve, também, não jogarmos no nosso melhor nível. Acho que a Na`Vi, a Liquid, talvez até a Faze, em um bom dia com as estrelas performando bem. Todos esses times podem ser adversários difíceis, porque jogam um CS muito bom. Até a MIBR pode ter bons jogos e você vê que tivemos partidas acirradas contra eles. Acho que a muito potencial para esses times nos vencerem no futuro. É difícil para mim dizer isso, mas também é a razão pela qual queremos melhorar toda hora. Sabemos que as pessoas estão trabalhando para nos alcançar. Claro que sentimos que elas estão se aproximando. Então sentamos e pensamos em como podemos fazer melhor - novas estratégias, iscas -, sempre tentamos implementar coisas novas, mesmo se não praticamos muito. Sempre tentamos evoluir o jogo e ficar na frente dos outros, ter um plano de jogo para cada partida.
