Sempre achei Epitácio “Taco” Filho um cara forte. Nada melhor que o tempo dele na SK Gaming para provar isso. Na equipe número um do Brasil, Taco nunca quis o holofote e não fugiu das críticas. Em um meio tão egocêntrico, jogadores como esse são raros. Mas, no último fim de semana, ele foi além. Taco está acostumado a morrer pelos companheiros durante os jogos, mas, no dia 28 de julho, ele foi além. Ele se sacrificou pela Team Liquid de uma maneira que poucos fariam.
Não foi entrando num bombsite com a mira para o céu e pulando. Foi tirando forças de uma tragédia para orgulhar seu pai - que faleceu no dia da semifinal da Eleague Premier contra a Natus Vincere.
Num tuíte que o próprio definiu como “meio insensível”, ele avisou a torcida sobre sua situação. A partir daquele momento, Taco mostrou que sua atitude humilde não é uma exclusividade do servidor. Ele optou por permanecer nos Estados Unidos e jogar a semifinal, colocando o objetivo da Team Liquid acima de seu bem estar mental.
Consigo listar poucas coisas que eu faria se perdesse alguém tão próximo. Competir em alto nível em um torneio de 1 milhão de dólares à 7 mil quilômetros de distância da minha família, definitivamente, não é uma delas.
Ele venceu a Na`Vi e perdeu para a Astralis na decisão. O objetivo final não foi cumprido, mas o resultado pouco importa. A lição que fica é muito maior que o troféu.
Sempre respeitei muito o Taco pelo tratamento que teve comigo, pela colaboração para colocar o Brasil no topo do mundo do Counter-Strike e por aguentar um caminho de críticas - injustas ou não.
Agora, eu respeito muito mais. Ele redefiniu os conceitos de força e foco. Taco, mais uma vez, se sacrificou pelos companheiros. Não foi pela primeira, nem pela última, mas foi a mais tocante.
