Nesta terça-feira (4) começa a rolar a bola na fase de grupos da CONMEBOL Sudamericana. A competição terá forte presença brasileira, com América-MG, Botafogo, Fortaleza, Goiás, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo na luta pelo título internacional.
O campeonato, porém, não se limita apenas aos brasileiros. Espalhadas pela América do Sul se encontram diversas histórias curiosas, que vão desde a "influência" de Maradona até um estádio que virou mercado, além de jogos bastante antecipados.
Quer saber mais? O ESPN.com.br separou as melhores histórias e curiosidades para você se preparar e estar por dentro de tudo antes do início da Sul-Americana.
Gasómetro, o estádio que virou mercado
Um dos clubes mais tradicionais da edição de 2023 da Sul-Americana é o San Lorenzo. Tendo vencido o torneio em 2002, a equipe de Almagro também é campeã da CONMEBOL Libertadores (2014) e tem 15 títulos do Campeonato Argentino.
O que sempre movimentou a torcida, porém, não tem a ver com os resultados dentro do gramado. A maior mobilização dos Cuervos se dá pelo retorno a Boedo, bairro originário da equipe em sua fundação, em 1908.
O clube, porém, só viria a ter um estádio próprio seis anos depois, quando foi inaugurado o El Gasómetro, atualmente conhecido como Viejo Gasómetro. O estádio serviu de casa para o Cuervo até 1979, quando o governo militar argentino obrigou o clube a vender o terreno.
Durante o governo de Osvaldo Cacciatore, um dos interventores de Buenos Aires durante a ditadura militar, uma das preocupações dos militares era o "excesso de estádios na cidade".
Segundo conta a história, Cacciatore então decidiu que San Lorenzo, Huracán e Vélez Sarsfield deveriam ter um único estádio e dividirem os mandos de partidas. Cheio de dívidas e pedidos de falência, o Cuervo foi obrigado a vender seu terreno para o governo, o que aconteceu em 1979, sob a promessa de usar a área como parte de um projeto de reurbanização, para a construção de novas vias e um conjunto habitacional.
A última partida do estádio foi um empate sem gols contra o Boca Juniors, em 2 de dezembro de 1979. A demolição aconteceu em 1984. Anos depois, sem o projeto de reurbanização sair do papel, o terreno foi vendido pela ditadura militar para que o Carrefour construísse a primeira unidade do mercado no país.
O San Lorenzo só foi voltar a ter um estádio próprio em 1993, quando foi inaugurado o Nuevo Gasómetro, local que a equipe manda seus jogos desde então.
O sonho de voltar a Boedo, porém, nunca deixou a mente dos torcedores e dos dirigentes cuervos e chegou a ser até assunto de uma das principais obras de Eduardo Galeano, um dos principais autores da América Latina, que fala sobre a relação do San Lorenzo com seu bairro no livro Futebol ao Sol e à Sombra.
E esse sonho passou a se tornar realidade em 2016, quando o San Lorenzo conseguiu recomprar o terreno do Carrefour. Em 24 de fevereiro de 2022, o clube anunciou que pagou a última parcela da compra do terreno na Avenida La Plata.
O clube, porém, passa por uma grave crise política e é incerto quando as obras de um novo estádio na antiga sede devem começar.
Os carrascos de brasileiros
A edição de 2023 também está recheada de carrascos de brasileiros. No Grupo A, o Botafogo terá pela frente a LDU, equipe que ficou bastante conhecida no Brasil pelas duas finais consecutivas que fez contra o Fluminense.
Na Libertadores de 2008, os equatorianos levantaram a Glória Eterna em pleno Maracanã, após vitória nas penalidades. No ano seguinte, as equipes voltaram a se encontrar, dessa vez na decisão da Sul-Americana. E voltou a dar LDU.
Depois de um 5 a 1 em casa, os equatorianos perderam o jogo seguinte por 3 a 0, mas voltaram a levantar uma taça no Maracanã pelo saldo de gols.
