Juan “Jschritte” Passos não é um nome estranho no cenário competitivo nacional de Heroes of the Storm. Jogador do MOBA da Blizzard desde sua fase alfa, o jogador fez parte do competitivo brasileiro do jogo desde antes da primeira Copa América.
Em sua carreira, acumulou 11 títulos na Copa América, passando por equipes como CNB, Brave Zone, Big Gods, Burning Rage, Infamous e, por último Red Canids. Ao fim da temporada de 2017, no entanto, decidiu seguir um plano ousado: juntou dinheiro para ir ao Canadá e conseguir ser contratado por uma equipe estrangeira.
Para o ESPN Esports Brasil, Jschritte conta que juntou dinheiro por um ano e vendeu tudo que tinha no Brasil - incluindo seu computador - para tentar uma oportunidade de jogar no exterior. “Cheguei faltando um mês para a janela de transferência dos times, que normalmente acontece entre novembro e dezembro”, lembra. “Fiquei um mês no Canadá pedindo tryouts [testes] para os times, para poderem me testar e tudo mais. Arrumei um tryout e o time me aceitou. Daí eu fiquei”.
O time em questão era a Spacestation Game, que em março deste ano se separou da organização e está jogando com o nome de No Tomorrow nos Estados Unidos. Na liga norte-americana, o time acabou ficando em oitavo lugar nas duas temporadas e teve que lutar para não cair. Entretanto, mesmo os resultados considerados ruins não fazem Jschritte se arrepender de ter ido jogar no exterior, já que, para ele, a América Latina é “carente de estrutura”.
Jschritte explica que a grande diferença entre as regiões é que a América do Norte possui um sistema de ligas com salário e apoio para times e jogadores - assim como o League of Legends.
“Na América Latina, o pessoal é muito carente disso. Esse ano teve algo um pouco parecido, mas foi algo bem rápido, de cerca de um mês, enquanto aqui a liga ocorre por três, quatro meses durante uma temporada, então todos os times treinam todos os dias e têm salário para manter os jogadores”, conta.
Enquanto ele e o restante da comunidade latino-americana continuam a cobrar uma profissionalização maior por parte da Blizzard, o jogador teve uma ideia para ajudar o cenário brasileiro: um campeonato. Segundo Jschritte, se uma equipe da região não se classifica para a Blizzcon - que este ano foi uma disputa contra a Austrália -, ela e as outras ficam até janeiro sem disputar nada.
“Isso é muito ruim para o nosso cenário, porque desde setembro os players ficam sem jogar, os times ficam sem treinar, até a próxima temporada começar em janeiro. Então eu vi essa necessidade e pensei: ‘ah, agora que eu tenho condição, que estou no NA, já sei como funciona a estrutura de um campeonato de uma região major, já tenho uma experiência de como é a parte de transmissão, então vou tentar meio que copiar e ver se consigo fazer algum campeonato parecido”, revela.
Assim nasceu a ideia do Campeonato Brasileiro de Heroes of the Storm, que contará com a participação de nomes conhecidos do cenário nacional, como os casters Priscila “Trevah” Meschiatti, Rafael “Mewtwo” Ponciano e Guilherme “Demo” Ono.
As inscrições para o campeonato ficarão abertas de 2 a 9 de novembro, e a disputa começa já no dia seguinte, em 10 de novembro. Segundo o idealizador, o torneio terá uma primeira fase qualificatória em formato de dupla eliminação e séries melhores de 3.
Então os quatro melhores times avançam para uma “fase de liga” de 17 de novembro a 2 de dezembro, quando se enfrentarão duas vezes todo final de semana em séries melhor de 5. Ao fim, os dois times com a melhor pontuação se enfrentam na grande final em 8 de dezembro em uma melhor de 7.
A “fase de liga” e a grande final serão realizadas aos sábados e domingos, das 14h às 20h, e terão transmissão ao vivo no canal da Blizzard Brasil na Twitch. Para Jschritte, a parceria com a Blizzard é importante. “Mesmo com algumas restrições, eles estão nos apoiando no que é possível”.
Já a premiação é onde o idealizador espera ter a maior ajuda da comunidade. Com um valor mínimo de R$ 2 mil, o Campeonato Brasileiro poderá ter sua premiação aumentada com base em um financiamento público feito nas plataformas Vakinha e Matcherino, que oferecem recompensas aos colaboradores.
Jschritte garante que todo valor arrecadado irá direto para a premiação, e também convida empresas a conhecerem o projeto para possíveis patrocínios. Para acessar o mídia kit do torneio, clique aqui.
Você pode acompanhar novidades sobre o torneio no Twitter oficial.
