O ESPN Esports Brasil preparou um especial com narradoras e comentaristas do cenário brasileiro de esporte eletrônico. Neste quarto texto, apresentamos Ana Paula “Ana Xisde” Cardoso, comentarista brasileira de Overwatch.
Apesar de estar no cenário de Overwatch, o FPS da Blizzard não foi o jogo que fez Ana decidir ser comentarista. Apaixonada por jogos, ela diz que passou por vários títulos até encontrar um que a cativasse a ponto de fazê-la acompanhar o cenário competitivo. Esse jogo foi o League of Legends.
“Fui apaixonada por League of Legends por vários anos, até que um dia eu percebi: mesmo depois de tantos anos, não havia nenhuma mulher nas transmissões oficiais dele”, conta Ana. “Aquilo me intrigou a ponto de eu parar para pensar e perceber que eu poderia ser essa mulher. Então comecei a estudar para me tornar comentarista de LoL”.
Entretanto, a história mudou depois que Overwatch foi lançado em 2016. ‘O jogo era ótimo, promissor e muito divertido. Então, com incentivo de um amigo, passei a estudá-lo também”, lembra Ana. “Cheguei a comentar campeonatos dos dois jogos, porém era muita coisa para estudar e acompanhar então, para manter o nível dos comentários, eu precisava focar em apenas um”
A decisão de escolher entre Overwatch e League of Legends não foi fácil. “Estava entre um jogo difícil de entrar no mercado, porém com um cenário competitivo já consagrado, e um jogo que não sabíamos como seria no futuro, mas seria mais fácil entrar no mercado, já que era um jogo novo”, explica. “Fiz minha escolha e hoje me dedico exclusivamente ao Overwatch”.
Para entrar e crescer no cenário, Ana afirma que estudou muito e “deu a cara a tapa”. A primeira coisa que fiz foi estudar muito para que eu me sentisse preparada para fazer o trabalho de comentarista e assumir essa responsabilidade mesmo sem experiência”, diz. “Depois disso, eu acompanhava todos os campeonatos que apareciam e ia falar diretamente com o organizador oferecendo meu trabalho”.
A comentarista revela ter perdido a conta de quantos “nãos” levou até ficar sabendo do OverDvas, um campeonato feminino organizado por jogadores. “Elas estavam a procura de uma dupla de casting feminino, e foi aí que encontrei minha primeira oportunidade. Depois eu não parei mais. Participei do evento de aniversário de um ano de Overwatch, comentei mais diversos campeonatos, depois meu primeiro campeonato latino americano, até que cheguei a Copa do Mundo de Overwatch”, relembra.
Com o nome consolidado, Ana explica que não vive somente de campeonatos. “Também crio conteúdo para o YouTube falando sobre o cenário competitivo de Overwatch e dou palestras sobre a construção de uma carreira no E-sport”, diz orgulhosa.
Para Ana, a parte mais difícil - e indispensável - de ser uma comentarista é manter-se atualizada com o jogo. “Atualmente eu faço muitas coisas: sou comentarista, geradora de conteúdo, atriz, cantora, bailarina e professora. Administrar meu tempo é algo crucial, mas nem sempre fácil de fazer”, explica.
“Jogos online envolvem muitas atualizações e constantes mudanças”, continua. “Manter-se atualizada sobre elas e a par dos campeonatos mais importantes é indispensável para ser uma boa comentarista. É ótimo, porém trabalhoso”.
Neste quesito, a comentarista afirmar que acompanha os maiores campeonatos de Overwatch, como a Overwatch League, o Contenders e a antiga Apex. “Além disso, sempre que preciso me atualizar sobre as mudanças de meta, estudo por volta de 2h por dia ou sempre que possível de acordo com meu tempo disponível”, conta ela. Ana afirma que ser comentarista não é um trabalho fácil: “Você precisa ter um olho muito treinado para ver coisas que o narrador não vê durante a partida e ter muito conhecimento sobre o jogo para analisar as jogadas em tempo real, sem replay”.
Entretanto, ela considera que todas as dificuldades valem a pena, e que a parte mais prazerosa de ser uma comentarista é o trabalho durante a transmissão. “A emoção e diversão dos jogos, a recepção calorosa do chat e tudo mais é muito gratificante e faz todo o esforço por trás valer a pena”, garante.
Enquanto vê uma melhora no cenário desde quando começou, a comentarista espera que possa inspirar outras mulheres a seguirem o mesmo caminho. “Sou uma das poucas mulheres que conseguiu, de alguma forma, ser bem sucedida em uma área em que somos parte de uma minoria. Acredito que isso é algo importante, pois muitas mulheres sentem falta de ter alguém como exemplo para seguir”, comenta.
Ela complementa: “Sou uma mulher que não só conseguiu entrar no mercado dos jogos, como se manteve nele devido a qualidade do seu trabalho, conseguido com muito estudo e dedicação, mesmo com todas as dificuldades. E mesmo tendo passado por situações de preconceito no começo, minha história não tem isso como foco, demonstrando que essa não é a parte importante e sim a força de vontade e determinação, que vêm acompanhados da paixão pelos jogos online”.
Você pode acompanhar o trabalho da Ana no Facebook, Twitch e YouTube.
