A Série B do Campeonato Brasileiro tem novo formato. A partir de 2026, apenas o campeão e o vice terão vaga direta à Série A. Já os clubes que terminarem entre a 3ª e 6ª posições disputarão os playoffs.
Para definir as últimas duas vagas para a primeira divisão, o 3º colocado enfrentará o 6º, e o 4º jogará contra o 5º. Os dois vencedores garantem o acesso.
A mudança no formato da Série B foi aprovada em reunião do Conselho Técnico, na quinta-feira (5), na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro.
Três propostas foram votadas entre os clubes: uma que mantinha o antigo formato e outras duas com diferentes mudanças – veja abaixo.
A ideia da mudança foi encabeçada pelo CRB. Fortaleza, Náutico e Sport se demonstraram, inicialmente, favoráveis à manutenção. Em uma primeira deliberação, a opção de manter o formato antigo foi descartada. Em seguida, em nova deliberação apenas com as propostas 02 e 03 em pauta, a segunda opção foi a contemplada.
“Proposta 01 - Manutenção do modelo tradicional da competição - Definição dos acessos após o término das 38 rodadas - Acesso direto para os clubes melhor classificados, sem etapa adicional
Proposta 02 - 3º colocado geral x 6º colocado geral - 4º colocado geral x 5º colocado geral - Partidas de ida e volta para definição do acesso - Melhor campanha com direito de decidir o confronto em casa
Proposta 03 - 4º colocado geral x 5º colocado geral - Partidas de ida e volta para definição do acesso - Melhor campanha com direito de decidir o confronto em casa”, divulgou o Náutico em suas redes sociais.
Como os clubes da Série B avaliam a mudança no formato da competição?
A ESPN entrou em contato com os 20 clubes da Série B para entender como cada um avalia a mudança de formato da competição.
CRB: “O clube entende que a mudança no formato torna a competição mais atrativa e equilibrada. Na Série A, por exemplo, o campeonato se mantém vivo até o fim: há vagas para Libertadores, Sul-Americana, luta contra o rebaixamento e disputa por melhores posições. Isso mantém o interesse do torcedor, boa audiência e estádios cheios, mesmo para quem não briga pelo título.
Na Série B, no modelo atual, muitos clubes chegam às rodadas finais sem chances de acesso ou risco de queda. Com isso, acabam reduzindo o nível de competitividade, utilizando equipes alternativas, o que gera desequilíbrio e desinteresse do torcedor, tirando o brilho da competição.
Com o novo formato, os benefícios são claros: mais clubes seguem com chances reais de chegar ao G-6 até o fim, evitando o abandono do campeonato; diminui-se a prática de “malas brancas”; os dois primeiros colocados continuam garantindo o acesso direto; os estádios permanecem cheios por mais tempo; e as fases decisivas passam a ter clima de grandes finais, aumentando a visibilidade e o valor da competição.
É uma ideia construída pensando no fortalecimento do campeonato, com ganhos esportivos, comerciais e de engajamento para todos os envolvidos”, disse o clube em nota.
Juventude: “Esse novo modelo valoriza muito mais a competição. Além de premiar quem faz uma campanha consistente para subir direto, ele mantém vários clubes vivos na disputa até as últimas rodadas. Os playoffs trazem emoção, aumentam a competitividade e geram um interesse maior do torcedor, da mídia e das TVs, fortalecendo todo o campeonato”, avaliou Fábio Pizzamiglio, presidente do clube.
Cuiabá: “A mudança é positiva porque cria um ambiente de disputa permanente no Campeonato Brasileiro da Série B. Teremos mais equipes com chances reais de acesso, o que deve elevar o nível dos jogos até a última rodada. Para os clubes, também representa mais visibilidade, datas no calendário e partidas decisivas que atraem audiência e o interesse de novos patrocinadores”, avaliou Cristiano Dresch, presidente do clube.
Botafogo-SP: “É um formato que traz justiça esportiva e emoção. O acesso direto continua valorizado, mas os playoffs ampliam a disputa e evitam que a competição perca interesse nas rodadas finais. Ter quatro datas extras para quem disputa também ajuda no planejamento esportivo e financeiro dos clubes, além de engajar os torcedores nos estádios”, avaliou Adalberto Baptista, presidente do Conselho de Administração do clube.
Fortaleza: "Foi um momento em que trocamos ideias e discutimos formatos, tudo em prol das melhorias do futebol brasileiro. Houve três linhas de escolha, todas muito fortes e competitivas, mostrando a essência do campeonato e, sem dúvidas, será uma competição muito difícil. O calendário longo ajuda na melhor experiência de quem acompanha a competição, no descanso dos atletas, na logística e na competitividade. Estamos em um novo campeonato, em uma nova realidade, e o clube como um todo precisa se adaptar a essas condições. Tem muito trabalho pela frente”, avaliou Pedro Martins, CEO do clube.
Sport: “O Sport Club do Recife, em compromisso com a transparência, informa que votou contra a proposta de alteração no regulamento da Série B do Campeonato Brasileiro, que prevê a criação de playoffs a partir desta temporada. Apesar da posição contrária, o Clube respeita a decisão tomada pela maioria dos participantes do Conselho Técnico da CBF. O Sport também se posicionou contra a não paralisação da competição durante o período da Copa do Mundo da FIFA, reforçando a legitimidade do debate e da participação dos clubes no processo decisório”, disse o clube em nota divulgada nas redes sociais.
Náutico: “Em termos práticos, a proposta aprovada altera o modelo tradicional, mantendo o acesso direto para os clubes que terminarem a competição na 1ª e 2ª posições, enquanto as demais vagas passam a ser definidas por meio de uma etapa decisiva, o que modifica a dinâmica esportiva do campeonato.
