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Análise: F1 2018 trilha um caminho seguro e entrega "mais do mesmo" com qualidade

Assim como a temporada do “circo da Fórmula 1”, a produtora Codemasters lança um novo capítulo de sua franquia de simulação todo ano, F1. F1 2018 traz a competitividade, a velocidade de seus carros, seu calendário, tudo com a qualidade de sempre, mas que difere muito pouco de seus antecessores.

O simulador de velocidade da mais importante modalidade do automobilismo mundial, com versões para PlayStation 4, Xbox One e PC, é muito competente em recriar a F1. É um produto que deixa qualquer amante da velocidade, real ou virtual, com um sorriso no rosto.

Não é para menos. Carros e autódromos fiéis, jogabilidade bem calibrada e experiência de transmissão televisava de qualidade. No entanto, apesar da inclusão do halo e a volta dos Grandes Prêmios da França e Alemanha, o game mais parece a temporada de 2017 (ou 2016), com equipes e pilotos atualizados.

“ESTAMOS EM DEFINITIVO AQUI EM...”

O tom de “show” dado às transmissões e outros elementos que a F1 assimilou após o grupo norte-americano Liberty Media Corporation adquirir o controle da modalidade é ainda mais perceptível no simulador da Codemasters. O casamento foi perfeito, já que vídeos de apresentação dos pilotos, das pistas e o grid de largada são especialmente interessantes.

Uma vez o jogo iniciado, a tela principal traz os modos de jogo. Você pode disputar um final de semana na opção de Grande Prêmio, bater recordes em voltas avulsas, criar torneios personalizados ou desafiar outros jogadores em Multiplayer. Porém, o principal modo de F1 2018 é Carreira.

Nela, criamos um piloto (homem ou mulher) e personalizamos (até certo ponto) alguns elementos como seu rosto, capacete e nome. Uma vez criado, passamos a trilhar a carreira na modalidade, na busca por pontos, prestígio e o título.

Ao disputar as 21 provas da temporada, incluindo a seções de treinos livres, ganhamos pontos de prestígio e habilidade para fortalecer o piloto. Damos até entrevistas à imprensa para definir sua personalidade. De acordo com as respostas dadas, montamos nossa personalidade, uma “perfumaria de luxo” sem grandes repercussões. Mais legal é cumprir as tarefas extras que surgem, como ser efetivo com um carro clássico da F1 em determinada prova, por exemplo.

Os carros clássicos, inclusive, são uma atração à parte no game, um “prato cheio” para os fãs da história da Fórmula 1. Seja nas pistas clássicas ou autódromos modernos, correr com carros icônicos, principalmente das décadas de 70 e 80 do século XX, é muito bom.

Em 2018, F1 acrescenta a Brawn BGP-001, de 2009, e Williams FW25, de 2003. Cada carro oferece uma experiência única de jogo. Em tempos de tecnologia que transforma os pilotos em “passageiros”, ser desafiado a baixar segundos com o que estes carros oferecem é um grande desafio.

ESCOLA DE PILOTAGEM

Um Fórmula 1 é o resultado do que há de melhor em tecnologia voltada para o automobilismo – e não é fácil guiá-lo. Uma vez que dirigir um carro destes é complicado, o simulador possui alguns auxílios de condução, que calibram a dificuldade do jogo.

Há um trilho com cores que indica quando acelerar e frear, tecnologias que atuam na tração e direção, e muitas outras ajudas. Não se acanhe em começar no Iniciante, caso precise aprender o básico. Cada nível te treina para o próximo passo, o que aumenta a longevidade do game.

Além dos auxílios, há o clima dinâmico, que muda a condição da prova. Correr com uma opção diferente de pneu que o momento exige, como pneus gastos contra um oponente que acaba de sair do pit ou disputar com pneu de pista seca no asfalto molhado é perigoso demais e uma opção pouco inteligente, torna-se mais um grau de dificuldade do game.

Por fim, os acidentes rondam cada disputa. Quem acompanha a Fórmula 1, ou qualquer modalidade do automobilismo, e torce para as grandes ultrapassagens, fica “nervoso” com a falta de combatividade extrema. Mas é só quando estamos no controle que entendemos essa “falta” de arrojo dos pilotos.

Qualquer piloto tem arrojo, pois desafiam a morte ao sentar em um veículo que passa dos 300 km/h., mas afetar seu carro com uma batida ou deixar a prova com um acidente alimentam sua prudência ao volante.

Em F1 2018, os vários níveis de acidente fazem com que tenhamos os cuidados necessários. Há diversos níveis de destruição: de só uma forte batida poder tirar uma peça ou aquele mais realista, no qual qualquer toque causa uma grande perda de componentes. É mais um adversário na prova.

A grande novidade da temporada 2018, o halo, não poderia faltar. Elemento que visa aumentar a segurança, o polêmico componente é uma parte da carenagem colocada sobre a cabine do piloto a fim de protegê-lo.

Se comparado com a realidade, o halo só é efetivo mesmo nas corridas reais. No simulador, trata-se de um elemento visual inserido para manter sua fidelidade. No entanto, sua inclusão tem um efeito colateral quando usamos a câmera na altura da visão do piloto.

Uma vez que estejamos no período de aprendizagem e jogamos com o trilho de direção acionado, a visualização do elemento visual é afetada com a posição do halo. A fina coluna central do componente de segurança acompanha o traçado do trilho e atrapalha sua compreensão. Uma vez desligada, o halo volta a se tornar apenas um elemento visual.

ANÁLISE TÉCNICA

A Codemasters faz um trabalho anual impecável, colocando seu F1 na vanguarda dos simuladores. A começar pelo som, o jogo consegue diferenciar o barulho de cada motor, mesmo quando muda com a câmera ou em acidentes, por exemplo. Visualmente também é muito bem trabalhado. Além da qualidade dos carros, destaca-se a luz, um elemento que pode mudar a jogabilidade, já que o angulo de visão pode ser afetado.

A Codemasters tem seu mérito ao traduzir o game para o português e a dublagem está bem sincronizada, bom trabalho do diretor de dublagem. Mas o jogo não fugiu do texto genérico original. As frases até trazem uma contextualização legal, com explicações técnicas que vão até certo ponto. Mas como vemos em Pro Evolution Soccer, da Konami, o texto é superficial, sem muita personalidade. Na narração de certo momentos do Grande Prêmio, há frases genéricas que servem para cada etapa, exceto por dados de uma pista em especial.

F1 2018 é um grande produto, muito bem realizado e essencial para quem curte F1. No entanto, o game mais parece uma continuação dos últimos anos, tornando-o mais uma atualização do que um game independente.