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Os paralelos entre a Fnatic de 2017 e a Cloud9 deste ano no Mundial de LoL

Momento que a Cloud9 deixa o mundial de League of Legends 2018 Divulgação/Riot Games

No Mundial de League of Legends, a equipe ocidental na fase final, talentosa, mas igualmente crua, foi dizimada. O astro da equipe olhava para o monitor enquanto seu Nexus virava pó, sinalizando o fim de sua participação no torneio.

Este foi o cenário para a Fnatic em 2017, que perdeu em uma série de quatro jogos para a Royal Never Give Up, em Xangai. Martin "Rekkles" Larsson permaneceu em seu assento como uma estátua, levantando-se apenas da cadeira quando foi preciso. Os fãs saudaram o jogador com uma salva de palmas, mas ele se sentia vazio. Sua equipe, composta por dois novatos, não estava pronta para este momento. Ele não estava pronto para este momento.

Já em 2018, a melhor chance da América do Norte para estar na final do mundial, a Cloud9, perdeu a batalha. A C9 foi trucidada em uma varrida de três jogos para uma Fnatic renovada.

A base da Fnatic permaneceu a mesma, somado ao jovem Gabriël "Bwipo" Rau e a evolução dos novatos de 2017, impulsionaram a equipe a se tornar a primeira finalista ocidental em um mundial desde 2011.

O elenco da Fnatic de 2017 e a C9 de 2018 compartilham mais do que apenas um tombo que finalizou suas trajetórias no mundial. Assim como a C9 deste ano, a Fnatic em 2017 foi a terceira colocada de sua região. Eles tiveram que vencer o desafio regional e passar pelo longo período de disputa até chegar a etapa principal. Fnatic e C9 lutaram. A Cloud9 conseguiu apenas uma vitória na primeira metade da fase de grupos, enquanto a Fnatic conseguiu um 0-3 embaraçoso.

Tão inesquecível quanto os seus três primeiros jogos, as finais da fase de grupos nunca serão esquecidas. A Fnatic tornou-se a primeira equipe do mundo na história do torneio a começar com 0-3 e ainda se classificar, e a C9 conseguiu uma vitória sobre a favorita RNG para dar início a sua arrancada.

Enquanto a Fnatic caiu imediatamente nas quartas de final para a RNG em 2017, a C9 foi mais além. Os bicampeões do LCS NA passaram pela Afreeca Freecs, da Coréia do Sul, antes de encontrar um final rápido pelas mãos da Fnatic.

No final, tanto a versão 2017 da Fnatic como a Cloud9 deste ano enfrentaram o mesmo destino: eles não estavam prontos. Para simplificar, as equipes simplesmente não eram boas o suficiente. A magia, as escolhas inovadoras no draft e o talento bruto os levaram longe, mas não foram o suficiente. Como a RNG fez com eles em Xangai, a Fnatic mostrou a diferença de força entre as duas lendárias franquias ocidentais.

Em Gwangju, a Fnatic, um ano após do seu desgosto, tinha uma mensagem especial para a Cloud9.

Desculpe, ser finalista mundial não é tão fácil.

O FUTURO

Quando a Fnatic caiu no ano passado no Mundial, a lenda europeia não se limitou a dar tapinhas nas costas dos seus jogadores e aproveitar férias relaxantes de três meses antes do início da nova temporada. A equipe usou sua queda para alimentar sua evolução. Em vez de ficar estagnados, eles usaram a inter temporada para contratar Bwipo e obter um novo suporte titular com Zdravets "Hylissang" Iliev Galabov.

Em mundiais, a Fnatic não é mais uma “zebra”. Ela venceu as competições domésticas na Europa de maneira consecutiva, chegaram às semifinais do Mid-Season Invitational (apesar de serem derrotadas mais uma vez pela equipe de Jian "Uzi" Zi-hao), e ainda tiveram tempo suficiente para envergonhar à NA durante os Rivals, em Los Angeles.

