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NFL na ESPN: Madden 23 tem jogo aéreo aprimorado, mas gameplay ainda está abaixo de NBA 2K e MLB The Show

Antony Curti fala sobre a nova temporada do game de futebol americano, incluindo FieldSENSE, interceptações, modos de jogo e muito mais.


Melhor, mas nem tanto. Madden 23 faz jus aos milhares de reviews que seguem usando o clichê de que a franquia está no caminho certo. Só que o cenário é bem parecido como uma viagem para praia no feriado de carnaval: perto de chegar no destino, mas parado no trânsito. Traduzindo: o ritmo de desenvolvimento segue bastante lento e o jogo da NFL não replica seu esporte de maneira tão fiel quanto MLB The Show (beisebol) ou NBA 2K (basquete). Vamos à análise da nova temporada.

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FIELDSENSE: FAZ SENTIDO

Para começar, vamos falar da maior e, de fato, melhor novidade: o FieldSENSE. Nunca – e quando eu digo nunca, é de verdade, relembrando os primeiros jogos da franquia para Genesis/Mega Drive – foi possível passar a bola onde você quer como em Madden 23. O grande trunfo do jogo é a mecânica Fieldsense, estilizada pela EA como FieldSENSE. Não é apenas perfumaria. Por meio de uma combinação de botões e o uso do Analógico Esquerdo, é possível dar passes em variadas alturas e forças.

Isso, em tese, já existia – mas de uma forma muito menos satisfatória (em todos os sentidos). Era possível dar um passe “balão” (lob), mas agora é possível fazer com que o passe vá bem mais à frente ou no ombro do lado de fora do recebedor (o famoso passe backshoulder).

Tomei o cuidado para jogar mais de uma semana e o bastante para evitar a empolgações com a novidade. Passado esse tempo, posso dizer com relativa tranquilidade que, sim, não foi apenas perfumaria e fica quase impossível jogar Madden 22 de novo depois disso. O FieldSENSE, além de passes baixos ou backshoulders, permite que você antecipe muito mais a rota do recebedor. Permite também que você fuja melhor das marcações em zona. Ou ainda permite que, no controle de um Quarterback de elite, você encaixe um passe onde só seu recebedor pode pegar.

Com a nova mecânica, o jogo aéreo ficou muito mais divertido, mas não perfeito. Embora tenha melhorado algumas questões na fluidez dos tackles, agora menos dependentes de gatilhos-de-animação como até ano passado, ainda vemos colisões bastante artificiais no ar. Recebedores são bem abaixo nesses contatos estranhos.

MIRÍADE DE INTERCEPTAÇÕES

Seja para compensar a melhoria no jogo aéreo, por um bug de programação, ou simplesmente preguiça, a EA claramente não percebeu que o jogo chegou quebrado no mercado. Colocamos essa questão na versão jogada para este review, mas frisando que provavelmente deve ser corrigida em uma das atualizações ao longo de setembro.

Num primeiro momento, tomei um “susto” e achei que era eu o culpado. Talvez eu não fosse tão bom quanto achava, afinal (contém ironia). Em uma breve pesquisa na internet, encontrei várias e várias outras pessoas com o mesmo problema: um número bizarro de interceptações nos jogos. Em tudo: online, offline, do jogador, da Inteligência Artificial do jogo etc. Houve uma partida minha que com inacreditável número de 8 interceptações combinadas.

FRANCHISE COM POUCAS MUDANÇAS E FACE THE FRANCHISE RELEMBRANDO OS BONS TEMPOS

Houve mudanças relevantes no Franchise Mode, como melhoria nas trocas e na free agency. Algumas dinâmicas diferentes nas classes do Draft para melhor refletir a realidade – como prospectos “tudo ou nada” tal como acontecem com jogadores crus no lado mental do jogo que chegam da universidade. Há mais scouts também, outra adição. Trocas são sugeridas, como há muito tempo acontece no NBA 2k e MLB The Show.

As mudanças mais importantes, porém, vieram por conta de um “beta” para o novo jogo de College Football que a EA terá ano que vem – o primeiro desde 2014, aliás. No college, o recrutamento é essencial e neles os jogadores têm interesses variados, como um lugar academicamente melhor, um time com mais exposição na TV e a conferência onde a equipe está. Isso certamente foi testado via Free Agency no Madden antes de figurar na versão aprimorada do ano que vem no jogo de College.

No caso, os jogadores têm interesses diferentes: alguns querem apenas dinheiro, outros querem jogar perto de onde nasceram ou estar em um time competitivo. Obviamente, a mudança é bem-vinda, porque reflete mais a realidade.

Embora as opções-padrão de contratos seja uma melhora bem-vinda, ainda não é possível colocar um contrato em função do que você quer na distribuição de dinheiro (no início, equilibrado ou final do contrato). Isso é bastante insuficiente, porque em outros jogos de esporte (NBA 2k, MLB The Show...) já é possível e no Madden, ainda não.

O modo Carreira, de toda forma, está bem interessante. Você toma o controle de um jogador veterano que chega na Free Agency depois de seu contrato de calouro no qual mostrou flashes de produção e agora buscar espaço como titular. Você pode escolher qualquer time para jogar. É possível jogar como Quarterback, Linebacker, Wide receiver, Running back ou Cornerback. Embora as posições de linha não estejam disponíveis – uma pena, saudades PlayStation 2 e seus Maddens – essas posições devem ser as que as pessoas mais jogariam, então entendível focar recursos em montar um modo de jogo que faça sentido para elas.

Neste ano, o modo Carreira (Face of the Franchise) lembra muito em alguns aspectos os modos assim dos Maddens antigos. Você só controla um jogador e tem que depender do time render. Se você passou a bola, agora é rezar para que peguem. Recomendo fortemente jogar com a câmera no nível do campo, a sensação de imersão é muito maior.

BOM MADDEN, MAS AINDA ATRÁS DOS COMPETIDORES ESPORTIVOS

É o melhor Madden em bastante tempo no que se refere aos modos de jogo, e um Franchise que possui praticamente o triplo de recursos do que havia no final da década passada - mas metade do que havia no PlayStation 2, auge da franquia. Também não chega perto dos recursos e modos de jogo dos “franchise” do MLB The Show ou NBA 2k. Mas, de fato, estamos no caminho certo.

Madden ainda me faz sentir com que eu esteja jogando videogame, porque há algo artificial em termos de animação do que aparece na tela. O MLB The Show, não. Isso afeta bastante o fator replay. Nos últimos anos, estou largando o Madden em dois meses (se muito). O MLB The Show ainda estou jogando depois de cinco meses, como acontece todo ano.

O gameplay melhorou, mas ainda está bastante longe do que tínhamos antigamente. A EA melhorou os tackles como falei, mas as coisas ainda estão muito dependentes de animações pré-definidas - principalmente no passe. Ainda não sinto que um jogo é diferente do outro, sabe? Acredito que seja muito porque estou vendo a mesma partida toda vez, mas com uniformes e placares distintos.

Minha recomendação é que você espere uma promoção. Até lá, o jogo vai ter corrigido o problema das interceptações, além de ter mais adições em termos de gameplay e no Franchise.

Madden 23 já está disponível e possui versões para Xbox Series X | S, PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 5 e PC.