Investindo alto em jogadores campeões desde que decidiu competir no League of Legends, não é atoa que a Vivo Keyd é conhecida por todos no cenário brasileiro como “time das estrelas”. A organização é outra que esteve presente em todas as seis etapas do atual Campeonato Brasileiro.
No dia 20 de janeiro, a principal competição do país voltará a ser disputada, e o ESPN Esports Brasil montou uma série de matérias especiais contando a história dos oito times participantes e a trajetória de cada um no CBLoL.
O clube surgiu no cenário nacional de esportes eletrônicos, em 2010, como IMBA e, posteriormente, passando a chamar-se Keyd Team. A primeira modalidade na qual começou a investir foi o StarCraft, enquanto o nome da organização é uma homenagem a um parente já falecido de um dos donos, André Pontes.
"[Meu tio] Uma das pessoas mais importante que já passou pela minha vida, quem definiu meu caráter e minha forma de pensar. Por isso os momentos que mais me emocionam são quando escuto todos gritando seu nome: Keyd!", explicou o executivo em entrevista ao MyCNB, em fevereiro de 2017.
Já a história da Keyd na modalidade começou a ser escrita em novembro de 2012, após a organização contratar quatro jogadores que, pela CNB e-Sports Club, conquistaram a primeira competição realizada pela Riot Games no país: o Torneio de Lançamento do League of Legends no Brasil, vencido pelos ex-Blumers em agosto de 2012 contra a extinta vTi Gaming.
O topo Leandro “Fox” Lisboa foi o único a não assinar com a nova organização, sendo substituído por Daniel “DOP” Costa. Por conta disso, o time fez rearranjos nas posições já que o novo integrante era caçador e o antigo, Vinicius “Loky” Alves, passou a atuar na rota superior.
O Global Challenge da 7ª temporada da Intel Extreme Masters, realizado em São Paulo, no início de 2013, foi o primeiro grande compromisso da Keyd Team no League of Legends. A organização, porém, disputou a competição com uma formação totalmente diferente da anunciada no final do ano anterior, já a mesma acabou se desfazendo.
Com elenco formado por jogadores das extintas vTi Ignis e vTi Nox - respectivamente, os primeiros campeão e vice do CBLoL - a Keyd fez história naquela IEM sendo a primeira equipe brasileira a vencer uma da Coreia do Sul, região que despontava como a mais forte da modalidade. No segundo compromisso pelo Grupo B, o time desbancou a antiga Incredible Miracle - que viria a vencer a competição dias depois. O episódio ficou conhecido como “Milagre Brasileiro”.
A estreia da Keyd numa competição promovida pela Riot Games aconteceu em julho de 2013, no Campeonato Brasileiro. Campeã de vários torneios importantes que antecederam o nacional, a equipe era considerada pela maioria dos especialistas e comunidade como a grande favorita para levantar o troféu. O resultado, porém, ficou muito longe do esperado.
O clube disputou o CBLoL daquele ano com uma pequena mudança com relação a formação presente na IEM. O atirador Rafael "Rafes" Peres foi dispensado e deu lugar a Raphael "Haelz" Nether. A modificação pareceu ter prejudicado o desempenho do time, eliminado precocemente na Fase de Grupos após ser derrotado por RMA e-Sports, Nex Impetus e PeesPlay Gaming.
Apesar de sempre ter apostado pesado em grandes contratações desde que ingressou na modalidade, a fama de “time de estrelas” só pegou mesmo em 2014, quando, no início daquele ano, a Keyd fez uma reformulação total, passando a chamar-se Keyd Stars e formando um time de astros, com direito a dois sul-coreanos: Park "Winged" Tae-jin (Caçador) e An "SuNo" Sun-ho (Meio).
KEYD NO CBLOL
A Vivo Keyd não é somente uma das quatro equipes que disputaram as seis etapas do atual Campeonato Brasileiro de League of Legends já realizadas, mas também aquela que mais vezes ficou com o grito de campeão entalado na garganta. Os Guerreiros foram vice-campeões em três oportunidades.
A organização bem que tentou, lutando até o último minuto, mas a primeira bola da trave da Keyd aconteceu na edição de estreia do CBLoL como liga profissional. Para este campeonato, o clube investiu pesado, trazendo novamente jogadores da Coreia do Sul, desta vez o caçador Kang "DayDream" Kyung-min e o atirador Kim "Emperor" Jin-hyun. Matheus "Mylon" Borges (Topo), Murilo "takeshi" Alves (Meio) e Caio "Loop" Almeida (Suporte) completaram a formação.
