"Neymar Jr., Santos". Carlo Ancelotti nem precisou terminar de pronunciar o nome do atacante para que o auditório do Museu do Amanhã explodisse em aplausos. A convocação da estrela virou um assunto mundial, como o próprio técnico admitiu, mas, nos bastidores, trouxe desconfiança e até uma divisão na CBF.
Pouco após a convocação, pessoas ouvidas pela ESPN mostraram-se divididas com o que esperar de Neymar no retorno à Seleção Brasileira. A dúvida era grande sobre a maneira que ele reagiria quando voltasse a um ambiente que já reinou como estrela absoluta, mas que hoje é um jogador como outro qualquer da lista dos 26 de Carlo Ancelotti.
Mas, como nos tempos em que enfileirava defensores com imensa facilidade em campo, Neymar driblou os questionamentos que poderiam existir. Sem sequer tocar na bola, pois ainda nem foi liberado para treinar com o elenco, o craque encantou comissão técnica e direção com uma postura muito diferente da que apresentou nas últimas Copas que disputou.
No passado, pelo peso e responsabilidade que tinha perante o grupo, Neymar liderava praticamente todas as interações entre jogadores e comissão técnica. Negociava folgas, horários e até mesmo condições. Palpitava em assuntos relacionados à logística. Participava de discussões sobre premiações também. Isso tudo atrelado ao protagonismo que mostra em campo pela Seleção desde 2010.
O Neymar de hoje tem postura diferente. Ainda participa das discussões, mas apenas quando é chamado. Não senta mais na cabeceira da mesa de refeições, como costumava fazer nos ciclos anteriores. E também é elogiado por comportamentos no dia a dia que não existiam no passado.
O atacante tem mais interações com o staff da CBF, o que não era tão constante assim, e participa de ações internas, que vão desde atender a pedidos por fotos até autografar camisas da Seleção que de vez em quando surgem no hotel ou no centro de treinamento. Na prática, Neymar age como mais um, o que cativa Ancelotti.
Quem o conhece há mais tempo nota a diferença. A jogadores mais próximos, Neymar chegou a confidenciar que duvidou que seria convocado agora. Agora de volta ao ambiente da Seleção, ele vive tudo ao máximo, como se soubesse que esta é sua última chance de ganhar a Copa pelo Brasil.
Esse combo de comportamento foi o que fez a CBF rever a possibilidade de cortá-lo do Mundial. Neymar se apresentou no dia 27 de maio em Teresópolis com uma lesão de grau dois na panturrilha direita, o que o tirou dos amistosos antes da Copa e ameaçou até sua participação no torneio. Mas, ao ver como sua presença mexe com o ambiente, a comissão técnica descartou tirá-lo do grupo.
Neymar está em tratamento intenso no hotel e no CT do New York Red Bulls para apressar o quanto antes a volta aos campos. A expectativa de hoje é que ele possa treinar com o elenco na próxima semana, embora não tenha participação garantida na estreia do dia 13, contra Marrocos.
Ancelotti, porém, não liga para isso. Como já disse em coletiva, vai esperá-lo o tempo que for necessário.
Próximos jogos da Seleção Brasileira:
Marrocos - 13/06, 19h (de Brasília) - Copa do Mundo
Haiti - 19/06, 21h30 (de Brasília) - Copa do Mundo
