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Coldzera quer "química" na MIBR e exalta antiga LG: "O melhor time que joguei"

Marcelo “coldzera” David, jogador de Counter-Strike da MIBR Divulgação/Blast Series

Tal qual um relacionamento amoroso, a “química” é essencial no Counter-Strike: Global Offensive. Ao menos é o que pensa Marcelo “coldzera” David, destaque da MIBR e duas vezes eleito o melhor jogador do mundo, em 2016 e 2017.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil durante a Brasil Game Show, cold abriu o jogo para falar sobre a adaptação dos norte-americanos, o passado e o futuro da vitoriosa carreira.

“Eu acho que ter um time unido depende de muitas pessoas. Querendo ou não, Stewie e tarik são menos calorosos que os brasileiros. O Stewie melhorou muito nessa parte, o tarik continua um pouco frio. Não estamos morando juntos para se encontrar, almoçar e jantar unidos e criar essa química”, destacou cold.

“Estamos num processo de aprendizado. A gente tem que se adaptar a eles, assim como eles se adaptarem a nós. É difícil, é algo que vem com o tempo. Ainda vai demorar uns 3 ou 4 meses para melhorar essa química dentro e fora do jogo”, completou.

Apesar de ter sido bastante destacada por cold, a química não é o único fator determinante para o jogador. A barreira linguística e as diferenças de mentalidade também foram citadas como elementos que também fazem parte desse processo de mudança.

“No começo tentamos nos adaptar ao Stewie, mas depois de ver que não estava dando certo, eu e fer chegamos e dissemos que tínhamos estilo e mentalidade de campeão e ele teria que se adaptar a nós, não o contrário. Agora estamos começando a voltar a jogar nesse estilo. Acredito que é mais questão de tempo, de manter a escalação e criar harmonia para voltar a vencer campeonatos”, afirmou.

“É muito difícil pegar um time que nunca jogou junto, que se comunica de maneira diferente e começar a jogar bem [instantaneamente]. A gente vem tendo uma boa evolução. Na Blast, poderíamos ter ganho da Astralis, mas erramos em rounds bestas. Conseguimos provar que eles não são imbatíveis. Mas ainda tem o lado da pressão e as vezes bate o nervosismo”, continuou cold.

“Não foi fácil no começo, principalmente pela língua. Mas isso mudou rapidamente, começamos a fazer aulas juntos e a nossa adaptação com o inglês foi tranquila”, contou.

Uma mudança que foi um pouco mais trabalhosa para cold foi a de estilo de jogo. Principalmente para ele, que teve que dividir a maioria dos bombsites com Jake “Stewie2k” Yip - o primeiro norte-americano contratado pela MIBR.

“Quando o momento ficava caótico, era pior para se comunicar. Então às vezes a gente se perdia e acabava perdendo o round. Meu foco foi organizar tudo para ele e fazer ele só jogar”, revelou.

“Quebrei muito a cabeça e pensei muito no jogo dele, foi difícil para mim. Cai bastante e acho que não foi tanto a saída do Taco, mas a entrada dos norte-americanos. Eu tinha que pensar mais em falar do que em jogar. Agora, a nossa adaptação está melhorando e minha performance está melhorando, assim como a dele”, continuou cold.

FÉRIAS PROBLEMÁTICAS E APOSTA INTERNACIONAL

Todas as mudanças citadas por coldzera não eram esperadas no fim de 2017, quando a então SK Gaming terminou o ano com uma série de títulos e no topo do ranking da HLTV. Questionado sobre essa queda de rendimento, o jogador culpou as férias estendidas.

“Todo ano que estendemos muito as férias é complicado para nós. Quando a gente volta, estamos crus e mais atrasados que todo mundo. Um jogador de Europa e Estados Unidos pode sair, jantar, ir para uma festa e no outro dia ele joga com rain, NiKo. O nível de habilidade é mantido pois ele está jogando com os melhores”, destacou cold.

“Aqui no Brasil a gente não tem vontade de jogar. Sabemos que não vai ser um negócio tão bacana. Preferimos dar uma desintoxicada e ficar sem jogar, mas acho que estendemos muito isso”, continuou.