Com o novo “time de estrelas”, a Keyd foi dominante na Fase de Classificação daquele torneio, terminando-a dividindo a primeira colocação com a INTZ após vencer cinco das sete séries que disputou e empatando as outras duas. Na Fase Eliminatória, o time até começou bem, batendo a antiga KaBuM Black por 3 a 0, mas, surpreendendo a todos, acabou não correspondendo ao enfrentarem os Intrépidos na grande final: derrota também por 3 a 0.
Coincidentemente, as outras duas vezes em que a Keyd ficou no “quase” aconteceram também em etapas de abertura de temporada. Em 2016, os Guerreiros não foram páreos, novamente, para a INTZ, perdendo outra vez por 3 a 0, enquanto no ano passado a equipe acabou caindo diante a Red Canids Corinthians, também com um sonoro 3 a 0.
Apesar do relativo sucesso, a Keyd vem numa decrescente dentro do CBLoL. Nas três últimas edições disputadas, a melhor colocação da equipe na Fase de Classificação foi terminar em 4º lugar - 2ª etapa 2016 e 1ª etapa 2017. Fora isso, em dois desses torneios o time teve aproveitamento inferior a 50%; o mais baixo sendo 42,86% na 2ª etapa de 2017.
O torneio em questão foi o pior na história da Vivo Keyd na liga. Neles, pela primeira vez, a equipe ficou de fora da Fase Eliminatória e viu de perto o fantasma do rebaixamento. Com duas vitórias, três empates e outras duas derrotas, o time terminou a fase regular na 6ª colocação e, para se manter na elite brasileira, viu-se na obrigação de disputar a série de Promoção.
Na repescagem, a Keyd deixou o mau momento de lado e carimbou a permanência no CBLoL após uma categórica vitória, por 3 a 0, sobre a Iron Hawks.
FORMAÇÃO 2018
A Vivo Keyd voltou a investir pesado e montou outro “time de estrelas” para a disputa da primeira etapa da temporada 2018. Numa movimentação ousada a organização conseguiu remontar a antiga formação da INTZ, campeã de três edições do CBLoL e que está há 27 séries oficiais sem saber o que é derrota.
Os primeiros a ingressarem na organização foram o topo Felipe “Yang” Zhao e o caçador Gabriel “Revolta” Henud, ainda em novembro de 2016. Já o meio Gabriel “tockers” Claumann, o atirador Micael “micaO” Rodrigues e o suporte Luan “Jockster” Cardoso foram contratados no final da temporada passada. O ex-Red Canids Corinthians, inclusive, ficou conhecido com o “garoto de 1 milhão” por conta da multa rescisória presente no contrato com a Matilha no valor de R$ 990 mil, conforme revelou o SporTV em outubro de 2017.
Diante da entrada dos novos integrantes, jogadores que há muito vinham defendendo a Keyd acabaram saindo. É o caso do meio Murilo “takeshi” Alves, que deixou a organização após defendê-la por mais de três anos. Outro velho Guerreiro que também não continuará no clube na próxima temporada é André “esA” Pavezi. O atirador estava na equipe desde 2015.
Em entrevista concedida ao SporTV na época em que ingressou na Keyd, tockers enalteceu a histórica formação ex-INTZ dizendo que há "uma magia por trás" e que nunca havia presenciado "um time com aquela atmosfera, aquela vontade". Lúcido, o jogador completou dizendo que "só juntar nome não dá certo. Já tivemos vários exemplos disso no cenário, times que tentaram montar só com nomes e não funcionou".
Ao MyCNB, em novembro de 2017, durante a Superliga ABCDE, Revolta rechaçou o título de "time de estrelas" dado por especialistas e pela comunidade a Keyd dizendo que "a gente tem grandes nomes e conseguimos muitas coisas, porém ninguém aqui é estrela".
Na avaliação do caçador, essa nova reunião dos jogadores é "diferente" de quando o jogador acabou deixando a INTZ, em maio de 2015, para defender a própria Keyd e, tempo depois, voltar a vestir a camisa Intrépida: "Agora foi um pouco diferente porque a gente se separou completamente e cada um adquiriu uma experiência diferente com um determinado time".