Além das discussões sobre o formato da competição, também foi debatida a possibilidade de paralisação do campeonato durante o período da Copa do Mundo. O Náutico posicionou-se de forma contrária à interrupção da competição, entendimento que foi acolhido pela maioria e aprovado na votação.
O Clube reafirma seu compromisso com o diálogo institucional, a transparência e o respeito às decisões tomadas de forma democrática nas instâncias competentes, e ingressará na competição plenamente focado na busca de seus objetivos esportivos”, disse o clube em nota divulgada nas redes sociais.
Ponte Preta: clube não quis se manifestar
Goiás: “A discussão sobre o modelo de play-offs é importante porque traz reflexões relevantes para o fortalecimento da Série B. A CBF promoveu o debate com os clubes e apresentou as opções de formato para votação, o que demonstra abertura ao diálogo. O Goiás, nos bastidores, defendia um play-off mais amplo, do 1º ao 8º colocado, por entender que esse modelo ampliaria ainda mais a competitividade. No entanto, as opções levadas à votação pela CBF foram os formatos de play-offs entre o 3º e o 6º colocados ou apenas entre o 4º e o 5º colocados. Dentro desse cenário, analisamos o retrospecto esportivo recente do clube e o impacto no calendário da competição. Nos últimos dois anos, o Goiás terminou a Série B na sexta colocação, o que, dentro de um dos modelos apresentados, pode representar uma oportunidade adicional de acesso. De forma geral, entendemos que os play-offs tendem a aumentar a competitividade e contribuir para uma Série B mais equilibrada e atrativa”, disse Leonardo Pacheco, diretor executivo do clube.
Atlético-GO: “Acredito que vai valorizar muito a competição. Todos terão mais chances e, naturalmente, vai ser um campeoanto emocionante. Espero que tudo ocorra bem, e que a gente faça uma grande Série B”, disse o presidente Adson Batista, em vídeo divulgado nas redes sociais do clube.
Vila Nova: “O Vila Nova manifesta-se totalmente favorável à implementação dos playoffs na Série B, sendo, ao lado do CRB, coautor desta proposta em tratativas desde o ano passado. Acreditamos que o novo formato traz uma vitalidade necessária à competição, gerando novos atrativos de audiência com quatro “finais” de alto valor.
Além do aspecto comercial, a mudança corrige um problema técnico histórico: o limbo da tabela. No modelo anterior, a distância de pontuação entre o G4 e a zona de rebaixamento muitas vezes desmobilizava as equipes intermediárias antes do fim do campeonato. Com a nova regra, a disputa permanece acirrada por mais tempo, valorizando o produto e mantendo o interesse do torcedor até a última rodada”, disse o clube em nota oficial.
Criciúma: “Em relação ao novo calendário, depois de vinte anos termos um novo na Série B, vejo um novo momento, aonde coloca-se as equipes no mesmo pote. Eu vejo com muito bons olhos”, disse Thiago Gasparinho, executivo de futebol, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (6).
Operário-PR: "A proposta teve ampla aprovação entre os clubes. Dos 20 participantes, 17 votaram a favor e apenas três foram contrários, o que mostra que houve praticamente um consenso. Para o Operário, essa mudança é muito interessante, porque amplia as possibilidades esportivas. Muitas vezes, equipes que terminam em quinto ou sexto lugar ficam fora do acesso por uma diferença mínima, às vezes de um ponto ou de um único jogo. Com esse modelo, essas equipes também passam a ter a oportunidade de buscar o acesso, o que eleva o nível de competitividade da Série B", disse o presidente Álvaro Góes.
Novorizontino: “Tradicionalmente a Série B do Brasileirão reserva uma disputa acirrada pelo acesso até as suas últimas rodadas. A mudança em sua forma de definição de duas vagas de acesso traz um fato novo para o evento, proporcionando uma segunda oportunidade de briga pela vaga na Série A, além de criar uma nova oportunidade comercial, que poderá trazer benefícios financeiros para todos os clubes da divisão", disse Genilson da Rocha Santos, diretor-presidente do clube.
Londrina: “A Série B ganha muito com esse novo desenho. Os playoffs criam confrontos diretos de alto nível, aumentam a competitividade e mantêm o torcedor engajado até o fim da temporada. Para as TVs, é um atrativo a mais, e para os clubes, é a certeza de que o campeonato seguirá aberto e disputado até o último jogo”, avaliou Armando Chekerdemian, CEO do Londrina.
Ceará: "Votei a favor do modelo aprovado, com playoffs e sem pausa nas competições para a Copa do Mundo. Esse novo formato foi uma solicitação dos clubes à CBF, que acatou o pedido e colocou em votação. Os jogos mata-mata valendo vaga para o acesso são um atrativo a mais para a Série B. Estamos trabalhando para fazer uma competição sólida e voltar o mais rápido possível para a 1ª divisão", avaliou o presidente João Paulo Silva.
América-MG: "O América avalia positivamente a manutenção da Série B durante a Copa do Mundo. A decisão evita a perda de ritmo técnico e otimiza o calendário, reduzindo a quantidade de partidas no meio da semana. Quanto aos playoffs, embora o clube entenda que os pontos corridos sejam o critério mais justo, reconhece que a escolha foi democrática e amplia as chances de acesso", avaliou o clube em nota.
Athletic-MG, Avaí e São Bernardo não retornaram o contato da ESPN até o momento da publicação desta reportagem. Assim que isso ocorrer, a matéria será atualizada.
