Um jogador pode entrar para a história da modalidade na qual compete de diversas formas: sendo irreverente ou polêmico, conquistando competições importantes, mostrando um nível de habilidade fora do comum e por ai vai. Mas há também a possibilidade de se cravar um lugar na eternidade ao realizar uma jogada inesquecível. Foi o que fez o caçador. sul-coreano Choi "inSec" In-seok.
Durante o All-Stars 2013, no duelo entre as seleções da Coreia do Sul (LCK) e da Europa (LCS EU), o então integrante da KT Rolster B chocou o mundo com um lance incrível de Lee Sin. Usando uma combinação das habilidades do Monge Cego nunca antes vista, inSec “chutou” o atirador alemão para Peter "yellowpete" Wüppen (Evil Geniuses) para próximo dos companheiros.
Apesar de dar nome a jogada, não foi inSec que a inventou. O caçador só a tornou popular ao mostrá-la naquele Jogo das Estrelas. O inventor do lance é um mistério. O que se sabe, apenas, é que a origem vem das filas ranqueadas sul-coreanas. Em entrevista à Riot Games, durante o Campeonato Mundial de 2014, inSec revelou que o "o fato de eu ter gravado meu nome neste jogo realmente me satisfaz" e que "uma das razões com as quais fiquei famoso por utilizar Lee Sin foi porque, naquela época, quando eu estava jogando com o campeão, nem todos os jogadores usavam o Lee Sin".
— Gabriel Melo (@gabrielpumba) 20 de fevereiro de 2018
A LENDA INSEC
Atualmente sem equipe, inSec começou a competir no League of Legends em 2012 e, logo na temporada de estreia, conquistou o primeiro título. Defendendo o Team Bubble, o caçador conquistou a primeira edição do torneio da 2ª divisão sul-coreana. A performance chamou atenção da CJ Entus, uma das organizações mais respeitadas daquele País e com a qual chegou às semifinais do Desafio Global de Colônia da 7ª temporada da Intel Extreme Masters (IEM).
Mas foi vestindo a camisa da KT Rolster que inSec conseguiu alguns dos resultados mais expressivos da carreira. Entre 2013 e 2014, atuando pela segunda equipe da organização o caçador conquistou a Final Mundial da 8ª temporada da IEM e foi vice-campeão tanto na segunda etapa da liga profissional coreana como também na Final Regional daquela região, ambos para a toda poderosa SK Telecom T1.
O ápice veio com a entrada do caçador na chinesa Star Horn Royal Club (SHRC), em 2014. Naquele mesmo ano, inSec foi primordial para que a equipe chegasse à Grande Final do Campeonato Mundial daquela temporada.No confronto final, porém, a equipe acabou não sendo párea para a coreana Samsung White.
Passado o Mundial, a carreira do jogador desandou. Por duas vezes, em 2015 e no ano passado, o caçador foi rebaixado para o torneio da 2ª divisão da China (LSPL) quando defendia o SHRC. Há três anos, atuando pela rota superior, vestindo a camisa do Team King, inSec tentou se reerguer, mas sem sucesso. Com o desmanche da também chinesa DS Gaming, no fim da última temporada, o sul-coreano acabou ficando sem time.
O QUE FALAM OS ESPECIALISTAS EM LEE SIN
Para o caçador líder do Campeonato Brasileiro (CBLoL), Filipe "Ranger" Brombilla, "numa escala de 1 a 10, diria que o nível de dificuldade [da jogada] é 6, fazendo com a Sentinela, e 3, com o Flash". "Executar com a Sentinela exige um pouco mais de habilidade e treino", afirma o integrante da KaBuM
Conhecido por ser um dos melhores Lee Sin do Brasil, o caçador da Vivo Keyd, Gabriel "Revolta" Henud, analisa que o "difícil é aprimorar e evoluir o inSec para outros níveis e mudar a mecânica da jogada". Reserva da CNB e-Sports Club, Leonardo "Erasus" Faria afirma que "o que diferencia um Lee Sin bom de um ruim é a rapidez na qual ele faz a jogada e saber o momento exato para executá-la".
Categórico, Revolta afirma que trata-se de "uma jogada que muda o rumo do jogo: ou a seu favor ou contra você mesmo" já que "se acertar, provavelmente, você ganhou a teamfight; mas, se errar, o seu time conta com menos um na luta". O integrante da Vivo Keyd continua dizendo que o movimento "se tornou uma jogada muito difícil e extremamente arriscada" tendo em vista que, "atualmente, Lee Sin é um campeão mais usado de forma defensiva, por conta de todos já esperarem o inSec".
Para Ranger, a "influência da jogada pode ser gigantesca" porque "como é uma jogada que desloca o posicionamento de um inimigo, pode ser decisiva em uma partida". O caçador aponta que "o momento de usar é bem delicado, pois é uma jogada bem famosa e todo mundo sabe que pode ocorrer em algum momento.Portanto, todos os jogadores - principalmente os carregadores - ficam muito atentos, o que exige uma certa 'malícia' e criatividade para dar uma diferenciada".
Dos três jogadores entrevistados pelo ESPN Esports Brasil, apenas Revolta não coloca o caçador sul-coreano na lista dos melhores da posição: "o inSec sempre foi um grande caçador, mas o impacto dele foi revolucionar a teoria de que os junglers não precisam de mecânica. Ele é um exemplo de mecânica na selva. Ele não entra na lista dos melhores de todos os tempos, mas está 100% na lista dos que revolucionaram".
Na visão de Ranger, a influência do coreano "foi muito grande entre 2013 e 2015, e ter uma jogada nomeada em homenagem a você não é para qualquer um". Erasus afirma que "ele foi um dos jogadores que ajudou o cenário de LoL a pensar em novas possibilidades de mecânicas, saindo do habitual. E ele com certeza deixou sua marca e sempre será lembrado como um dos melhores caçadores".
