Lucas “Rase” Guerra pode não ter disputado a última edição do Campeonato Mundial de Hearthstone, mas foi primordial na campanha do vice-campeão Frank "Fr0zen" Zhang. Isso porque um dos decks utilizados pelo norte-americano, com exceção de uma carta, foi baseado em um dos baralhos montados pelo jogador brasileiro.
"Fiquei muito feliz por ter colaborado de alguma forma para que ele conseguisse chegar a final do mundial", contou Rase em entrevista ao ESPN Esports Brasil. O jogador revelou que Fr0zen o agradeceu tanto de forma privada como também pública. "Esse reconhecimento é sempre importante, ainda mais quando vem de um grande nome como Fr0zen", completou o brasileiro.
Pela grande quantidade de cartas existentes no jogo, as combinações para construir decks são quase infinitas. Se para muitos jogadores isso é bom (já que várias estratégias podem ser traçadas), para outros trata-se de um problema. Segundo Rase, um deck para ser bom no competitivo precisa, "primeiramente, de sinergia".
"Seu deck precisa fazer algum sentido, ter ao menos uma condição de vitória. E depois tudo varia de acordo com o 'meta'", explicou o brasileiro. Ainda de acordo com Rase, "muitos decks surgem na tentativa de combater aqueles que são os mais fortes ou jogados no momento".
"Criar ou refinar um deck não é uma tarefa simples", aponta Rase. "Tanto que grandes jogadores no mundo todo apenas 'pilotam' dos decks e deixam a parte de criação para outros", explica o jogador. Segundo o brasileiro, "o primeiro passo é você buscar evoluir como jogador, melhorar seu nível e sua gameplay para quando estiver dominando bem o jogo, começar a pensar em deckbuilding".
Além da habilidade, os jogadores de Hearthstone também têm que contar com a sorte as vezes. Tudo por conta da mecânica de aleatoriedade presente no jogo - em inglês random numbers generated (RNG). "Como em qualquer jogo de cartas, você pode simplesmente 'comprar mal' e isso te custar a partida. Ainda existe o famoso 'RNG' que também atrapalha as vezes'.
Por conta disso, segundo Rase, "a escolha da estratégia (decks, tech cards, ban, etc) é muito importante. Além de estar sempre tentando fazer 'a melhor jogada' todo turno, podem aumentar suas chances de vitória".
MUDANÇAS NO JOGO
Para a temporada 2018, a Blizzard anunciou uma reformulação no sistema ranqueado do jogo. A partir de março, cada ranking terá cinco estrelas, o que, de acordo com a desenvolvedora "deixará todas as classificações iguais e significa que todos os jogadores experimentarão a mesma quantidade de progresso, independentemente de suas posições no Modo Ranqueado".
Na opinião de Rase, "foram pequenas mudanças e sem grandes impactos". "Apenas diminuíram o tempo de 'grinding' pra quem sempre pegar Legend, o que é bom", analisa o jogador. Para o brasileiro, isso "deve melhorar um pouco o match making nos rankings mais baixos".
Questionado pela reportagem sobre o que acredita que ainda precisa ser feito no jogo, Rase aponta a falta de "um modo de torneio dentro do próprio HS. Isso é o que eu e muitas pessoas pedimos faz tempo".
COPA AMÉRICA
Depois de um ano, Rase voltará a disputar uma Copa América de Hearthstone, uma das mais importantes competições da modalidade. O jogador foi um dos quatro brasileiros que se classificaram via seletiva latino-americana no fim do mês passado. “A expectativa é sempre boa”, afirma Rase.
“Terminei 2017 com o título da Promo Arena e um vice-campeonato latino. Agora, já começo 2018 com o pé direito, com essa classificação e, quem sabe o título”, comentou o jogador. Com a presença de "jogadores do mundo todo" o brasileiro crê que o torneio "tem tudo para ser um evento incrível".
A última vez que Rase disputou a Copa América foi no início do ano passado, na etapa de inverno. Nela, o brasileiro foi dominante na Fase de Grupos, com duas vitórias, mas, na Fase Eliminatória, acabou sendo eliminado logo nas Quartas de Final após perder para o chileno Saitama por 4 a 3, de virada.
"Tive bastante azar em alguns jogos, mas isso faz parte", analisa Rase. "Pelo menos a preparação havia sido boia, pos fiz com o Coglorin e tínhamos, praticamente, a mesma estratégia e ele conseguiu sagrar-se campeão daquela edição", contou o jogador.
Rase espera se "preparar bem" para o torneio e prometer que dará o "melhor para sair com o título". Mas caso seja eliminado durante a competição, o jogador revelou que vai torcer para os outros brasileiros que vão disputar a Copa América: "em especial ao Rodrigo 'Perna' Castro, que é com quem tenho treinado e me preparado para os campeonatos".
Na primeira edição deste ano da Copa América, Rase caiu no Grupo B junto com o argentino Pinche e os mexicanos iamChapsgg e Valash. O jogador acredita "que todos os grupos estão equilibrados" já que "afinal não foi nada fácil chegar até esse Top 16, então todos jogadores têm seus méritos".
Dos três adversários, Pinche é o que Rase melhor conhece: “é o jogador mais consistente se tratando de Copa América”. Sobre a dupla do México, “que eu não conheço tão bem”, o brasileiro afirma que “vou procurar mais informações sobre eles, para me preparar melhor”.
CENÁRIO BRASILEIRO
Apesar de ser uma região que possui bons jogadores, o Brasil ficou de fora da última edição do Campeonato Mundial de Hearthstone e ainda não conseguiu despontar no cenário internacional. Categórico, Rase afirma que o que falta para isso acontecer é "apoio, incentivo e oportunidades".
"Temos infinitamente menos campeonatos e premiações menores do que lá fora", afirma o jogador. Segundo o brasileiro o fato de ter "poucos times investindo no cenário torna a vida dos jogadores mais difícil" já que para "você ser 'top' em alguma coisa, requer tempo e dedicação".
"Também temos grandes jogadores. Uma prova disso, foi o time brasileiro indo bem no HGG, alguns bons resultados de HCT e eu sendo um dos melhores jogadores da ranked no mundo todo", completa Rase.
A pedido da Reportagem, o jogador fez uma pequena análise sobre o atual estado do cenário brasileiro: "em 2017, tivemos menos campeonatos do que gostaríamos. Mas agora para 2018, a Blizzard mudou o formato do HCT". O que, de acordo com Rase, vai dar um gás nesta temporada já que os torneios terão "premiações maiores" e dará a "possibilidade de disputarmos seletivas onlines para os majors". Contudo, o jogador ressalva que "ainda não é o ideal e o Brasil precisa muito de mais apoio, porém, me parece ser um ano muito promissor".
Rase acredita que os jogadores brasileiros estão 'cada vez mais ganhando espaço e sendo reconhecidos". Prova disso, aponta, "foi o Fr0zen utilizando meu deck durante o mundial".