“Esse ano, em agosto, cortamos as férias pela metade. Fizemos 10 dias de férias e 2 semanas de bootcamp. Percebemos que precisamos de apenas 7 ou 10 dias, depois temos de voltar e nos preparar mais que todos”, completou o jogador.

Foi após esse começo ruim que a equipe também decidiu pelas saídas de Epitácio “Taco” Filho e Ricardo “boltz” Prass. E, depois de especular jogadores nacionais e internacionais, Stewie2k e Tarik “tarik” Celik foram escolhidos.

“Queríamos o s1mple o flamie na época, mas não deu certo. Eles quiseram, mas acabou dando alguns problemas. Antes de chamarmos os europeus, tentamos alguns brasileiros. Fizemos ofertas, mas algumas organizações pediram preços absurdos, que infelizmente não valiam a pena”, revelou.

MELHOR TIME

A reflexão de coldzera não ficou restrita apenas ao presente. O jogador também viajou ao passado para lembrar de uma química que da saudade: a da equipe de 2016, que conquistou o bicampeonato do major.

“Quando trouxemos Taco e fnx, o conjunto em si era muito bom tanto dentro quanto fora do jogo. Era uma química diferente. Para você jogar bem, primeiro você arruma o lado externo e depois o interno. Convívio, privacidade, respeito. Tudo isso influencia no jogo. Se você não gosta de uma pessoa, por que vai jogar com ela? Isso cria uma rivalidade”, contou o jogador.

“Taco e fnx somaram muito ao grupo. Nos entendíamos tão bem fora do jogo que, dentro dele, ficava muito fácil. São jogadores excelentes, fáceis de jogar. Construímos um estilo de jogo e foi difícil para os adversários, pois não era fácil de estudar. Era algo metódico, mas bem padrão”, relembrou.

Os dois ex-companheiros foram muito elogiados por cold. Lincoln “fnx” Lau, inclusive, estava na companhia de cold e seus amigos durante a entrevista.

“O fnx foi um cara que trouxe confiança de vencer clutchs e a experiência de ensinar. Muito que eu sei de clutch eu aprendi com ele. Ele somou no grupo externamente. Ele é brincalhão, extrovertido e une muito o time”, afirmou.

Já quando o assunto foi o eterno parceiro Taco, cold destacou a conexão entre a dupla.

“O Taco me dava bastante segurança. Jogar com ele sempre foi muito bom, pois ele é muito esforçado e eu também sou. Sempre criamos coisas novas e, em todos os bombs que dividimos, estávamos um passo à frente de todo mundo. Ganhavamos dois ou três campeonatos e a galera já copiava. Mas, estávamos um passo à frente mais uma vez e sabíamos o que fazer quando isso acontecia”, completou.

Questionado se tem saudade daquela época, cold não escondeu a nostalgia.

“Foi o melhor momento. Passamos dificuldade para caramba, tivemos que batalhar três ou quatro vezes mais que a gente batalha hoje em dia. Não tinha facilidade para fazer bootcamp, dormíamos em lugares que não eram legais. Conseguimos nos provar duas vezes”, destacou.

“Muita gente fala hoje em dia que relaxamos, que não somos mais ‘raíz’, mas tudo o que temos hoje é por nossas batalhas no passado. Continuamos sendo aplicados, mas pode ser que não estejamos em um bom momento. O jogo mudou, não é mais a mesma coisa que era em 2016, 2017. Cada ano acaba sendo mais difícil que o outro. Todos os times estão jogando bem e todos podem ganhar um dos outros”, contou

Para encerrar, cold destacou 2016 como melhor ano e a formação clássica de Luminosity e SK Gaming como o melhor time pelo qual já atuou.

“Se você me perguntar qual o melhor time que joguei na minha vida, vou falar que é a LG”, cravou.

“Nosso começo de carreira foi muito bom, tivemos aprendizados e muitas derrotas. Depois, colocamos nosso jogo em um limite que ninguém conseguia nos bater. Por mais que não tenhamos ganhado tantos campeonatos quanto em 2017, os que a gente ganhou tiveram um peso muito grande. 2016 foi nosso melhor ano”, finalizou.