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Reeh e Nanda: Conheça as futuras vozes do Counter-Strike brasileiro

Reeh (esq.) e Nanda (dir.) estão treinando para serem comentaristas profissionais de Counter-Strike Reprodução/Arquivo Pessoal

Quem acompanha as transmissões de Counter-Strike no Brasil já está acostumado a ouvir as conhecidas vozes de Bernardo “BiDa” Moura, Luis Felipe “Savage” Hessel e companhia. Entretanto, se depender de duas mulheres, esse grupo de vozes está para aumentar.

O ESPN Esports Brasil preparou um especial com as narradoras e comentaristas do cenário brasileiro de esporte eletrônico. Nesse primeiro texto, apresentamos Fernanda “Nanda” Piva e Renata “Reehplays” Bagnato, duas jovens que estão treinando para serem comentaristas de Counter-Strike.

DE JOGADORAS A COMENTARISTAS

Assim como qualquer caster de esporte eletrônico, Nanda e Reeh chegaram ao Counter-Strike primeiro como jogadoras. “Eu jogo CS há oito anos. Comecei no 1.6”. afirma Nanda. Reeh também seguiu o mesmo caminho: “jogo CS:GO há 2 anos, mas eu já jogava o 1.6 e sempre gostei muito do jogo”.

Mas, então, como surgiu a ideia de serem comentaristas do game? Para ambas, foi a falta de mulheres na área.

“A decisão de tentar ir atrás desse mundo de comentarista foi quando eu estava assistindo uma partida de CS e na mesa de comentarista tinha uma mulher (Lauren “Pansy” Scott)”, explica Nanda. “Então, reparei que aqui no Brasil não tinha [uma] e que seria muito legal, já que o cenário feminino está crescendo e seria bom as mulheres terem esse espaço para poder fazer suas análises e serem bem recebidas”.

Reeh concorda e diz ter pensado a mesma coisa. “A decisão de ser comentarista foi justamente por não termos uma mulher nesse meio. Temos um grupo feminino de CS:GO no Facebook, e lá a gente sempre faz debates do tipo ‘o que você faria para ajudar o cenário feminino’, e foi aí que eu vi que o Gio (atualmente coach e comentarista de CS:GO) estaria disponível para ajudar as meninas que se interessassem”, conta a filha da famosa Tia Raquel.

Giovanni "gio" Deniz, conhecido no cenário tanto por participar de transmissões quanto por suas aulas na Games Academy, é o responsável por treinar ambas as aspirantes. Nanda explica que o primeiro treinamento foi com o auxílio total do coach, que conversou sobre o que é esperado de um comentarista e deu dicas sobre a visualização do mapa dentro de uma partida.

Para Reeh, a parte mais difícil do treinamento é “conseguir prestar atenção no jogo como um todo, e não só em uma coisa específica. O comentarista tem que estar ligado em tudo para poder comentar e ajudar as pessoas que, às vezes, não conhecem muito bem do jogo”. Entretanto, a jovem afirma que, apesar da dificuldade, é muito prazeroso trabalhar com o que se gosta.

Nanda complementa: “A melhor coisa é fazer o que a gente gosta e saber que tem pessoas que acreditam no seu potencial e te abraçam para poder te ensinar, te ajudar não só na parte de comentarista, mas em coisas que são pra vida toda”.

DEDICAÇÃO E INSPIRAÇÃO

Tornar-se bom em algo não é uma tarefa fácil e feita de um dia para o outro. Com as futuras comentaristas não é diferente, e ambas estão dando os primeiros passos no quesito “dedicação”.

“Não sei dizer quantas horas me dedico. Costumo ver uma melhor de três (MD3) de uma equipe, o que pode durar horas, mas sempre no dia tento tirar um tempo e absorver dos comentaristas algo que eu possa levar para mim na hora de comentar”, explica Nanda.

“Uma das coisas importantes é o levantamento de informações referentes às equipes, por isso tenho entrado nos sites e pesquisado os últimos jogos para poder ver como as equipes vem se saindo e ter um comentário legal que possa agregar na transmissão”, adiciona. “Além disso, vejo videos no YouTube porque nem sempre dá para assistir ao vivo por conta da faculdade”.

Por sua vez, Reeh afirma que ainda não está completamente focada no estudo para ser comentarista por ser uma decisão recente, mas garante que pretende se esforçar bastante. “Pretendo gastar um bom tempo do meu dia fazendo isso, aprimorando e tudo mais. Umas 4 a 5 horas por dia, seja treinando, assistindo…”, conta.

Nenhuma das duas tem previsão para estrear oficialmente no papel de comentaristas, pois querem estar bem preparadas para isso, mas esperam contar com o apoio de todos e servirem de inspiração para outras meninas que desejam seguir na mesma área.

“Quando vemos que já tem uma mulher fazendo tal atividade, as meninas se interessam bastante e eu tenho certeza que vão buscar conversar e saber como foi, se tem como ajudar”, diz Nanda. “E acredito que da mesma forma que hoje estão me ajudando, com certeza farei o mesmo”.

“Eu acredito que as mulheres possam e são muito capazes de fazer o que elas têm vontade de fazer. Como dizem: ‘o céu é o limite’, né?”, afirma Reeh com bom humor. “Que elas sigam o mesmo caminho se tiverem vontade, pois basta querer e focar que nós conseguimos tudo”.

COM A PALAVRA, O TREINADOR

Treinador das futuras comentaristas e apoiador antigo do cenário feminino, Gio também conversou com o ESPN Esports Brasil sobre a chegada de mulheres em uma área conhecida por ser dominada por homens. Para ele, é “importante que as mulheres tenham seu espaço como um todo”.

“Em um cenário de homens, o ego é algo constante. Mulheres têm vaidade como todo ser humano, mas são muito mais organizadas e focadas em atender a demanda como um todo do que focar no próprio ego”, afirma Gio. “Mulheres são extremamente profissionais, focadas e mais organizadas. Trabalhei durante um ano com elas, já tive outros empreendimentos e gosto muito de trabalhar com mulheres em N setores”.

Sobre Nanda e Reeh, suas pupilas, o treinador revela que já fez uma gravação recente e que está enviando o material para parceiros. “Já temos projetos rolando com intuito de uma das duas trabalharem com isso em breve. Ainda não tivemos um tempo considerável para amadurecê-las, mas na prática é onde a gente pega a maior experiência”, comenta.

Já para quem ainda deseja entrar na área, Gio deixa o recado: “Se exponha, se mostre, dê a cara a tapa, faça coisas ruins e melhore elas. Faça coisas boas e deixe elas cada vez melhores”.

“Se você não aparece, não é lembrado. E todo mundo precisa bater de frente com obstáculos”, complementa o treinador. “Hoje, o obstáculo da mulher vai além do que só as barreiras do ramo, porque tem o preconceito natural de um nicho dominado por homens. Mas, honestamente? Cresci com uma mãe que é mais p*rra louca que qualquer marmanjo que já conheci e prefere uma furadeira do que uma boneca de presente de aniversário. Com certeza, acredito que as mulheres têm muito mais disposição de ingressar do que qualquer homem”.

Saiba como acompanhar Nanda, Reeh e Gio:

Nanda - Twitch

Reeh - Twitch / Facebook / Youtube

Gio - Facebook / YouTube