Adivinha quem não estava no Rift Rivals? A C9. Eles estavam na parte inferior da tabela de classificação. Jogadores veteranos estavam se adequando. Estrelas estavam se debatendo. Mesmo a bússola moral da equipe e o rosto da franquia, Zachary "Sneaky" Scuderi, não estava imune a críticas. A equipe estava uma bagunça. A C9 não era nem uma equipe jovem e empolgante, nem uma veterana.

Eles eram apenas uma bagunça na forma de um time de League of Legends.

Sneaky e Nicolaj "Jensen" Jensen conseguiram se tornar titulares uma vez mais, e a equipe apostou em um garoto recém-saído do ensino médio, Robert "Blaber" Huang. A C9 respondeu ao instintivo caçador do novato, e a estagnada C9 se transformou na versão que vimos desmantelar a Freecs no mundial.

A equipe superou seus limites e quando enfrentou a Fnatic, uma possível versão futura de si mesma, que amadureceu após a saída do mundial de 2017, acabou. O gás acabou, e o melhor time venceu, com um golpe rápido no primeiro jogo definindo o tom para o resto da noite. Como a multidão de Xangai, os fiéis de Gwangju fizeram o possível para estimular a C9, mas nada aconteceu. A diferença entre as duas equipes era muito grande naquele momento.

Este time quase perdeu para a Detonation FocusMe duas vezes na fase de play-in. Eles quase foram eliminados por Gambit. Foi uma melhoria constante toda vez que eles voltaram ao palco, impulsionados pelo trabalho da equipe e pelo treinador Repeared, que transformou o time que patinou contra a Gambit para se tornarem semifinalistas do mundial.

Eric "Licorice" Ritchie, um dos melhores topos da fase de grupos, mostrou problemas cada vez maiores nas quartas de final e nas semifinais. O estreante da equipe, Tristan "Zeyzal" Stidam, se assemelharia a um suporte de classe mundial ou a uma âncora, dependendo do jogo.

Embora tenha sido mágico para a C9 se tornar finalista do mundial forma mais imprevisível possível, não era a hora para desse time. Licorice pode se tornar o melhor laner do Ocidente a longo prazo, mas ele não foi páreo para Bwipo nas semifinais. Sneaky e Zeyzal não são tão fortes quanto uma dupla do bottom lane podem ser. Jensen ainda pode alcançar um nível mais alto. Svenskeren precisa repetir o que fez no mundial ao longo de um ano inteiro.

Quando a C9 ainda tentava descobrir como se classificar para os playoffs do LCS NA, a Fnatic estava ganhando. Eles estavam ficando mais fortes. Estavam aperfeiçoando suas escalações, estratégias e uma infinidade de estilos. Não importava se Bwipo estava na rota de cima ou substituindo Rekkles na rota de baixo - a Fnatic podia vencer você de várias maneiras diferentes. Eles nunca tiveram que depender apenas de um jogador para atacar ou aproveitar o momento do jogo.

A C9 deveria estar orgulhosa. É, sem dúvida, a equipe de NA de maior sucesso na história dos mundiais. Ninguém jamais esquecerá as vitórias sobre Gen.G, RNG e Vitality ou a vitória sobre a Afreeca, eliminando a região mais dominante no LoL em seu próprio país.

Eles não deveriam sorrir por causa de quão longe chegaram, mas amaldiçoar quão próximos estavam de algo ainda maior. A base para o futuro está cimentada para C9 depois de um ano desafiador, e a luta para voltar para às semifinais só será mais difícil no ano que vem.

Mas, em 2019, se eles derem sequência ao que começaram em Busan, como a Fnatic, estarão prontos.

Licorice vai estar pronto para a fase decisiva em qualquer país que Riot Games escolher para realizar o mundial. Um topo adversário, vai olhar para o líder da C9, sorrindo, feliz por ter chegado tão longe no torneio.

Naquele momento, Licorice saberá que é hora de apagar o sorriso do rosto do garoto e acabar com o seu sonho de uma vez por todas. Esta versão da C9 não tem tempo para isso, pois eles têm assuntos mais importante esperando por eles.