Algo precisava mudar. Para deixar no passado a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, não bastava somente trocar jogadores e comissão técnica da Seleção Brasileira. Era necessário algo mais, por mais inusitado que fosse.
Isso aconteceu em dezembro de 1953. Em um concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio da Manhã, o gaúcho Aldyr Schlee venceu 13 candidatos e desenhou os novos uniformes da Seleção. Saia o branco, tido como objeto de azar pelo Maracanaço, entrava a camisa amarela com calção azul.
Foi assim que o Brasil se apresentou para disputar a 5ª Copa do Mundo da história. Em campo, Flávio Costa deu lugar a Zezé Moreira como técnico, que logo precisou encarar as eliminatórias pela primeira vez. Com quatro vitórias, a Seleção avnaçou em uma chave contra Paraguai e Chile para se garantir no Mundial disputado na Suíça.
Apenas sete jogadores permaneceram de uma Copa para a outra, entre eles o goleiro Castilho, o lateral Nilton Santos e o volante Bauer. As novidades foram Djalma Santos, lateral-direito da Portuguesa, Didi, maestro do Botafogo, e Julinho Botelho, ponta que também atuava pela Lusa.
A estreia na Copa foi ótima: vitória por 5 a 0 sobre o México, seguida de empate em 1 a 1 com a Iugoslávia, que fez o Brasil avançar como líder do Grupo 1. O problema foi que o cruzamento nas quartas de final acabou com qualquer chance de sucesso no torneio.
No mata-mata, a Seleção mediu forças contra a Hungria, simplesmente a sensação daquela Copa e que havia goleado Coreia do Sul (9 a 0) e Alemanha (8 a 3) na fase de grupos. Mesmo sem Puskás, os europeus dominaram os brasileiros e abriram 2 a 0 logo com dez minutos de jogo.
A equipe canarinho tentou reagir com Djalma Santos, em cobrança de pênalti, mas viu a Hungria ampliar para 3 a 1. Didi colocou o Brasil novamente no jogo, mas a Hungria, após lances polêmicos de arbitragem, confirmou o triunfo por 4 a 2 e caminhou rumo ao vice-campeonato. O título acabaria pela primeira vez com a Alemanha.
Ao Brasil, restou absorver as críticas de quem pedia Zizinho e Ademir de Menezes, destaques da equipe de 1950, e começar a montagem do próximo elenco, que ganharia dois fora de séries para mudar o país de patamar dentro do futebol.
Os convocados da Seleção para a Copa:
Goleiros: Castilho (Fluminense), Veludo (Fluminense) e Cabeção (Corinthians)
Defensores: Djalma Santos (Portuguesa), Nilton Santos (Botafogo), Mauro (São Paulo), Pinheiro (Fluminense), Alfredo Ramos (Vasco) e Paulinho de Almeida (Vasco)
Meio-campistas: Bauer (São Paulo), Ely do Amparo (Vasco), Dequinha (Flamengo), Brandãozinho (Portuguesa) e Rubens (Flamengo).
Atacantes: Julinho Botelho (Portuguesa), Didi (Botafogo), Pinga (Vasco), Baltazar (Corinthians), Maurinho (São Paulo), Humberto Tozzi (Palmeiras), Índio (Flamengo) e Rodrigues (Palmeiras)
Técnico: Zezé Moreira
A campanha da Seleção na Copa:
Brasil 5 x 0 México
GOLS: Baltazar, Didi, Pinga (2x) e Julinho Botelho [BRA]
Brasil 1 x 1 Iugoslávia
GOLS: Didi [BRA]; Zebec [IUG]
Hungria 4 x 2 Brasil
GOLS: Hidegkuti, Kocsis (2x) e Lantos [HUN]; Djalma Santos e Julinho Botelho [BRA]