No Grupo B, temos o Guaraní, do Paraguai, que eliminou o Corinthians da Libertadores em duas oportunidades: nas oitavas de final de 2015 e na fase prévia de 2020.
Outro carrasco do clube alvinegro que está presente na Sul-Americana é o Tolima. Responsável por tirar o Corinthians na fase prévia de 2011, o clube colombiano agora divide o Grupo D com o São Paulo.
Por fim, o Grupo C ainda conta com o Estudiantes, equipe que venceu a Libertadores em cima do Cruzeiro em pleno Mineirão, em 2009.
Será que estas equipes seguirão carrascas dos times do Brasil? Seu time que abra o olho!
São Paulo reencontra rival de final polêmica
Além de ter pela frente o Tolima, o São Paulo enfrentará um velho conhecido no Grupo D: o Tigre, da Argentina. Foi diante dos hermanos que a equipe tricolor conquistou seu único título da Sul-Americana, em 2012.
A final foi cercada de polêmicas. Depois de um 0 a 0 na Argentina, as equipes se enfrentaram no Morumbi, e o São Paulo abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo. E foi aí que o jogo acabou. O Tigre se recusou a voltar para a segunda etapa, alegando violência policial nos vestiários, e o duelo foi dado como encerrado, com o Tricolor Paulista levantando a taça.
Desde então, a equipe tricolor conquistou apenas o Campeonato Paulista em 2021, amargando um jejum de quase 10 anos sem títulos. Para muitos torcedores, a final não ter "acabado" foi uma espécie de maldição. Agora, o reencontro pode significar o fim do ciclo e recolocar o São Paulo no caminho das glórias.
Diego Maradona irá "aprontar mais uma?"
Falecido em novembro de 2020, Diego Maradona parece fazer jus ao seu status de santidade na Argentina. Desde o início da temporada europeia, na metade de 2022, tudo que teve forte ligação com Diego parece estar vivendo seu melhor momento.
A seleção argentina conquistou a Copa do Mundo no Qatar, após 36 anos de jejum, e o Napoli caminha a passos largos para levantar a Serie A pela 1ª vez desde 1990, quando um endiabrado Maradona comandou a equipe rumo ao título.
No Grupo G da Sul-Americana, que também conta com o Goiás, temos o Gimnasia y Esgrima, da Argentina, equipe que foi a última da carreira de Diego como técnico e, portanto, sua última ligação direta com o futebol.
Em 2023, a equipe já quebrou o maior tabu da história dos clássicos da Argentina e voltou a vencer o Estudiantes, seu maior rival, depois de 13 anos e 20 partidas. Será que eles serão capazes de surpreender e conquistar seu primeiro título profissional desde 1929?
O legado da família Verón
A história da família Verón e do Estudiantes de La Plata se misturam. Tudo começou em 1962, quando Juan Ramón Verón começou sua carreira no Pincha e foi um dos principais destaques da equipe tricampeã da Libertadores entre 1968 e 1970, e campeã mundial em 1968.
Em 1994, quando a equipe estava na segunda divisão argentina, foi a vez de Juan Sebastián Verón sair das categorias de base do clube e ser o responsável por recolocar o Estudiantes na elite do futebol argentino.
Depois de anos no futebol europeu, La Brujita retornou ao clube em 2006. Foi campeão argentino em duas oportunidades e conquistou a Libertadores em 2009, com uma atuação de gala no Mineirão, contra o Cruzeiro.
Em 2014, ele chegou a se aposentar, mas retornou em 2016 e jogou a Libertadores do ano seguinte. Atualmente, é o presidente do clube.
E o legado da família Verón em La Plata começará a escrever mais um capítulo nos estádios sul-americanos na Sul-Americana de 2023.
Deian Verón, filho de Juan Sebastián, fez sua estreia pela equipe profissional em novembro de 2022 e terá na Sudamericana sua primeira competição internacional com a camisa pincharrata.
