<
>

Opinião: O cross-play se ergue para revolucionar nosso jogo online de cada dia

Jogadores de Fortnite não puderam jogar com suas contas de PS4 no Nintendo Switch Divulgação/Epic Games

Os fãs de filmes de ação dos anos 80 e 90 tinham um sonho: ver Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone juntos no mesmo filme. Algo que parecia impossível na época se realizou no terceiro milênio. Um cenário semelhante pode ser apontado na indústria dos videogames: um jogador de PlayStation 4 desafiando alguém no Xbox One. Quem não gostaria de ter essa oportunidade?

Os fãs de Rambo e do Exterminador demoraram duas décadas para ver um crossover no cinema. Os fãs dos videogames tiveram que esperar mais ainda para que um fenômeno desses seus primeiros passos reais rumo ao “Mercenários dos videogames”: o cross-play.

O cross-play é o termo do momento nos videogames. É um sonho antigo dos jogadores, algo impensável tecnologicamente até anos atrás e algo que podem definir a maneira como jogaremos no futuro.

Trata-se da integração multiplataforma de partidas online, a disputa entre jogadores de videogames diferentes em uma mesma seção de jogo unificada. Jogadores de PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch jogando juntos, sem quaisquer amarras, cada um em sua plataforma. Algo em crescimento, com sua velocidade limitada apenas por empresas que ainda não a apoiam, como a Sony.

O que temos no momento? Jogadores de Fortnite no PC podem jogar contra adversários nos consoles. Rocket League tem a mesma situação. Minecraft é ainda mais livre: jogadores de Nintendo Switch, PC e Xbox One estão livre para criar e viver em seus mundos pixelados.

Os produtores da EA Sports estão loucos para que seus simuladores de esportes, principalmente FIFA agreguem todo tipo de jogador. O que temos em comum em todos estes casos? Sony.

Em conferência da Gamelab na Espanha, o CEO da Sony Computer Interactive America, Shawn Layden, quando perguntado sobre Fortnite e problema encontrado por jogadores que tentaram usar suas contas do PS4 no videogame da Nintendo, disse: "As circunstâncias em torno do assunto afetam muito mais do que apenas um jogo. Estou confiante de que chegaremos a uma solução que será aceita por nossa comunidade ao mesmo tempo que apoia nosso negócio".

PONTOS POSITIVOS E ESPORTS

Quem é contra o cross-play deve imaginar que a unificação deve achar que o fenômeno deve atrapalhar de alguma maneira seus negócios, assim como pensava a indústria fonográfica quando o MP3 se popularizou. Porém, quem deve se adaptar é a própria indústria.

Quando você remove as barreiras e os limites, faz com que os jogadores tenham maior liberdade para escolha sua plataforma já que todas permitem acesso ao jogo multiplayer. Uma vez que o serviço seja melhor ou mais barato, quem oferece a melhor experiência vence. Concorrência faz com que as empresas corram atrás de qualidade para se destacar e faz com quem entrega algo ruim perca espaço. Quando o assunto é esports, as coisas poderiam ser ainda mais importantes.

Os esportes eletrônicos seriam o setor mais beneficiado pela expansão do cross-play. Dentre as vantagens pode-se citar a oportunidade para organizadores terem a chance de escolher a plataforma que mais lhe convém para determinado torneio ou evento, facilitando e expandindo sua execução.

O processo de crescimento se tornaria um círculo positivo. A facilitação de acesso, seja por qual videogame, seria um fator de aumento para o número de jogadores ligados ao multiplayer online. Se esse número de jogadores conectados cresce, aumenta a comunidade, que por sua vez torna-a mais forte.

Uma comunidade mais forte, com mais jogadores ativos, faz com que sua qualidade aumente. Uma vez que a qualidade aumente, o produto se torna mais valioso, facilita sua penetração ao grande público e aumenta sua visibilidade e patrocínio. Maior, que chama cada vez mais jogadores para que esse círculo de crescimento se perpetue.

O único porém fica por conta do único diferencial que a unificação dos consoles cria e que não pode afetar o cenário competitivo: o hardware. Cada videogame possui seus conceitos de design e a diversidade é sadia, pois cria uma experiência personalizada mesmo em um cenário alinhado. Os controles teriam de seguir parâmetros mínimos para afastar qualquer tipo de auxílio ou benefícios fora das regras.

FUTURO

Para falar sobre o futuro, volto ao passado. Em 2007, escrevi um artigo para a revista PSWorld, especializada em videogames da Sony. Na oportunidade, o tema era uma comparação entre os atos de jogar e dirigir um carro. Era um texto relacionado sobre a importância dos jogos exclusivos para as plataformas, pois seriam os únicos chamariscos para um videogame e eram cada mais escassos na época.

Vamos ao trecho que nos interessa daquele texto: “Quem não pode comprar todos consoles, vê a distância donos de videogames concorrentes rodando grandes séries exclusivas. Se as exclusividades acabarem, adquirir um videogame será como comprar um carro. Você só escolherá a marca, a cor ou algum tipo de opcional. Não importe o console que você compre, todos farão o mesmo. Um terá um sistema melhor de rede e outro terá qualidades técnicas melhores. Mas no final todos farão o mesmo, ou como nos carros, chegarão ao destino”.

Mesmo vendo um número maior de exclusivos na atualidade, “invoco” este trecho daquele artigo para retomar o pensamento de direção de carros e jogo. Quando falei que o videogame seria apenas o meio a se chegar ao destino associo-o agora ao cross-play.

O futuro reunirá os jogadores pelo software e jogaremos os mesmos jogos multiplayer juntos, seja lá qual for a escolha que fizermos do hardware. Assim como os jogadores de PC compram seus teclados e mouses favoritos, os jogadores escolherão seu videogame, mas não deixarão de jogar contra sua vizinha ou um sujeito do outro lado do mundo por que escolheram determinado videogame.