Guto Ferreira diz que Filipe Luís saiu do Flamengo por 'algo político' e pede 'equivalência' entre Brasil e Europa

Vice-líder da Série B do Brasileirão no comando do Vila Nova, Guto Ferreira tem se mostrado, a cada ano que passa, um técnico importante e renomado no futebol brasileiro, com passagens de sucesso em Coritiba, Sport, Ceará e Remo.

Nesta quarta-feira (3), o treinador, nos últimos anos especialista em conduzir seus times à elite do Brasileirão, foi o convidado do Fala a Fonte e, entre os assuntos tratados, opinou sobre a situação de Filipe Luís, que no início do ano foi demitido do Flamengo, mesmo após uma temporada em que levou o time aos títulos do Campeonato Brasileiro e da CONMEBOL Libertadores.

De acordo com Guto, Filipe já mostrava, desde os tempos de jogador, que teria sucesso na carreira na beira do gramado: "Um grande jogador, inteligentíssimo, que, durante a carreira, não só jogou, mas buscou também entender a estrutura de treinamento, os motivos de jogar daquela maneira, da tática. Demonstrou ser cara de vanguarda ao chegar no Flamengo ao testar as ideias dele da base no profissional e teve resultado imediato", iniciou, dizendo que acha que ele foi injustiçado no Flamengo, antes de agora virar treinador do Monaco, recolocando os brasileiros no mercado de treinadores na Europa.

"Foi para a França agora por uma questão injusta em termos de campo, foi algo político ali que aconteceu. Dentro de campo não tem o que falar dele, por mais do que seja o Flamengo. Torço muito por ele. Se nós aqui temos aceitação do treinador europeu, por que eles lá não terão aceitação a nós? Torço para que ele consiga realizar, e ele tem competência para isso, um trabalho do nível que ele realizou no Flamengo, pois isso vai trabalhar para melhor a visão sobre o treinador brasileiro, que, na minha concepção, não deve nada para ninguém."

Elogiando os técnicos brasileiros, Guto ainda fez um paralelo com a "invasão" dos estrangeiros no Brasil, propondo uma equivalência, já que para o brasileiro trabalhar na Europa, ele precisa de uma licença específica.

"Começando sobre a Licença, ela não é só totalmente injusta, e não sei quem controla e por que não controla dentro da CBF, porque a nível de Conmebol é controlada. Por que não é dada equivalência aqui? Tem treinadores que chegam aqui sem a licença e conseguem autorização para trabalhar aqui, e nem sempre são melhores que os brasileiros. A sequência dos trabalhos tem mostrado isso. Em qualquer lugar, não é questão de nacionalidade, mas sim da competência do treinador."

Ao contrário da Série A, que já parou e permanecerá sem jogos durante a Copa do Mundo, a Série B continua. O Vila Nova, de Guto Ferreira, volta a atuar na próxima segunda-feira (8), quando recebe o Botafogo-SP. O duelo terá transmissão no plano premium do Disney+.