Brasil na Copa do Mundo de 1966: bagunça, queda precoce e fim da dupla Pelé e Garrincha

Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966 Keystone / Getty Images

A Seleção Brasileira tinha tudo para manter o reinado na Copa do Mundo em 1966. O embalo do sucesso dos bicampeões nos dois torneios anteriores somado ao surgimento da geração que mais tarde conquistaria o tri em 1970, no México. A realidade, porém, foi bem diferente.

Toda a preparação para o Mundial da Inglaterra foi feita de forma bagunçada, o que levou a uma das piores participações do Brasil em Copas. É, até hoje, a última vez que a Seleção caiu em uma fase de grupos, sem sequer disputar o mata-mata.

Bicampeão vigente, o Brasil não precisou passar pelas eliminatórias para garantir presença. Vicente Feola, recuperado de problemas de saúde, retomou o cargo que foi de Aymoré Moreira em 1962, mas não conseguiu conduzir um planejamento acertado. Prova disso é que a preparação para a Copa foi feita com 47 jogadores.

"Quiseram fazer média com todo mundo e atrapalhou tudo. Cada treino era uma guerra. Todos os jogadores eram amigos, mas a comissão queria que todos virassem inimigos", reclamou Brito, zagueiro do Vasco e que fez parte de todo o pré-Copa.

O imenso número de jogadores obrigava Feola a separá-los em quatro times, que passaram por cinco cidades diferentes antes do embarque para a Inglaterra. Na hora da lista final, alguns cortes que causaram polêmica, como do meia Dirceu Lopes, do Cruzeiro, e convocações questionáveis, como as dos veteranos Bellini e Zito, remanescentes das outras Copas.

Em campo, o que se viu foi um futebol apático e que nada lembrou os times de 1958 e 1962. O único ponto positivo foi a estreia, em que Pelé e Garrincha atuaram juntos pela última vez e mantiveram a invencibilidade. O Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, um gol de cada craque, e deu adeus a uma parceria histórica que jamais se repetiria.

A segunda partida acabou em derrota por 3 a 1 para a Hungria, resultado que encerrou a até hoje maior invencibilidade de um país em Copas (13 jogos sem perder, entre 1958, 1962 e 1966). Pelé, machucado pela brutalidade da marcação búlgara, não atuou, mas teve que ser forçado para a última e decisiva rodada.

De nada adiantou colocar Pelé sem condições em campo. No Goodison Park, antiga casa do Everton, a Seleção foi dominada por Portugal, de Eusébio, perdeu por 3 a 1 e deu adeus precocemente à Copa do Mundo, para surpresas de quem apostava no tricampeonato consecutivo. Quem acompanhou a preparação, porém, não se espantou com nada...

Os convocados da Seleção para a Copa:

  • Goleiros: Gilmar (Santos) e Manga (Botafogo)

  • Laterais: Djalma Santos (Palmeiras), Fidélis (Bangu), Paulo Henrique (Flamengo) e Rildo (Botafogo)

  • Zagueiros: Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Altair (Fluminense) e Orlando (Santos)

  • Meio-campistas: Gerson (Botafogo), Denilson (Fluminense), Lima (Santos) e Zito (Santos)

  • Atacantes: Pelé (Santos), Garrincha (Corinthians), Jairzinho (Botafogo), Alcindo (Grêmio), Silva (Flamengo), Tostão (Cruzeiro), Paraná (São Paulo) e Edu (Santos)

Técnico: Vicente Feola

A campanha da Seleção na Copa:

Brasil 2 x 0 Bulgária
GOLS: Pelé e Garrincha [BRA]

Hungria 3 x 1 Brasil
GOLS: Bene, Farkas e Meszoly [HUN]; Tostão [BRA]

Portugal 3 x 1 Brasil
GOLS: Simões e Eusébio (2x) [POR]; Rildo [BRA]